Veterinária reforça a necessidade de cuidados preventivos com pets idosos
Especialista orienta sobre sinais do envelhecimento, alimentação adequada e a importância de consultas regulares para garantir qualidade de vida dos animais
11/07/2026 15h15, Atualizado há 1 hora
Thayná Neves Cardoso, médica-veterinária, especialista em Fisioterapia, Reabilitação e Acupuntura Veterinária e professora universitária | Foto: Divulgação
Falar sobre o envelhecimento dos animais de estimação ainda é um tabu para 50% dos tutores brasileiros, conforme revelou uma pesquisa de 2026 da Royal Canin conduzida pela Censuwide. Segundo Thayná Neves Cardoso, médica-veterinária e professora da Universidade Mogi das Cruzes (UMC), o cenário é preocupante, pois o envelhecimento não deve ser visto como o fim da vida, mas como uma fase que exige cuidados preventivos e específicos.
A pesquisa, que ouviu 1.000 tutores de cães e gatos brasileiros, mostra que essa dificuldade em lidar com o tema é emocional. Segundo os dados, 67% dos entrevistados afirmam que pensar na velhice do pet causa muita tristeza e 38,7% evitam enxergar o animal como idoso por considerá-lo parte da família.
No entanto, a veterinária destaca que a prevenção é a melhor aliada nessa fase. “Quanto mais cedo reconhecemos que o animal está envelhecendo, maiores são as chances de prevenir doenças, controlar a dor e manter qualidade de vida por muitos anos. Hoje, graças aos avanços da medicina veterinária, os cães e gatos vivem mais do que há algumas décadas […] Estudos da American Animal Hospital Association (AAHA) e da American Association of Feline Practitioners (AAFP) reforçam que consultas geriátricas periódicas aumentam a detecção precoce de doenças crônicas e melhoram o prognóstico dos pacientes idosos”, alerta Thayná.
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A docente reforça que o envelhecimento varia conforme a espécie, porte e genética. Em geral, cães de grande porte entram na fase sênior entre 6 e 7 anos, os de pequeno porte entre 8 e 10 anos, e os gatos a partir dos 11 anos. Ela ressalta que hábitos de vida e condições de saúde também influenciam nesse processo.
Os principais sinais de envelhecimento nos animais incluem dificuldade para levantar, redução das caminhadas, perda de massa muscular e rigidez após períodos de descanso. Também podem ocorrer alterações na audição e na visão, mudanças de comportamento, aumento do tempo de sono, além de emagrecimento ou ganho de peso e alterações urinárias e intestinais. A especialista ressalta, no entanto, que muitos desses sinais não são consequência natural da idade, mas podem indicar doenças tratáveis e, por isso, merecem atenção.
“Muitos tutores acreditam que é ‘normal da idade’ o animal parar de brincar, dormir mais, evitar subir escadas ou caminhar menos. Na verdade, esses comportamentos frequentemente indicam dor, principalmente causada pela osteoartrite. A dor crônica é extremamente subdiagnosticada em cães e, principalmente, em gatos. Um animal idoso não precisa sentir dor para envelhecer”, afirma Thayná.

Cuidados
Entre os cuidados citados pela veterinária nessa fase estão: consultas mais frequentes, controle do peso corporal, exercícios físicos compatíveis com a condição do animal e adaptações na casa para evitar escorregões e quedas. Thayná destaca ainda que é importante realizar o monitoramento da dor e o controle de doenças crônicas.
“Outro ponto muito importante é a fisioterapia e reabilitação veterinária. Assim como acontece na medicina humana, essas terapias ajudam a preservar massa muscular, melhorar equilíbrio, reduzir dores articulares e retardar a perda funcional. A acupuntura também possui evidências científicas demonstrando benefícios no controle da dor crônica e na melhora da mobilidade em pacientes idosos”, afirma a especialista.
Em relação à alimentação, a professora ressalta que, em muitos casos, é necessário alterar o tipo de ração. No entanto, ela reforça que qualquer mudança deve ser feita com orientação nutricional de um médico-veterinário.
“Com o envelhecimento ocorrem alterações no metabolismo, na digestão e na composição corporal. A alimentação deve ser individualizada conforme a condição clínica do animal. Alguns pacientes necessitam maior aporte proteico para preservar massa muscular, enquanto outros apresentam doenças renais, cardíacas ou hepáticas que exigem dietas específicas”, destaca.
Thayná ressalta ainda que é importante evitar excesso de petiscos, alimentos ricos em gordura e alimentos ultraprocessados destinados ao consumo humano. Além disso, ela destaca que alguns alimentos comuns na dieta das pessoas são tóxicos para os animais e não devem ser oferecidos, como uva, uva-passa, cebola, alho, chocolate e xilitol.
“O principal é compreender que envelhecer não significa sofrer. O objetivo da medicina veterinária moderna não é apenas aumentar a longevidade, mas garantir que o envelhecimento aconteça com conforto, autonomia e bem-estar”, finaliza a veterinária.