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Semana de Conscientização da Hanseníase é instituída em Mogi

Mogi das Cruzes vai passar a comemorar a “Semana da Conscientização da Hanseníase”, na cidade a partir do próximo ano, sempre no mês de janeiro. O projeto de lei que pede a inclusão da data no calendário oficial do município, de autoria do vereador Iduigues Martins (PT), foi aprovado em sessão nesta quarta-feira (19)     […]

Por O Diário
19/04/2023 20h44, Atualizado há 39 meses

Mogi das Cruzes vai passar a comemorar a “Semana da Conscientização da Hanseníase”, na cidade a partir do próximo ano, sempre no mês de janeiro. O projeto de lei que pede a inclusão da data no calendário oficial do município, de autoria do vereador Iduigues Martins (PT), foi aprovado em sessão nesta quarta-feira (19)    

A votação da matéria foi acompanhada por representantes o Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) que acompanharam a votação do projeto, em plenário.

Janeiro foi escolhido para comemorar a data, em razão do Dia Internacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, celebrado no dia 31 do mês, por decisão da Organização das Nações Unidas (ONU). Para se tornar lei e ser incluída no calendário oficial do município, o projeto ainda precisa passar pela aprovação do prefeito Caio Cunha (PODE).

Apesar de já ter tratamento, a doença ainda é motivo de preconceito e discriminação por falta de informações, o que estimulou o vereador a propor a realização da Semana para que sejam promovidos eventos para refletir sobre a doença, que ainda é motivo de discriminação pela falta de conhecimento por parte das pessoas.

A conscientização, como ressalta Iduigues, é o principal caminho para o diagnóstico precoce, para a prevenção, para a adesão ao tratamento e para diminuir o estigma envolvendo os portadores de doença.

“A hanseníase tem cura, mas continua circulando na sociedade. Por isso, é preciso que as pessoas saibam que, ao terem manchas brancas na pele e perderem a sensibilidade nessas áreas, é preciso procurar imediatamente ajuda médica”, completou o vereador.

Conhecida antigamente como lepra, a doença afeta a pele e os nervos periféricos, podendo provocar lesões neurais com alto potencial incapacitante. Além disso, ela é transmissível, o que contribui para muito preconceito e discriminação para com os portadores de hanseníase. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil ocupa a segunda colocação no ranking mundial de números de casos da doença, perdendo apenas para a Índia.

Colônia de Hansenianos

Durante a discussão da matéria, os vereadores também falaram a respeito de problemas enfrentados pela colônia de moradores construída nos anos em uma área do hospital Dr Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, fundado em 1928, no distrito de Jundiapeba. O espaço, conhecido como Leprosário Santo Ângelo, recebia os pacientes em uma época que o país enfrentava uma epidemia de hanseníase, doença contagiosa, que não contava com tratamento na época.

Os parlamentares chamaram atenção para a situação precária em que se encontra o cemitério onde eram enterradas as pessoas que morriam por causa da doença, além do abandono das casas e do teatro, entre outras coisas mais.

O vereador Francimário Vieira de Macedo – Farofa (PL), chamou atenção também para a reclamação de que o Governo do Estado estaria tentando retomar as casas das famílias de moradores, que eram segregadas do convívio de suas famílias e da sociedade na época. Há ainda informações de que os pacientes portadores da hanseníase não estariam recebendo acompanhamento médico no hospital. O Diário está cobrando um posicionamento da Secretaria Estadual de Saúde a respeito.

 

Ele disse que já entrou em contato com o deputado estadual Marcos Damásio (PL), para pedir esclarecimentos por parte do Estado. O Diário também questionou a Secretaria de Estado de Saúde sobre as queixas dos moradores.

Dívida Social

A vereadora Fernando Moreno (MDB) entende que “Mogi tem uma dívida social com os hansenianos. Isso porque muitos deles foram levados para lá [sanatório Santo Ângelo] obrigatoriamente, sendo separados de suas famílias, na época em que o poder público tratava a doença com isolamento e preconceito”.

Para Inês Paz (PSOL) o local traz lembranças do passado. “Trabalhei no hospital. Fui atuar lá como auxiliar de enfermagem quando passei em um concurso. Era feito um verdadeiro terrorismo sobre as pessoas de lá. Na época, o local era chamado de leprosário. Ali, moravam muitos pacientes. Por isso, o sanatório Santo Ângelo chegou a ser uma verdadeira cidade”, relembra.

Outro que se manifestou foi Marcos Furlan (PODE), presidente da Câmara. Na opinião dele o recolhimento compulsório “não pode ser esquecido”.  Ele também a implementação de políticas públicas para as pessoas que passaram por isso.

“Meu amigo escreveu o livro: ‘O dia que o leão se levantar’, que conta a história lá do sanatório. O nome da obra é porque diziam para os pacientes confinados que eles só sairiam dali no dia em que a estátua de leão situada ali se levantasse. Graças a Deus a Medicina evoluiu, e hoje as pessoas podem se tratar e levar uma vida normal”.

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