Pedágio em Mogi vai enfraquecer a economia
A falta de acesso a milhares de moradores dos bairros ao Centro da cidade e o encarecimento do custo de vida são alguns dos prejuízos previstos para a economia e a sociedade mogiana, caso prospere o plano da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) de instalar um pedágio na rodovia Mogi-Dutra, na […]
04/05/2021 20h48, Atualizado há 63 meses
A falta de acesso a milhares de moradores dos bairros ao Centro da cidade e o encarecimento do custo de vida são alguns dos prejuízos previstos para a economia e a sociedade mogiana, caso prospere o plano da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) de instalar um pedágio na rodovia Mogi-Dutra, na opinião de Nelson Bettoi, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Mogi das Cruzes.
O Diário ouviu representantes de variados segmentos para apontar10 principais argumentos para não ter cobrança de pedágio em Mogi
Ele lembra que a Mogi-Dutra no trecho entre a Ayrton Senna até Mogi possui um movimento intenso de moradores no trajeto entre os bairros e a região central e prevê que essas pessoas vão trabalhar e consumir em outras cidades. “São pessoas que trabalham fora da cidade e veículos com nossa produção de hortifrutigranjeiros e industrial”, que serão obrigadas a pagar pela passagem na estrada, além dos motoristas que vão para as cidades litorâneas. Para ele, o pedágio em Mogi visa custear as obras de melhorias no litoral, e não no município.
“O pedágio no km 45 que foi escolhido pela Artesp irá dividir a cidade deixando uma população de grande vulto dos bairros sem acesso direto para o centro da cidade e que deverão que pagar o pedágio”.
Outro complicador, observa, será o impacto na indústria. “O Taboão, possui uma grande área ociosa para a implantação de indústrias, por estar próxima e oferecer fácil acesso à capital, ao Vale do Paraíba e ao Litoral, poderá não mais aceitar funcionários de Mogi das Cruzes, e irão optar por aqueles que moram em Arujá, Santa Isabel e Suzano, pois “será mais compensatório financeiramente”.
Para ele, a cidade “perderá a preferência para investimentos no comércio e de empreendimentos imobiliários, pois será mais vantajoso o investimento em cidades vizinhas onde não possuem pedágio”.
Um pedágio significará gasto diário a moradores e trabalhadores de R$ 16,00. Bettoi alerta para as mudanças na mobilidade da cidade. “Junto com o pedágio, serão transformadas ruas principais e urbanas em via expressa, onde nestas existem grande número de residências e comércios locais”, afirma.
Para ele, o pedágio irá dividir a cidade, assim como já acontece com a linha férrea. O engenheiro alerta sobre o impacto no comércio, na prestação de serviços e até a rede particular de ensino com a retirada de uma parte dos consumidores que residem depois do quilômetro 45 da Mogi-Dutra. Ou seja, ficará mais caro utilizar serviços na cidade.
A Associação dos Engenheiros e Arquitetos integra o Movimento Pedágio Não, que luta contra a cobrança prevista na concessão das estradas litorâneas.
Carta
O Diário publica cartas endereçadas ao Governo do Estado de São Paulo, escritas por lideranças e representantes da sociedade civil de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê com argumentos contra a instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra e os prejuízos que a praça de cobrança poderá trazer à região.
Hoje, quem escreve é o arquiteto e urbanista Paulo Pinhal, presidente do Colégio de Arquitetos, conselheiro da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Mogi das Cruzes (AEAMC) e integrante do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap). O texto não tem interferência editorial de O Diário e traz as justificativas e defesas do próprio autor.
Ao Governo do Estado
Venho por meio desta solicitar que Vossa Excelência reveja a colocação de uma praça de pedágio na rodovia Mogi-Dutra, com objetivos de atingir o público alvo da rodovia Mogi-Bertioga.
Os motivos são: historicamente, a cidade de Mogi das Cruzes foi passagem obrigatória da estrada São Paulo/Rio, o que proporcionou a vinda de indústrias e garantiu o progresso. Durante muitos anos, fomos o principal fornecedor de ovos para a cidade do Rio de Janeiro e o cinturão verde da metrópole.
Com a construção da rodovia Presidente Dutra, ficamos isolados, fora do circuito do progresso. A cidade se estagnou.
A construção da rodovia Mogi-Dutra e da Mogi-Bertioga foi um desejo do povo mogiano que abriu mão de infraestruturas nos bairros da cidade para que pudessem serem feitas estas estradas. O acesso mais rápido para a cidade de São Paulo e à praia tornou a cidade mais atrativa.
Como morador de Mogi das Cruzes, sou totalmente contra o pedágio, pois é imoral e desrespeitoso a todos os mogianos, já que o pedágio vai privar o nosso direito de ir e vir sem ônus.
O custo de vida na cidade ficará mais caro, pois todos os produtos e serviços terão seus custos adicionais por conta do pedágio que serão repassados para os consumidores. Entraremos em estagnação novamente.
Se houver a construção de uma nova estrada partindo por exemplo do Rodoanel e seguindo até depois de Biritiba Ussu, e com a duplicação aérea sobre a pista existente da rodovia Mogi-Bertioga, minimizando impactos ambientais, facilitaria o acesso à cidade de Bertioga, sem congestionamentos. Seria um ganho para todos. Aí sim poderia até ser que se justificaria um pedágio.
Vossa Excelência, que conhece bem a região, sabe que uma estrada nova vai trazer mais desenvolvimento para todos.
Certo de que a razão e o bom senso vão imperar.
Despeço, sem mais.
Paulo Pinhal
Presidente do Colégio de Arquitetos, conselheiro da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Mogi das Cuzes (AEAMC) e membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap)