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Dia dos avós: geriatra explica que relembrar histórias estimula diferentes áreas do cérebro

"Recordar o passado ativa áreas relacionadas à memória, à linguarem, às emoções e ao raciocínio", afirma especialista

Por O Diário
26/07/2026 15h07, Atualizado há 0 horas

Dia dos avós: geriatra explica que relembrar histórias estimula diferentes áreas do cérebro | Foto: Divulgação

A geriatra da Hapvida, Mariana Queiroz Gaspar, afirmou que relembrar histórias vividas é um exercício para o cérebro e é capaz de aliviar a solidão, fortalecer vínculos e preservar memórias. A fala vem no Dia dos Avós, comemorado neste domingo (26).

De acordo com a especialista, cada história contada mobiliza diferentes áreas cognitivas. “Sempre digo que, quando um avô ou uma avó começa uma história com ‘No meu tempo…’, vale a pena parar e ouvir. Naquele momento, não está sendo compartilhada apenas uma lembrança, mas uma vida inteira de experiências. Recordar o passado ativa áreas relacionadas à memória, à linguagem, às emoções e ao raciocínio. Mas existe algo ainda mais importante: quando alguém escuta com interesse, a pessoa idosa percebe que sua história continua fazendo sentido. E sentir-se importante e lembrado também faz muito bem à saúde”, disse.

A médica explica que o benefício vai além da memória. “À medida que envelhecemos, o tempo parece passar mais devagar quando estamos sozinhos. Uma visita, uma ligação ou uma conversa sem pressa têm um valor imenso. Ouvir os ‘causos’, rir das histórias repetidas e demonstrar interesse faz o idoso sentir que continua ocupando um lugar especial na família. Esse sentimento reduz a solidão, melhora o humor, fortalece a autoestima e ajuda a proteger a saúde física e mental. Às vezes, o melhor remédio é simplesmente alguém dizer: ‘Conta essa história de novo, eu gosto de ouvir'”.

Além de recordar datas e acontecimentos, conversar sobre o passado também ajuda a preservar emoções, aprendizados e a identidade de uma família, algo que nenhuma foto consegue guardar.

Nos últimos anos, muitas famílias passaram a registrar em vídeos e áudios as histórias dos avós. E, para Mariana, a iniciativa vai muito além de criar um arquivo de lembranças. “As melhores perguntas são aquelas que demonstram interesse pela pessoa, e não apenas pelos fatos. Perguntar como foi a infância, qual foi o dia mais feliz da vida, quem foi o grande amor, do que sente mais orgulho ou que conselho gostaria de deixar para filhos e netos costuma despertar lembranças muito bonitas. Registrar essas histórias é um presente para toda a família. Um dia, essas vozes, essas risadas e esses ensinamentos se tornarão uma herança muito mais valiosa do que qualquer bem material”, orienta.

Lapsos X Alzheimer

Embora lapsos de memória façam parte do envelhecimento saudável, a geriatra explica que é importante saber diferenciar esquecimentos esperados daqueles que merecem investigação.

“É comum demorar um pouco mais para lembrar um nome e recordá-lo alguns minutos depois. O que não é esperado é quando os esquecimentos passam a comprometer a rotina, como repetir várias vezes a mesma pergunta, esquecer compromissos importantes, se perder em lugares conhecidos ou deixar de realizar atividades que sempre fez”, diferencia a médica.

Além da perda persistente de memória, mudanças de comportamento, dificuldade para administrar dinheiro ou medicamentos, confusão sobre datas e lugares, dificuldade para encontrar palavras e perda da autonomia também merecem atenção.

“Muitas famílias acreditam que isso faz parte da idade, mas envelhecer não significa perder a independência. Procurar ajuda precocemente é um gesto de carinho. Muitas causas de alteração da memória podem ser tratadas ou controladas quando identificadas cedo”, ressalta Mariana.

Convite

Para a geriatra, o Dia dos Avós deve servir como um convite para reflexão sobre o valor do tempo compartilhado. “O maior presente é algo que não cabe em uma caixa: presença. Os avós dificilmente vão se lembrar de quanto custou um presente, mas nunca esquecem um abraço apertado, uma tarde de conversa, um almoço em família ou um neto que largou o celular para simplesmente ouvi-los.”

A especialista conclui lembrando que a longevidade é construída muito além dos consultórios. “Como geriatra, aprendi que a longevidade não é feita apenas de remédios e exames. Ela também é construída com afeto, pertencimento e amor. Sentir-se lembrado, incluído e necessário faz bem para o coração, para a mente e para a alma.”

Cinco perguntas sugeridas pela geriatra para fazer aos avós:

Como era a sua infância e do que você mais sente saudade?;
Qual foi o dia mais feliz da sua vida?;
Quem foi o grande amor da sua história?;
Qual foi o maior desafio que você superou?;
Que conselho você gostaria de deixar para seus filhos e netos?

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