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Jornalista Washington Novaes morre aos 86 anos

O jornalista Washington Novaes morreu na noite dessa segunda-feira, 24, em Aparecida de Goiânia (GO), aos 86 anos. Um dos pioneiros na cobertura de meio ambiente e povos indígenas no Brasil, Novaes não resistiu a complicações de uma cirurgia para a retirada de um tumor no intestino descoberto em março.“Eu e meus irmãos ficamos órfãos […]

25 de agosto de 2020

Reportagem de: O Diário

O jornalista Washington Novaes morreu na noite dessa segunda-feira, 24, em Aparecida de Goiânia (GO), aos 86 anos. Um dos pioneiros na cobertura de meio ambiente e povos indígenas no Brasil, Novaes não resistiu a complicações de uma cirurgia para a retirada de um tumor no intestino descoberto em março.“Eu e meus irmãos ficamos órfãos de um pai extremamente generoso, mas acho que também muita gente fica órfã de uma referência para o jornalismo brasileiro, um pioneiro do jornalismo ambiental que trouxe para a grande comunicação as pautas ambiental e da defesa dos povos indígenas”, disse ao Estadão o cineasta Pedro Novaes. “Espero que nesse momento trágico que a gente está vivendo em todos os sentidos – político, social, sanitário, ambiental e para os povos indígenas – que o exemplo dele possa, de alguma forma, guiar a gente um pouco nessa reconstrução do nosso País.”Novaes passou pelas principais redações do País, como O Estado de S. Paulo, Veja, Folha de S.Paulo e TV Globo, como editor do Jornal Nacional, Rede Bandeirantes e TV Cultura. No Estadão, publicou até 2018 artigos na seção Espaço Aberto. Em texto de outubro de 2018, com o título “O clima esquenta, a agropecuária sofre”, escreveu: “aquecimento global, atingindo todos os continentes, todos os países, todos os viventes, não é problema que possa ser enfrentado apenas sacudindo os ombros e seguindo em frente com um assovio. Os preços são altos. Por mais que os “céticos do clima” neguem os efeitos desastrosos, eles estão diante dos olhos de quem queira ver. E afetam o bolso dos produtores”.“Nas colunas do Estadão, ele vinha com essa assertividade na denúncia do que não remetia ao uso inteligente e da promoção de um desenvolvimento que, para ser de fato efetivo, precisa ser sustentável”, disse em vídeo publicado no Twitter o jornalista André Trigueiro, editor-chefe do programa Cidades e Soluções, da GloboNews. “O Brasil perdeu o mais importante pioneiro do jornalismo ambiental.”O jornalista Fernando Gabeira conversou com Novaes há cerca de duas semanas. “Ele costumava me enviar os artigos, e ultimamente escrevia muito sobre energia solar, entrava em detalhes, inclusive da própria indústria”, disse Gabeira, que destaca a profundidade com que o colega tratava dos temas que abordava. “Ele fazia muita pesquisa. Os artigos que escrevia eram realmente trabalhados, que acrescentavam muitos conhecimentos. Além do mais, era uma grande figura humana.”Novaes conquistou o Prêmio Esso Especial de Ecologia e Meio Ambiente, em 1992, por artigos sobre a Eco-92 publicados no Jornal do Brasil e a medalha de prata no festival de Cinema e TV de Nova York, em 1982, pela direção do documentário “Amazonas, a Pátria e a Água”, veiculado pelo Globo Repórter.Um dos trabalhos mais conhecidos do jornalista é a série documental “Xingu – A Terra Mágica”, que venceu premiações em Cuba e na Coreia do Sul, sendo selecionado para a Sala especial da Bienal de Veneza em 1986. Pioneiro no pagamento de direitos de imagens aos indígenas brasileiros, Novaes foi responsável por produzir cenas que deslumbraram o País. Foram dois meses de gravação em 1984, quando desbravou costumes e ajudou a criar celebridades internacionais, como o cacique Raoni. Mais de duas décadas depois, em 2006, o jornalista voltou ao local e, testemunha de mudanças, filmou cenas e personagens que havia encontrado antes para o documentário “Xingu, a Terra Ameaçada”.Novaes teve uma breve passagem em cargo público – ocupou, entre 1991 e 1992, a Secretaria de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Distrito Federal.Nascido em Vargem Grande do Sul (SP) em 3 de junho de 1934, Novaes morava em Goiânia. No Twitter, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), lamentou a morte: “perdemos uma referência no jornalismo ambiental”, disse.

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