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Silvio Marques, o mogiano que confia e protesta por Bolsonaro em Brasília

De Mogi das Cruzes, o mecânico e ativista social Silvio Aparecido Marques deixou São Paulo na noite de terça-feira (7), de ônibus, após o manifesto convocado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e chegou às 14 horas do dia seguinte em Brasília, onde acompanha os protestos por pautas antidemocráticas, como o impeachment de ministros do […]

Por O Diário
09/09/2021 16h56, Atualizado há 59 meses

De Mogi das Cruzes, o mecânico e ativista social Silvio Aparecido Marques deixou São Paulo na noite de terça-feira (7), de ônibus, após o manifesto convocado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e chegou às 14 horas do dia seguinte em Brasília, onde acompanha os protestos por pautas antidemocráticas, como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além do retorno do voto impresso.

Marques é bolsonarista surgido do Movimento Vem Pra Rua, com o qual ele se distanciou após divergências ideológicas, e fundou o Conservadores de Mogi das Cruzes.

Ele conta ter pago uma passagem de ônibus pelo valor de R$ 250, um valor simbólico, para participar, pela primeira vez, de um protesto dessa natureza na capital federal. “Vim outras vezes, como na luta contra o lixão, mas, dessa maneira, na rua, é a primeira vez”, conta, em uma conversa por telefone com a reportagem, interrompida por gritos de companheiros, avisando sobre a chegada de policiais.

Quando chegou, a promessa era de conseguir um lugar no acampamento com tendas já instalado nas proximidades da sede dos poderes federais. “Mas, não tinha mais lugar, fiquei na mão, e depois consegui um hotel, um quarto, para três”.

Na madrugada de ontem, ele conta que resistiu às tropas policiais, ao lado de “muitas outras pessoas” que “sentaram, ajoelharam, colocaram as mãos na cabeça e cantaram o hino nacional”.

Ficou nesse cabo de força até 4 horas da manhã, quando foi para o mencionado hotel, onde divide um quarto com três outras pessoas. 

Marques tinha planejado ficar em Brasília até domingo, quando esperava que a pauta do movimento já tivesse sido atendida. Agora, acredita que poderá ficar mais alguns dias.

Ele diz que acompanha as decisões tomadas pelos grupos seguidores de lideranças, como Zé Trovão, por vídeos e mensagens de WhatsApp.

É por esse meio de informação e atualização sobre o manifesto, que ele acredita que o presidente, embora tenha feito um vídeo, solicitando a desobstrução de estradas, “vai dar as respostas que o Brasil espera”. “Não somos nós, o Brasil quer o fim do STF e a volta da urna impressa”.

Segundo informa, os caminhoneiros e outros manifestantes estão aguardando, para os próximos dias, a posição das Forças Armadas, “que vão acolher o que o presidente quer. O presidente, não, o Brasil”.

Enquanto conversava com O Diário, um grupo de policiais se aproximava do local aonde ele estava. “Preciso gravar”, comentou, voltando, alguns momentos depois, para dizer “eles (os policiais) foram para um outro lado”.

Apesar de repetir que o protesto é pacífico, o mogiano admite que a pressão está aumentando. Ontem, lembrou, uma manifestante teve as duas pernas quebradas em um embate com as forças policiais que liberaram acessos que estavam fechados.

Marques não encontrou nenhum mogiano entre os manifestantes do pós-7 de setembro. 

Já sobre os demais participantes, desde o ônibus fretado na Capital, ele traça um perfil eclético. “Muitos são caminhoneiros, mas tem de tudo, gente do agronegócio, de empresas, gente do Mato Grsso, da Bahia, e, olha, agora, estão sendo chamados os motociclistas. Isso aqui não vai parar não”, promete.

Questionado se ainda confia no presidente Bolsonaro, mesmo após o vídeo em que a autoridade pede o fim do movimento, Marques é rápido. “Confio, ele fala, assim, é porque não pode dizer o que realmente está preparando. Até o presente momento, eu confio nele”.

Confia cegamente, mesmo diante das confirmações científicas contra plataformas lançadas pelo presidente desde o ano passado. Nas redes sociais, e em um protesto solitário, há alguns meses, ele sempre defendeu a cloroquina e rechaçava a vacina. 

Aos 57 anos, Marques foi candidato a vereador pelo PRTB. Obteve 260 votos na última campanha quando declarou possuir R$ 21,6 mil em bens, e projetou um gasto de R$ 243.096,63 (segundo o Tribunal Regional Eleitoral). 

Ele afirma que é mecânico, mas que atualmente não trabalha: “na verdade, eu estou lascado”.

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