Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

Governo aguarda votação no Senado antes de anunciar medidas para reduzir preço dos combustíveis

O governo federal aguarda a votação pelo Senado dos projetos que tratam do preço dos combustíveis antes de anunciar uma medida concreta para o setor. Essa estratégia, porém, pode arrastar para a semana que vem a definição das ações do governo, já que os senadores adiaram mais uma vez a votação das propostas. Enquanto isso, […]

Por O Diário
01/04/2022 18h02, Atualizado há 53 meses

O governo federal aguarda a votação pelo Senado dos projetos que tratam do preço dos combustíveis antes de anunciar uma medida concreta para o setor. Essa estratégia, porém, pode arrastar para a semana que vem a definição das ações do governo, já que os senadores adiaram mais uma vez a votação das propostas. Enquanto isso, a Petrobras segue pressionada a não reajustar os combustíveis, que já acumulam quase 60 dias com os preços represados, num momento em que o barril de petróleo disparou no mercado internacional.

Embora a maior parte dos ministros defendam a adoção de um subsídio para segurar os preços, essa estratégia ainda encontra resistências no Ministério da Economia.

O tema foi abordado em mais uma reunião no Palácio do Planalto para tratar dos preços dos combustíveis. O presidente Jair Bolsonaro discutiu o assunto com os ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira; da Economia, Paulo Guedes; de Minas e Energia, Bento Albuquerque; e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

O presidente chegou a cancelar uma viagem a Duque de Caxias — onde iria distribuir 2 mil aparelhos auditivos — para conduzir a reunião.O governo corre para tentar minimizar os estragos causados pela guerra na Ucrânia, que estão fazendo o barril de petróleo disparar, por conta das sanções aplicadas à Rússia pelo Ocidente.

Na reunião desta quarta-feira, o governo também cogitou outra alternativa, no lugar de apenas congelar o preço dos combustíveis praticados pela Petrobras: a estatal realizar reajustes escalonados. Ou seja, não repassar ao consumidor interno imediatamete as variações do barril de petróleo no mercado internacional, mas também não deixar um represamento por longo prazo.

A Petrobras reajusta seus preços seguindo a variação do dólar e o preço do barril de petróleo, política que está em xeque e é criticada por Bolsonaro e membros do Congresso Nacional. A revisão da política de preços da estatal deixou de ser tabu e já é discutida abertamente no governo.

A estatal não reajusta o preço dos combustíveis há mais de 50 dias e, na última alta, o barril de petróleo estava na casa de US$ 80. Agora o valor do barril supera US$ 120. Já há, portanto, um descasamento entre os preços do mercado internacional os valores cobrados na bomba.

É uma marca da gestão de Joaquim Silva e Luna à frente da Petrobras demorar mais para reajustas os combustíveis. Ele costuma aguardar para ter uma noção exata se o preço do barril de petróleo e o dólar mudaram no médio prazo ou sofreram apenas pela volatilidade do mercado.

Técnicos do governo lembram que o preço do petróleo oscilou mais de 10% só nesta semana, para cima e para baixo. Portanto, para o governo, não seria adequado, repassar toda e qualquer variação.

De toda forma, qualquer ação efetiva do governo em relação aos combustíveis só deve sair após a aprovação dos projetos no Senado.

Como é lá fora:   No mundo inteiro, países adotam medidas para conter alta da gasolina e do gás

O governo defende a aprovação de um projeto, chamado de PLP 11, que muda a forma como o ICMS é calculado. Hoje, o imposto estadual é fixado com base num percentual sobre o valor do combustível — quando o valor sobe, portanto, o ICMS também sobe. O projeto muda essa cobrança para um valor fixo em centavos.

Na prática, essa mudança irá reduzir o valor do ICMS, com impacto na bomba. A equipe econômica espera que as mudanças apresentadas no projeto represente um impacto de cerca de R$ 0,80 no litro da gasolina.

O texto também deve embutir a redução a zero dos impostos federais sobre o óleo diesel, com um pacto de cerca de R$ 0,70 na bomba. Essa desoneração, de R$ 18 bilhões, já estava sendo discutida no governo mesmo antes da crise na Ucrânia.

Além disso, um dos textos a ser votado pelo Senado deve dobrar o alcance do vale-gás, a um custo de R$ 1,9 bilhão. Hoje, o programa beneficia 5,5 milhões de famílias, e poderá alcançar 11 milhões.

Para auxiliares de Guedes, apenas se essas ações não surtirem efeito, é que outras medidas podem ser discutidas. Essa posição, porém, é minoritária. Diversos ministros do governo defendem a adoção de subsídios para segurar o preço.

Apenas segurar os preços via Petrobras, porém, pode não ser uma saída. Executivos do setor de distribuição e importação de combustíveis alertaram para o risco de desabastecimento, caso haja um descasamento entre os preços internos e o mercado internacional — já que a Petrobras responde por 80% do mercado nacional, e não pelo todo, como já ocorreu.

Segundo fontes do setor, a Petrobras também está aproveitando a crise causada pela guerra para diversificar a exportação e avalia alternativas para aumentar a venda de seu petróleo do pré-sal para a Europa. A estatal tem um volume excedente de 500 mil a 600 mil barris diários de petróleo.

Executivos do setor de petróleo ouvidos pelo GLOBO nesta semana alertaram para o risco de desabastecimento, especialmente do óleo diesel, caso o descasamento de preços continue.

Números que circularam nesta semana no Palácio do Planalto nesta segunda-feira apontam para um subsídio de três meses, que poderia custar cerca de R$ 25 bilhões, recursos necessários para manter o preço dos combustíveis no atual patamar. Para isso, seria necessário editar um crédito extraordinário, fora do teto de gastos (a regra que trava as despesas federais).

Mais noticias

Tem filé de frango em casa? Faça essa receita proteica com molho para o jantar

Aveia ajuda a emagrecer? Entenda como as fibras e a saciedade podem contribuir para o processo

O que assistir no Prime Video em setembro? Veja 5 filmes e séries para colocar na lista

Veja Também