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NR-1 gera alerta: especialistas defendem políticas reais de saúde mental no trabalho

Para especialistas, embora o adiamento dê mais tempo para as empresas se adaptarem, o tema não pode ser deixado para depois

Por O Diário
21/05/2025 19h01, Atualizado há 11 meses

A entrada em vigor da nova versão da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que obriga as empresas a cuidarem também da saúde mental dos trabalhadores, foi oficialmente adiada para 25 de maio de 2026. A mudança foi determinada pela Portaria MTE nº 765, publicada no Diário Oficial da União em 16 de maio de 2025.

Mas, afinal, o que é a NR-1? Trata-se de uma norma do Ministério do Trabalho que define regras básicas de segurança e saúde no trabalho. Ela orienta como as empresas devem identificar e prevenir riscos que podem afetar a saúde dos trabalhadores.

A grande novidade é que, além dos riscos físicos, como acidentes, e ergonômicos, como má postura, agora será obrigatório também cuidar dos chamados riscos psicossociais, problemas que afetam a saúde emocional, como assédio moral, excesso de trabalho e estresse.

Para especialistas, embora o adiamento dê mais tempo para as empresas se adaptarem, o tema não pode ser deixado para depois. Daniela Garcia, CEO do Capitalismo Consciente Brasil, acredita que esse é o momento ideal para as organizações se transformarem de forma verdadeira.

“No pós-pandemia, cuidar da saúde mental se tornou obrigatório. A nova NR-1 oficializa a necessidade de ambientes emocionalmente seguros, reconhecendo o burnout como uma questão ocupacional e exigindo políticas concretas de bem-estar”, afirma.

Hugo Bethlem, presidente do Capitalismo Consciente Brasil – organização sem fins lucrativos que promove práticas de negócios mais humanas, éticas e sustentáveis por meio da capacitação de lideranças conscientes – destaca que a atualização da norma representa um marco importante no país.

“As empresas agora são obrigadas a mapear e atuar sobre fatores como assédio, sobrecarga, jornadas exaustivas e falta de reconhecimento. Não se trata apenas de cumprir a lei, mas de proteger sua reputação e sustentabilidade”, explica.

A principal recomendação dos especialistas é que o tema não seja tratado de maneira superficial. Segundo Daniela, cuidar da saúde mental deve ser uma prioridade estratégica, e não apenas uma obrigação legal.

“Toda liderança consciente precisa olhar para as pessoas com empatia, entendendo que elas carregam histórias e vivências diferentes. Essa é a base para garantir ambientes mais humanos, seguros e produtivos”, diz.

Bethlem reforça que a NR-1 não pode ser vista como um simples checklist. Quando aplicada com seriedade, ela pode ajudar a transformar a cultura organizacional e até se tornar uma vantagem competitiva, atraindo e retendo talentos, especialmente entre as novas gerações que valorizam empresas comprometidas com o bem-estar emocional.

Empresas que já investem em programas estruturados de saúde mental relatam melhorias no clima organizacional, mais engajamento e maior produtividade. Exemplos de ações eficazes incluem programas de apoio psicológico, jornadas flexíveis, capacitação em inteligência emocional e dinâmicas de desenvolvimento humano.

O Capitalismo Consciente defende que essa abordagem é fundamental para empresas que desejam crescer de forma sustentável e com propósito. “Empresas conscientes cuidam das pessoas para garantir ambientes seguros, inovadores e prósperos para todos”, concluem os porta-vozes.

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