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Especialista explica riscos do PMMA para fins estéticos, proibido pelo Conselho Federal de Medicina

Segundo professora da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), resolução do CRM amplia restrições ao uso da substância; necrose, embolia e inflamações crônicas são algumas das complicações previstas

Por Especial AGFE
16/06/2026 16h36, Atualizado há 1 hora

Uso do polimetilmetacrilato fica totalmente proibido para procedimentos estéticos | Divulgação

O uso do polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos médicos com finalidades estéticas ou reparadoras está proibido em todo o Brasil pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da Resolução nº 2.461/2026, em vigor desde 2/6. De acordo com a nova norma, apenas o tratamento da lipodistrofia (perda ou redistribuição anormal de gordura corporal) em pacientes com HIV/Aids, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), será permitido, desde que siga protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde. Para a dermatologista e professora do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Denise Steiner, a questão envolvendo o produto já vem de longa data e a proibição é adequada.

“O PMMA é um material utilizado há anos como substância preenchedora permanente. No entanto, o histórico de complicações associadas ao produto motivou a ampliação das restrições. Trata-se de um componente plástico, uma forma de acrílico, que permanece definitivamente no organismo. Ao longo dos anos, foram identificadas diversas condições de risco relacionadas ao seu uso, especialmente em procedimentos estéticos, o que levou à sua proibição”, explica Denise, que é médica formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com residência de Dermatologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, doutora em Dermatologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professora titular da disciplina de Dermatologia da UMC e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD – 2013-2014).

A especialista chama a atenção que por se tratar de um material permanente, o organismo pode reagir à sua presença:

“Dependendo da resposta inflamatória desencadeada pelo organismo, o PMMA pode provocar alterações importantes nos tecidos. Entre os principais riscos estão necroses, infecções, oclusões vasculares e a formação de granulomas, que são reações inflamatórias crônicas causadas pela presença do material no corpo. Dependendo da gravidade, as complicações provocadas pelo uso inadequado do produto podem levar ao óbito, riscos esses que foram determinantes para a decisão do CFM”.

Denise Steiner é dermatologista e professora do curso de Medicina da UMC | Divulgação

O PMMA é considerado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como um produto de classe IV, categoria que representa o grau máximo de risco sanitário e que exige rigoroso controle para sua utilização. Apesar dessa classificação e do rigor exigido, nos últimos anos, ele ganhou notoriedade por ser utilizado de forma inadequada em procedimentos estéticos, principalmente para aumento de volume em regiões do corpo como os glúteos.

A docente da UMC ressalta que, para os pacientes, identificar a utilização do PMMA nem sempre é uma tarefa simples, especialmente pela falta de conhecimento técnico sobre os materiais empregados em procedimentos estéticos:

“O paciente deve sempre perguntar qual substância será utilizada e exigir informações claras sobre o procedimento. Produtos que prometem resultados permanentes ou de longa duração devem despertar atenção”, alerta.

Alternativas mais seguras
Com a proibição do polimetilmetacrilato para fins estéticos, Denise reforça a importância de optar por produtos devidamente aprovados para esse tipo de procedimento. Entre as alternativas consideradas mais seguras estão o ácido hialurônico, o ácido poli-L-lático, a hidroxiapatita de cálcio e a policaprolactona:

“O ácido hialurônico é um dos preenchedores mais utilizados atualmente por promover hidratação e estímulo dos tecidos. Também existem bioestimuladores aprovados no Brasil, como o ácido poli-L-lático, a hidroxiapatita de cálcio e a policaprolactona, que apresentam perfil de segurança mais adequado quando utilizados corretamente”, instrui a dermatologista.

Conheça mais da UMC, acesse o site da universidade.

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