Suposta foto de Maduro e monitoramento da fronteira brasileira: veja novas informações sobre ataque dos EUA à Venezuela
Imagem divulgada por Donald Trump mostra Maduro de óculos escuros e aparentemente algemado; ministro da Defesa afirma que fronteira do Brasil com a Venezuela está tranquila e aberta
03/01/2026 16h45, Atualizado há 3 dias
Suposta foto do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, publicada em rede social do presidente dos EUA | Foto: Reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou neste sábado (3) em uma rede social uma suposta foto do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmando que ele e a primeira-dama, Cilia Flores, teriam sido capturados por forças norte-americanas e retirados do país. Segundo Trump, o casal estaria sendo levado de navio para Nova York.
Na imagem divulgada, Maduro aparece usando um conjunto de moletom cinza, óculos escuros, segurando uma garrafa de água e aparentemente algemado, dentro de uma embarcação. A autenticidade da foto não foi confirmada de forma independente.
A publicação ocorre poucas horas depois de o governo dos Estados Unidos anunciar, na madrugada deste sábado, um ataque militar à Venezuela. A capital Caracas e outras cidades foram atingidas por ações aéreas e terrestres, segundo autoridades locais.
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Brasil acompanha situação e diz que fronteira está tranquila
Após os ataques, o governo brasileiro informou que a fronteira com a Venezuela, no estado de Roraima, permanece aberta, monitorada e sem registros de incidentes. Em entrevista neste sábado, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que não há informações sobre brasileiros feridos.
“A fronteira está absolutamente tranquila. Nós temos um contingente já há algum tempo lá de homens e equipamentos. Estamos aguardando os desdobramentos”, disse o ministro.
Segundo Múcio, o Brasil mantém cerca de 10 mil militares na região amazônica, sendo 2,3 mil em Roraima, e acompanha os acontecimentos diante do volume de informações desencontradas.
Reuniões de emergência em Brasília
O tema foi discutido em uma reunião de emergência no Itamaraty, em Brasília, da qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou por videoconferência. Um novo encontro foi marcado para o fim da tarde deste sábado.
Também participaram da reunião as ministras interinas das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, e da Casa Civil, Miriam Belchior, além do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que o presidente Lula condenou o ataque dos EUA à Venezuela e a suposta captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores.
A ministra interina Maria Laura da Rocha afirmou que o Brasil ainda não tem informações confirmadas sobre o paradeiro de Maduro, mas reforçou que a comunidade brasileira no país está em segurança.
“A comunidade brasileira está tranquila. Não há nenhuma ocorrência até o momento, e os turistas estão conseguindo sair normalmente”, disse.
Contexto histórico e acusações
A ofensiva norte-americana marca mais um episódio de intervenção direta dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão de um país da região ocorreu em 1989, no Panamá, quando tropas norte-americanas capturaram o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico.
Assim como no caso panamenho, o governo dos EUA acusa Maduro, sem apresentar provas, de liderar um suposto cartel venezuelano conhecido como “Cartel de los Soles” — cuja existência é questionada por especialistas em tráfico internacional de drogas.
Até recentemente, Washington oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano.
Para críticos da ação, o ataque tem motivações geopolíticas, incluindo o afastamento da Venezuela de aliados como China e Rússia e o controle sobre o petróleo do país, que possui as maiores reservas comprovadas do mundo.
*Com informações da Agência Brasil