Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

Bate-boca de Lintz e Romão pode ser enquadrado como quebra de decoro? Entenda

Mesa da Câmara de Mogi informou ao O Diário que um pedido de providências será enviado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar

Por Fabricio Mello
15/05/2025 19h33, Atualizado há 15 meses

Momento da fala de Lintz na sessão | Reprodução TV Câmara

A troca de xingamentos e acusações entre os vereadores Felipe Lintz (PL) e Rodrigo Romão (PCdoB) na sessão desta quarta-feira (14) pode ser configurada como uma quebra do decoro parlamentar, segundo avaliações de especialistas feitas a pedido do O Diário. A Mesa do legislativo mogiano, inclusive, informou que um pedido de providências será enviado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar (leia mais abaixo).

Durante uma discussão sobre uma moção de repúdio ao escândalo de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), os vereadores começaram a trocar farpas após uma fala de Lintz sobre o presidente Lula (PT). A discussão acabou escalando e, em dado momento entre a troca de acusações, Lintz disparou para Romão: “O senhor foi eleito na raspa do tacho. Está aqui por dó. Seu vagabundo.

Assista:

Na análise do advogado Ilmar Muniz – especialista em direito Penal, Constitucional e do Consumidor, acusações sem provas configuram uma ofensa grave à honra e à imagem do acusado, “além de comprometer o respeito e a dignidade exigidos no exercício do mandato”.

“Tal conduta extrapola os limites da liberdade de expressão parlamentar e fere as normas de conduta previstas na Lei Orgânica do Município e no Regimento Interno da Câmara”, avalia o advogado.

Segundo a definição do Congresso Nacional, o decoro parlamentar refere-se às normas de conduta que orientam como um parlamentar – um vereador, por exemplo – deve se portar no exercício de seu mandato. Nesse contexto, a discussão na sessão desta quarta-feira, com ofensas e acusações, viola o que é estabelecido por essas normas e, portanto, pode resultar em punições para os vereadores.

“A Mesa Diretiva pode advertir o parlamentar, aplicar censura verbal ou escrita, ou encaminhar o caso à Comissão de Ética para instauração de processo disciplinar”, conta Muniz. Entre as penalidades possíveis estão a suspensão temporária do mandato e, em casos mais graves, a cassação. 

Além do aplicável dentro do Legislativo, o caso ainda pode escalar para uma disputa na Justiça, segundo o advogado, com processos por danos morais e crimes contra honra.

“Esse tipo de situação revela um problema que vai além do embate político: atinge diretamente a imagem da Câmara e, por consequência, a confiança da população na instituição.”

Para Virgínia Machado, que é professora de Direito Constitucional, é necessário, ainda, que haja uma avaliação do caso de acordo com o que é estipulado pelo Regimento Interno da Câmara de Mogi das Cruzes, além do que é determinado pela Lei Orgânica do Município.

“Você tem que fazer uma análise adequada à situação. É um comportamento esperado desse parlamentar? Não”, explica Virgínia, ressaltando que, no contexto em que há uma ofensa verbal ou física a outra pessoa, não é possível alegar, por exemplo, a imunidade parlamentar.

“Neste caso, a gente poderia falar de uma quebra de decoro parlamentar, mas é necessário que seja instaurado um processo de análise pela Câmara”.

O que diz a Câmara? 

Em nota, a Mesa Diretiva da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes informou que  deve encaminhar, até a próxima semana, um pedido de providências ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar em razão da discussão entre os vereadores Felipe Lintz (PL) e Rodrigo Romão (PCdoB), ocorrida em plenário durante a última Sessão Ordinária na quarta-feira (14/5). 

O objetivo, segundo o Legislativo, é investigar se houve eventual quebra do decoro parlamentar. O órgão, conforme informa a Câmara, é responsável por analisar denúncias e representações contra parlamentares, podendo determinar medidas como advertência, censura, perda temporária do mandato ou até mesmo a perda definitiva, em caso de violação ao Regimento Interno. 

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar é presidido pelo vereador Otto Rezende (PSD) e tem como membros os vereadores Iduigues Martins (PT) e Vitor Emori (PL).

Vale ressaltar que, ontem, durante a sessão, o vereador Farofa (PL) interviu na discussão e tentou acalmar os vereadores envolvidos no bate-boca. No plenário, ele descreveu a postura de Lintz e Romão como “lamentável” e destacou que a Câmara de Mogi nunca havia presenciado uma cena parecida.

Essa, entretanto, não seria a primeira vez que Lintz se envolve em discussões na Casa de Leis, em especial com os vereadores dos partidos de esquerda. Só em fevereiro, por exemplo, o vereador entrou em embates – mais e menos acalorados que o de ontem – em três sessões seguidas, nos dias 6, 13 e 20.

Na primeira vez, Lintz usou o plenário para criticar a moção de aplausos ao filme “Ainda Estou Aqui” pela sua vitória no Oscar 2025, sendo ele, inclusive, o único a votar contra a aprovação do texto.

Na sessão seguinte, no dia 13, a discussão que tomou conta do plenário teve um pouco mais de animosidade. Lintz e Iduigues (PT) trocaram farpas por conta de uma moção de aplauso aos 45 anos do Partido dos Trabalhadores. Lintz criticou a aprovação do texto, dizendo que “não havia nada para comemorar” no partido e, em retaliação, Iduigues chamou o colega de legislatura de “chupetinha”.

Na terceira ocasião, no dia 20, o assunto foi uma indicação assinada por Lintz que falava em “dissipar” uma ocupação na Vila São Francisco. O uso da palavra gerou uma tensão dentro do plenário, instaurando uma nova discussão entre Lintz e Iduigues, chegando ao ponto do presidente da Câmara precisar intervir para acalmar os ânimos dos parlamentares. A sessão terminou com o vereador retirando o texto.

O que dizem os vereadores?

Em nota, Rodrigo Romão afirmou que, o fato ocorrido ontem, não foi o primeiro. Disse, ainda, que é pautado pela ética e respeito.

Diante do fato ocorrido ontem na CMMC; e que não foi o primeiro, tenho a dizer que tenho me pautado pela ética e respeito, na defesa da população mogiana; principalmente às mais necessitadas e no combate às anomalias da nossa sociedade como o racismo, a misoginia e a homofobia.

Trabalho com dignidade desde meus 14 anos, hoje sou enfermeiro comprometido com as pautas da saúde. O lamentável fato ocorrido ontem não foi pontual, foge do meu controle; machuca, intimida e tenta diminuir meu papel de vereador. A luz das minhas bandeiras e o respeito ensinado por meus pais incomodam muita gente!, finaliza a nota.

Já o vereador Lintz, por sua vez, disse que participou de um “debate intenso” sobre o caso do INSS e que se sente no dever de denunciar práticas prejudiciais à nação. Entretanto, o vereador lamentou que a discussão tenha ultrapassado “os limites do respeito mútuo” e disse que reagiu “de forma proporcional, no calor do momento”.

“Reconheço que o tom da sessão poderia ter sido outro. A política deve ser o espaço do confronto de ideias, não de ataques pessoais. Não retiro minha crítica contundente à corrupção, nem minha defesa intransigente da moralidade pública. Mas lamento que o debate tenha descambado para o desrespeito.” 

Lintz concluiu dizendo que está “tranquilo” quanto à sua postura e que segue comprometido com “uma política limpa” e com a população de Mogi.

Mais noticias

Flamingos nascem rosa? Descubra 7 fatos curiosos sobre essas aves 

Itaquá Rodeio Fest altera lista de itens para troca solidária de ingressos

Rodovia Henrique Eroles terá desvio em Poá para execução das obras do Complexo Viário

Veja Também