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Padre faz balanço da viagem e mostra os planos para o futuro

Em meio à profusão de emoções vividas na chegada à Catedral de Santiago de Compostela, o padre Alessandro Campos acabou recebendo um presente que o surpreendeu. No verdadeiro turbilhão de acontecimentos que marcaram o final da peregrinação do religioso e seus dois amigos, Thiago Gomes e Claudio “Zum” Silva, entre Paris e a Galícia, o […]

Por O Diário
30/10/2021 10h41, Atualizado há 58 meses

Em meio à profusão de emoções vividas na chegada à Catedral de Santiago de Compostela, o padre Alessandro Campos acabou recebendo um presente que o surpreendeu. No verdadeiro turbilhão de acontecimentos que marcaram o final da peregrinação do religioso e seus dois amigos, Thiago Gomes e Claudio “Zum” Silva, entre Paris e a Galícia, o religioso recebeu, em mãos, um exemplar de seu mais novo livro, que lhe foi entregue, em plena Espanha, pela Editora Globo, a mesma responsável pelo seu mais recente sucesso editorial, a obra “Eu Não Aguento Mais”, que vendeu milhares de exemplares, mesmo durante uma das fases mais agudas da atual pandemia.

O livro “Aceita Que Dói Menos”, finalizado durante o início da caminhada pelas estradas do território espanhol, como conta o padre nesta entrevista, já traz alguns relatos da caminhada, mas nada comparado ao que ele pretende lançar, no início do próximo ano, contando, em detalhes, como foi a sua peregrinação pelos quase 900 km do Caminho de Santiago de Compostela e as lições que recebeu ao longo de toda a viagem.
Já na madrugada desta sexta-feira (29) o padre ainda encontrou ânimo para responder às perguntas que o repórter de O Diário havia lhe encaminhado, horas antes, por meio do amigo Thiago Gomes, que ficou encarregado de fazer as perguntas e gravar as respostas. Thiago cumpriu à risca a sua missão e o resultado de tudo isso é a primeira entrevista exclusiva de padre Alessandro Campos após cumprir sua promessa em terras espanholas.
Além do tradicional balanço, padre Alessandro também contou qual será sua primeira preocupação após voltar a pisar em solo mogiano: celebrar uma missa, antes mesmo de chegar à residência de sua família. O local ele ainda não decidiu onde será. Curiosamente, excluiu a Catedral de Santana da lista de igrejas que poderão sediar a celebração. O motivo ele não citou.
Ele também comenta sobre a programação pela Europa, antes da volta para o Brasil, em 5 de novembro. O Brasil que, em sua opinião, continua sendo o melhor lugar do mundo para se viver.
Acompanhe a entrevista:

Padre, qual foi a sensação de chegar à Catedral de Santiago de Compostela depois de toda essa viagem?
É uma mistura de muitos sentimentos. São muitas emoções e, como diz o Roberto Carlos, ‘se eu chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi’.

O que mais o impressionou ao adentrar à histórica igreja?
A beleza. É uma igreja majestosa, o altar todo dourado. E eu adoro o ouro, tudo que é dourado me encanta. Uma igreja em mármore, em pedra, coisa de séculos, mas muito bem acabada. Você olha e vê que tudo isso foi feito praticamente à mão. É um trabalho artesanal de quem fez. Hoje temos tecnologia, temos equipamento, temos máquinas. Os equipamentos atuais são capazes de fazer coisas absurdas, mas há séculos, tudo era artesanal e manual. Então você olha para aquela grandiosidade e beleza e indaga: ‘Como é que fizeram isso?”. A missa foi muito bonita, maravilhosa.

Cumpriu todas as etapas reservadas aos peregrinos, como visitar o túmulo do apóstolo Santiago?
O túmulo de Santiago deixamos para visitar no dia seguinte. Nós íamos visitar após a missa, mas tinha muito tumulto. Havia um casal de brasileiros – um é de Campo Grande e outro de Presidente Prudente – que moram em Santiago de Compostela há 20 anos. Os pais moram lá no Brasil e eles estavam desesperados atrás da gente. Foram na missa do meio-dia atrás de nós, estavam o dia todo atrás da gente e conseguiram nos achar na Missa dos Peregrinos, à noite, e ficamos algum tempo juntos. A igreja já ia fechar, então para não termos de fazer uma visita rápida, decidimos deixar para a manhã seguinte.

Terminada a jornada, as dificuldades passadas pelo caminho tendem a ficar esquecidas. Antes que isso aconteça, conte qual foi o pior e o melhor momento vivido pelos três, antes da chegada à Catedral de Santiago?
O pior momento foi aquele em que nós sofremos muito, no primeiro dia. Foi horrível a caminhada entre Saint-Jean-Pied-de-Port e Roncesvalles, passando fome, uma loucura. Foi o dia em que nós andamos quase 100 km. Saímos às 4 horas da manhã e chegamos às 23 horas, com fome, com dor, frio e o “Zum” chorando (risos). Achei que fosse infartar. Será que desgraçado desse velho vai morrer aqui? Pra mandar esse corpo pro Brasil, eu estou lascado…(risos). Já o melhor momento, foi , sem dúvida a chegada à Catedral de Santiago, na quinta-feira. É muita emoção. Quando você chega na praça e ouve o sino tocando, com vários peregrinos na praça, se emocionando, chorando, se abraçando. A gente também se abraçou, se emocionou e foi, sem dúvida, o melhor momento.

De que maneira as mensagens vindas de suas fiéis seguidoras do Brasil o ajudaram a superar as dificuldades do caminho?
Foram muito importantes. Se não fosse o povo do Brasil mandando mensagem, mandando foto, áudio, vídeo,nos incentivando, acho que a gente não conseguiria chegar nunca. Acaba que as pessoas incentivam a gente e as minhas “velhinhas”, então, nem se fala… E o incentivo faz a diferença. Aquela força positiva. Vai lá, vai dar certo, você vai conseguir… isso realmente faz a diferença.

Quais as principais lições o padre Alessandro tira dessa viagem pelo Caminho de Compostela?
A principal lição, eu disse no primeiro dia da viagem, que para mim, foi essencial para aprender. Precisamos de muito pouco para sermos felizes. A gente se preocupa demais com tantas coisas, os afazeres. Preocupa demais em ter, possuir, com o poder, a beleza, a riqueza, o sucesso… tudo isso é um nada. Quando você está, por exemplo, no meio de uma mata, sem comer, sem beber, com fome, sede e frio… se eu tivesse milhões de reais ali, não valeria de nada. Não adianta. Então, você precisa de muito pouco para ser feliz. Para mim, a melhor lição foi essa. E a segunda lição é que o Brasil é o melhor país do mundo. Para comer, para se viver, tem o carinho, o afeto, o calor humano. Aqui ( no exterior) não tem essas coisas. O povo é um pouco grosseiro, que deixa muito a desejar. A igreja aqui é muito fria. Os próprios padres são diferentes. Olha, o melhor lugar do mundo chama-se Brasil. Eu fiz uma brincadeira falando que as velhinhas do Brasil eram ‘uma carcaça’. É claro que era uma brincadeira, porque eu prefiro as ‘carcaças’ do Brasil que  essas velhas daqui (risos).

Terminada a viagem a cumprida a promessa, o que virá por aí na carreira artística e no trabalho religioso de padre Alessandro Campos?
O meu novo livro, “Aceita Que Dói Menos”, que estamos lançando hoje. Por um coincidência ou providência, a editora me mandou o livro que foi finalizado aqui. Em Roncesvalles, nós ficamos das 10 horas até às 3 da madrugada, comigo ditando e o Thiago e o “Zum” escreviam. De repente, a editora me manda esse presente aqui. Eu achando que eles iriam lançar para o Natal, e o livro já está pronto. Abriu a pré-venda hoje. Se é coincidência ou providência de Deus eu não sei, mas eu sei dizer para mim foi uma surpresa

Quando o senhor retorna ao Brasil? Pretende fazer um tour rápido pela Europa? Onde pretende ir?
Dia 5 nos retornaremos para o Brasil. Está prevista uma missa na nossa chegada. Estou pensando ainda onde irei celebrar esta missa em Mogi. Com certeza, não será na Catedral. 

Qual a primeira coisa que o padre deseja fazer ao chegar novamente a Mogi das Cruzes.
Nós vamos sair do aeroporto e vamos diretamente para a igreja celebrar esta missa. Não será na Catedral, isso é certeza. Mas vamos a alguma paróquia celebrar esta missa. Vou convocar as “velhinhas” para irem, fazer caravanas e a celebração será transmitida pela Rede Vida. Agora, daqui nós vamos para Fátima, em Portugal, que é emocionante, e é uma pena que a Itália está fechada, senão iríamos até lá para visitar o papa. Mas podemos ir para a Disney, na França, ou também em Lourdes. Um dos três lugares nós iremos…

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