Veja as respostas do Brasil à tarifa de Trump sobre exportações brasileiras
Em nota, o presidente Lula defendeu a soberania do Brasil, rebateu as justificativas de Trump e anunciou que o país responderá à medida com base na Lei de Reciprocidade Econômica
10/07/2025 12h12, Atualizado há 9 meses
Tânia Rego/Agência Brasil
O governo brasileiro reagiu à decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para o país. A medida, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, provocou forte reação diplomática e econômica.
Na noite de quarta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou uma nota oficial nas redes sociais. No texto, ele defendeu a soberania do Brasil, rebateu as justificativas de Trump e anunciou que o país responderá à medida com base na Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril deste ano.
- Assista conteúdos exclusivos de O Diário no TikTok
- Faça parte do canal de O Diário no WhatsApp
- Acompanhe O Diário no X e fique por dentro de tudo em tempo real.
A seguir, veja as respostas do Brasil diante da nova crise comercial com os EUA:
1. Brasil deve aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica
A principal reação do governo será o uso da nova legislação, que autoriza o país a adotar contramedidas sempre que outra nação ou bloco adotar medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade brasileira.
“Qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”, disse Lula.
“A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, completou.
2. Lula rebate crítica sobre liberdade de expressão
Trump também fez críticas ao STF e ao bloqueio de perfis ligados a seus apoiadores. Lula afirmou que, no Brasil, liberdade de expressão não se confunde com discurso de ódio.
“No contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática”, escreveu.
“Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira.”
3. Governo defende independência das instituições
O presidente brasileiro também reagiu às críticas de Trump sobre o processo judicial que envolve Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado. Lula reforçou que a Justiça brasileira atua com autonomia.
“O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de Estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais.”
4. Brasil rebate acusação de déficit comercial
Na carta enviada por Trump, o republicano alegou que os EUA têm um grande déficit comercial com o Brasil. Lula refutou a afirmação com dados oficiais.
“É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano. As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos.”
5. Articulação do governo e próximos passos
Antes de publicar a nota, Lula reuniu seus principais ministros em uma reunião de emergência no Palácio do Planalto. Participaram do encontro Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secom) e o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin.
O governo também avalia levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC) e ampliar o diálogo com parceiros estratégicos, como a União Europeia, China e países do Mercosul. Outro ponto discutido é a diversificação dos mercados de exportação, para reduzir a dependência em relação aos EUA.