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Pandemia muda perfil do comércio de Mogi

Na crise, a necessidade de se reinventar para sobreviver no mercado faz com que muitos estabelecimentos comerciais de Mogi das Cruzes optem por mudar de segmento de atuação. É o caso, principalmente, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região do Alto Tietê, dos restaurantes e lojas que precisaram fechar as […]

Por O Diário
05/12/2021 09h54, Atualizado há 57 meses

Na crise, a necessidade de se reinventar para sobreviver no mercado faz com que muitos estabelecimentos comerciais de Mogi das Cruzes optem por mudar de segmento de atuação. É o caso, principalmente, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região do Alto Tietê, dos restaurantes e lojas que precisaram fechar as portas durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, e passaram a apostar no serviço delivery.

Outros, de olho nos novos nichos abertos, passaram a investir em setores em ascensão, como os de informática e games, que ocuparam grande parte do tempo das pessoas neste período, seja no home office e aulas remotas ou como opções de lazer e entretenimento.

Segundo o presidente do Sincomércio, Valterli Martinez (foto ao lado), a pandemia trouxe uma mudança bastante significativa no perfil do comércio, principalmente na área central. “Muitos trocaram de segmento. Lojas de roupas viraram óticas, por exemplo, assim como surgiram várias de conserto e venda de celulares e acessórios. Nos últimos três meses, vimos diversos pontos comerciais que estavam fechados sendo reabertos com novas opções de produtos e serviços”, explica.

Como os serviços delivery e ligados à informática foram os mais demandados na fase crítica da pandemia, ganharam força no mercado, mas outros também tiveram destaque neste retorno ao ‘novo normal’, a exemplo dos restaurantes, que apesar de manterem a entrega em domicílio, também viram a retomada do atendimento presencial aumentar nos últimos tempos. “O pessoal ficou quase um ano e meio abrindo e fechando, com muitas restrições de horários e de capacidade de público. Agora, após a vacina, as pessoas se sentem mais seguras e querem ver e experimentar os produtos nos locais de venda”, relata Martinez.

Levantamento do Sincomércio também mostra aumento de 40% a 50% das vendas presenciais nos segmentos de vestuário e calçados no comparativo com 2020. No entanto, ainda há queda de -4% a -5% em relação a 2019.

Martinez conta que o mercado varejista anotou baixa de 1,5 mil CNPJs em 2020 na cidade, mas a partir de janeiro deste ano até agora, houve o registro de 900 novos lojistas de vários setores em Mogi, com destaque para os segmentos de óticas, que teve aumento de 30%; delivery, com elevação de 40%; e lojas de informática e games, que atingiram crescimento de 12%.

Um dos termômetros desta retomada econômica do comércio é a Black Friday, no final do mês passado. “As vendas foram 28% superiores a 2020, mas -3,5% inferiores a 2019, que já foi considerado um ano ruim para o comércio, porque o poder aquisitivo caiu no Brasil todo. E ainda vai levar uns quatro anos para chegarmos ao patamar de 2013 e 2014, que foram os anos de salto gigantesco de vendas no comércio e considerado o melhor período para o varejo”, prevê Martinez.

Diante das incertezas do mercado e das restrições da pandemia, o floricultor Jorge Antônio Mazzaro, proprietário da Suzy Flores, há 25 anos em Mogi e 45 anos em Poá, decidiu se reinventar. Como a floricultura precisou fechar durante o lookdown e não havia eventos para fazer decoração, ele abriu em uma das portas do ponto comercial, o Suzy Sushi, que funciona com delivery e retirada no local, desde junho de 2020.

“No ano passado, após o início da pandemia, só pudemos abrir a floricultura nas vésperas dos dias das Mães e dos Namorados. O setor de eventos, que costumamos atender com decorações, estava parado e nem mesmo coroas de  flores tinham saída, porque na maioria das vezes não havia velórios ou eles aconteciam em horário bastante reduzido. Então, o jeito foi aprender algo novo. Alimentação é algo que não para, então, apostamos na culinária oriental, que gostamos, e deu certo”, conta.

Inicialmente, os pedidos eram no sistema delivery em casas de um condomínio, depois mais famílias começaram a fazer encomendas, até que o negócio virou e ele decidiu destinar parte do ponto comercial da floricultura, que agora mantém atividades normalmente, ao preparo da culinária típica japonesa. “O delivery surgiu em um ato de desespero e coragem, durante a pandemia, que foi algo assustador e nunca visto na minha vida. Mogi parecia uma cidade fantasma, sem ninguém nas ruas, com todo o comércio fechado”, lembra. 

Quem também apostou no comércio de informática, celulares e games foi a Urbano Shop, na região central da cidade. “O nosso forte eram os games, mas vimos a necessidade de mesclar com outros produtos, devido à alta do dólar, e passamos a trabalhar com encomendas, porque o investimento é de alto custo. Os celulares e acessórios também vendem bem, porque são essenciais nos dias de hoje”, conta Jefferson Seidy Muroi, proprietário do estabelecimento comercial.

 

Animes têm espaço
Com mais pessoas em casa, os serviços de streaming também ganharam destaque e, consequentemente, abriram espaço para um mercado até então pouco explorado na cidade: o de animes.

De olho nesta tendência, o comerciante Rodrigo de Miranda da Cruz passou a viajar todos os dias da capital paulista para Mogi das Cruzes, onde abriu a loja Korumocho Animes, na região central. 

Ele comercializa uma variedade de produtos inspirados em séries de desenhos japoneses e também aposta em cosplays. “Este mercado de animes cresceu cerca de 150% na pandemia, porque as pessoas passaram a ter acesso mais fácil aos filmes e séries”, avalia.

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