Endocrinologista do Imot Care alerta para riscos de uso indiscriminado de hormônios
Doutor Frederico Godoi Cintra destaca que um corpo saudável já produz todos os hormônios que precisa, que o uso sem necessidade pode levar à morte
26/05/2026 06h43, Atualizado há 1 hora
Gabriel Ganley foi encontrado morto em casa, aos 22 anos | Reprodução

A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, acendeu um alerta sobre o uso recreativo de hormônios. Embora as causas oficiais da morte ainda não tenham sido divulgadas, foi constatado que o jovem apresentava o diagnóstico de miocardiopatia hipertrófica.
Ganley compartilhava abertamente em suas redes sociais a rotina de uso de substâncias, incluindo o uso de insulina, mesmo sem o diagnóstico de diabetes, comportamento que expõe uma realidade alarmante no cenário do alto rendimento e da busca pela estética imediata.
O organismo de uma pessoa saudável é perfeitamente regulado e produz todos os hormônios de que necessita. Na endocrinologia, o princípio fundamental é o equilíbrio. Introduzir hormônios em um corpo saudável quebra essa harmonia natural e traz riscos severos. Assim como qualquer medicamento, o uso hormonal só se justifica diante de uma deficiência comprovada por exames e interpretada por um especialista.
O uso da insulina por indivíduos saudáveis, por exemplo, é uma prática de risco extremo. Enquanto no paciente diabético ela regula a glicemia, em quem não tem a doença ela pode levar à hipoglicemia: uma queda na taxa do açúcar sanguíneo ocasionando sudorese, palpitações, perda da consciência e até mesmo o óbito.
Outro erro comum no uso de hormônios sintéticos, como anabolizantes, é focar apenas nos resultados visíveis. É verdade que essas substâncias estimulam a hipertrofia e fazem os músculos dos braços e das pernas crescerem. O que muitos esquecem, no entanto, é que o coração também é um músculo e pode responder da mesma forma, com aumento de volume e perda progressiva da sua função normal.
A longo prazo, o coração sofre o impacto direto do bombardeamento hormonal. O resultado é a hipertrofia cardíaca: o crescimento desproporcional do músculo do coração, que leva à insuficiência cardíaca, doenças isquêmicas, infartos e arritmias graves.
Para quem já iniciou o uso de hormônios ou anabolizantes sem prescrição e deseja interromper, o primeiro passo fundamental é buscar ajuda médica especializada. O uso prolongado dessas substâncias exógenas (vindas de fora) costuma “desligar” a produção natural do corpo, desregulando gravemente o eixo hormonal. Restabelecer esse equilíbrio exige um acompanhamento criterioso, individualizado e, frequentemente, multidisciplinar. O endocrinologista é o profissional capacitado para avaliar os danos e conduzir essa transição de maneira segura.
Todo e qualquer medicamento, hormonal ou não, precisa de indicação, dose correta e supervisão médica, já que pode apresentar contra indicações e efeitos adversos, mesmo no seu uso adequeado. Somente a orientação de um especialista é capaz de minimizar efeitos colaterais e garantir o que realmente importa: a manutenção do equilíbrio metabólico e a preservação da vida.