Sindicato denuncia a defasagem de policiais civis na área da Seccional
A defasagem nos quadros da Polícia Civil paulista alcança também as unidades sob jurisdição da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes. Segundo o “Defasômetro”, ferramenta utilizada pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo para contabilizar perdas de pessoal na área de recursos humanos da corporação, o déficit de policiais na região […]
30/12/2022 12h50, Atualizado há 43 meses
A defasagem nos quadros da Polícia Civil paulista alcança também as unidades sob jurisdição da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes. Segundo o “Defasômetro”, ferramenta utilizada pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo para contabilizar perdas de pessoal na área de recursos humanos da corporação, o déficit de policiais na região do Alto Tietê, no mês de outubro passado, era de 302 pessoas em diferentes postos de trabalho.
O levantamento do Sindicato dos Delegados na região é feito a partir da comparação entre o número de ocupantes dos cargos previstos em lei (814) e os efetivamente ocupados (512).
O “Defasômetro” contabiliza cargos vagos na Polícia Civil desde o decreto 59.957/13, que reorganizou e concedeu novas denominações ao banco de cargos e às funções-atividades da administração direta e autárquica do Estado de São Paulo.
Segundo as informações da entidade, a maior defasagem na área da Seccional de Mogi é de escrivães de Polícia: 120 profissionais, já que das 266 vagas previstas, somente 112 estão ocupadas.
A diferença também é grande entre os agentes policiais, onde existem 101 cargos a serem preenchidos, resultado da diferença entre os 210 previstos em lei e os 109 cobertos.
No caso dos investigadores, há uma defasagem de 84 vagas, já que dos 266 cargos previstos pela legislação, 182 estão ocupados.
A defasagem de nove postos acontece entre os agentes de telecomunicações: dos 38 estabelecidos em lei, 29 encontram-se cobertos.
O levantamento também mostra que a região dispõe de seis cargos ocupados por papiloscopistas, enquanto a lei prevê somente quatro. Existem também 23 cargos ocupados por auxiliares de papiloscopistas, enquanto os postos previstos na legislação são de apenas 13.
Somente as vagas previstas para delegados, 51 no total, estão todas elas ocupadas por idêntico número de profissionais.
Impactos
A elevada defasagem nos quadros da Polícia Civil, em todo o Estado de São Paulo, segundo o Sindicato dos Delegados, impacta diretamente nas investigações de crimes, já que os policiais enfrentam sobrecarga de trabalho, enquanto a população “se sente cada vez mais insegura”.
Conforme a entidade, o déficit nos quadros das delegacias, por exemplo, atingiu um novo recorde no Estado, em novembro deste ano, com um total de 16.144 cargos vagos. Segundo o “Defasômetro”, atualmente, dos 41.912 cargos previstos para a Polícia Civil paulista, somente 25.763 estão ocupados, o que representa um déficit de 38,5%. Há cinco anos, quando essa diferença já era considerada alta demais, o índice era de 27,2%, segundo a presidente do Sindpesp, a delegada Jacqueline Valadares.
“A Polícia Civil do estado de São Paulo se depara, hoje, com um quadro assustador. São, afinal, 16 mil profissionais a menos, e isso traz reflexos diretos no serviço oferecido aos paulistas”, diz Jacqueline.
Conforme o Sindicato, a carreira com mais cargos vagos no estado de São Paulo, de acordo com o “Defasômetro”, é a de investigador (3.994), seguida da de escrivão (3.805). A função de agente policial (1.510) é a terceira com maior defasagem, quase empatando com as carreiras de delegado (958) e de agente de telecomunicações (953). O mais recente levantamento do Sindpesp foi tabulado no fim do mês passado.
A pesquisa mostra, ainda, que 98 policiais se desligaram das funções em novembro, em sua maior parte, por aposentadorias ou exonerações. No período, e a exemplo do que ocorre nos últimos anos, apesar da existência de candidatos aprovados em concursos para a Polícia Civil, não foram realizadas nomeações por parte do Estado para suprir a perda em Recursos Humanos.
“Nomeações imediatas e novos concursos têm de ser realizados com urgência, para recompor os quadros da Polícia Civil. E, não menos importante: é necessário ter um trabalho, uma reestruturação, que incentive este policial a permanecer na carreira. As desistências são, afinal, preocupantes. De toda maneira, o que os números nos mostram é que as saídas não são repostas. O que se espera é que este cenário de abandono das forças de segurança que presenciamos nas últimas décadas mude com o novo governo paulista”, pontua Jacqueline, se referindo à posse, neste domingo (1º), do governador eleito para a gestão 2023/2026, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos).