Mãe com câncer enfrenta gestação de risco e emociona ao dar à luz bebê prematura
História que viraliza nas redes sociais mostra desafios do diagnóstico oncológico durante a gravidez e destaca atuação integrada de equipe médica
23/04/2026 18h30, Atualizado há 1 hora
Parto de Elisflavia | Divulgação
A história da professora Elisflavia Rodrigues da Assunção Guimarães, de 37 anos, tem comovido milhares de pessoas nas redes sociais e chamado a atenção de especialistas da área da saúde. O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo que registra o nascimento da filha, Olívia, fruto de uma gestação considerada de alto risco, marcada pelo diagnóstico de câncer avançado no intestino com metástase nos ovários.
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A doença foi identificada durante o pré-natal, realizado pelo ginecologista obstetra Clayton Souza Fortunato Filho, no Hospital América. Desde os primeiros indícios, a situação exigiu decisões rápidas e atuação integrada entre diferentes especialidades médicas.
“Era uma gestação de alto risco, com hipertensão e diabetes gestacional. Por volta das 29 semanas, identificamos um aumento importante do volume abdominal e cistos ovarianos volumosos. Solicitamos exames mais detalhados, que revelaram um tumor de sigmoide com metástases ovarianas, caracterizando um câncer já em estágio avançado”, explica o médico.
Após a confirmação do diagnóstico, Elisflavia passou a ser acompanhada também por uma equipe oncológica. Inicialmente, a conduta médica era prolongar a gestação até, pelo menos, 34 semanas, para oferecer mais segurança ao bebê antes do início do tratamento contra o câncer. No entanto, o agravamento do quadro clínico da paciente mudou os planos.
“Ela apresentou piora significativa, com dificuldade para se alimentar, acúmulo de líquido abdominal (ascite) e necessidade de procedimentos de alívio. Diante desse cenário, discutimos o caso com oncologistas e a gestão nacional, e optamos pela realização antecipada do parto, com 31 semanas e 3 dias”, detalha o obstetra.
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A cesariana foi considerada de alta complexidade e exigiu uma grande mobilização dentro do hospital. A equipe contou com cirurgião oncológico, estrutura de UTI materna e neonatal, além de todos os cuidados necessários para o nascimento prematuro, como medidas de maturação pulmonar e neuroproteção.
“Era uma cirurgia desafiadora. Montamos uma equipe com cirurgião oncológico, garantimos UTI materna e neonatal, além de todo preparo prévio para o nascimento da bebê, como maturação pulmonar e neuroproteção”, afirma Clayton.
O procedimento ocorreu com sucesso. Durante a cirurgia, além do nascimento de Olívia, os médicos conseguiram realizar uma redução parcial da massa tumoral, contribuindo para o tratamento da paciente.

Enquanto a equipe lidava com decisões complexas, Elisflavia enfrentava um intenso turbilhão emocional, marcado por medo e esperança, sempre com o foco voltado para a filha.
“No início, foi muito difícil, muita aflição e angústia. A incerteza era grande, mas minha maior preocupação sempre foi a Olívia. Eu só pensava nela o tempo todo”, relata.
Ela lembra que o momento da confirmação do diagnóstico foi especialmente delicado para a família.
“Não foi fácil entender o que estava acontecendo até termos a confirmação. Foi muito complicado”.
Mesmo diante dos riscos envolvidos, como hemorragias, necessidade de intubação e até a possibilidade de não sobreviver, Elisflavia diz que se manteve serena antes do parto.
“Eu não sabia de tudo que poderia acontecer, e hoje vejo que isso foi até melhor. Evitou mais ansiedade. Todos dizem que eu estava muito tranquila, e realmente estava. Eu confiava muito em Deus e na equipe médica”, afirma.
A confiança nos profissionais foi essencial durante todo o processo.
“O Clayton foi um anjo na minha vida. Desde o início transmitiu muita segurança. Depois da descoberta, ele e os oncologistas continuam me dando essa tranquilidade. No dia do parto, eu percebi toda a mobilização do hospital e fiquei em paz”.
Além da estrutura técnica, o atendimento também contou com suporte emocional. Psicólogas obstétricas acompanharam a paciente e sua família, e uma fotógrafa voluntária registrou o nascimento de Olívia.
“Foi tudo muito humano. Desde a hora que cheguei até hoje, me sinto acolhida. As pessoas me abraçam, me dão força. Isso não tem preço”, diz.
Olívia nasceu prematura, mas apresentou boa evolução clínica. Após um período na UTI neonatal, a bebê ganhou peso, evoluiu conforme o esperado e já recebeu alta hospitalar. “Ela está bem, perfeita”, conta a mãe.
Nos dias seguintes ao parto, Elisflavia também apresentou melhora, o que trouxe ainda mais esperança à família.
Para o obstetra, o caso reforça a importância do pré-natal rigoroso e da atuação conjunta entre diferentes áreas da medicina.
“Situações como essa mostram como o diagnóstico precoce e o trabalho em equipe são fundamentais para salvar vidas, tanto da mãe quanto do bebê”.