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4 principais causas da mortalidade materna

A morte materna, que ocorre durante a gestação, parto ou até 42 dias após o nascimento do bebê, é um sério problema de saúde pública. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), todos os dias, aproximadamente 830 mulheres morrem de causas evitáveis relacionadas à gravidez e ao parto em todo o mundo. No […]

23 de maio de 2024

Reportagem de: Edicase Conteúdo

A morte materna, que ocorre durante a gestação, parto ou até 42 dias após o nascimento do bebê, é um sério problema de saúde pública. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), todos os dias, aproximadamente 830 mulheres morrem de causas evitáveis relacionadas à gravidez e ao parto em todo o mundo. No Brasil, em 2022, a taxa de mortalidade materna voltou aos patamares pré-pandemia, com índice de 57 mortes a cada 100 mil nascidos vivos.

As principais causas de óbitos entre gestantes no país são a hipertensão gestacional (pré-eclâmpsia), hemorragias pós-parto (com destaque para a atonia uterina), infecções puerperais e tromboembolismo. “Entender cada uma dessas condições, saber como preveni-las e ter acesso às opções de tratamento mais modernos e eficientes são alguns pontos fundamentais para melhorar essas estatísticas e salvar vidas, já que muitas dessas mortes são evitáveis”, alerta Fabiana Ruas, ginecologista obstetra e coordenadora da Maternidade do Hospital São Luiz Anália Franco, na zona Leste de São Paulo.

1. Pré-eclâmpsia

Historicamente, a pré-eclâmpsia é a principal causa de morte materna no mundo. Caracterizada pela elevação da pressão arterial durante a gravidez, a doença pode ser identificada precocemente durante a realização do pré-natal, por meio da aferição da pressão e avaliação durante as consultas.

Entre os principais sintomas estão dor de cabeça, dor na boca do estômago, alterações na visão e inchaço dos membros inferiores. “Garantir um pré-natal regular e adequado para todas as gestantes, identificar mulheres com maior risco (histórico de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, diabetes, obesidade, gravidez múltipla, entre outros), recomendar aspirina em baixa dose a partir do segundo trimestre para aquelas com risco elevado, uso de medicamentos anti-hipertensivos específicos para gestantes e o monitoramento da pressão arterial têm sido fundamentais para a redução das complicações relacionadas à pré-eclâmpsia”, comenta Dra. Fabiana Ruas.

Como prevenção é essencial adotar hábitos saudáveis durante a gestação, com alimentação balanceada e prática de exercícios físicos.

Médica e gestante sentadas conversando
O cuidado médico durante e após a gestação são importantes para a saúde da mulher (Imagem: Dragana Gordic | Shutterstock)

2. Hemorragia pós-parto

Dados do Ministério da Saúde apontam que a hemorragia pós-parto (HPP) é a segunda causa de morte materna no Brasil. Ela ocorre quando há uma perda de sangue de 500ml ou mais nas 24 horas seguintes ao parto. “A principal causa de HPP é a atonia uterina, em que o útero não se contrai após o nascimento do bebê, podendo trazer grandes riscos para a mãe, como a necessidade de transfusão sanguínea, retirada do útero e até a morte”, explica a ginecologista obstetra.

No processo gestacional, o útero concentra uma grande quantidade de sangue. Ao retirar a placenta, a contração do órgão é responsável por “fechar” os vasos sanguíneos e iniciar a coagulação. “No entanto, se isso não acontece corretamente, pode levar a um sangramento excessivo”, ressalta a médica. 

Prevenção e tratamento para a condição

A prevenção e tratamento da atonia uterina foram significativamente aprimorados com o desenvolvimento de novos medicamentos, tecnologias, técnicas de manejo durante o parto, protocolos de atendimento e capacitação das equipes assistenciais.

“A principal novidade para tratamento da atonia uterina é o Sistema JADA, indicado para casos em que a medicação não surte o efeito desejado. Ele é aplicado facilmente por meio vaginal e conectado a um aspirador a vácuo, responsável por criar pressão negativa dentro do útero, reproduzindo o mecanismo fisiológico de contração e auxiliando no controle do sangramento anormal”, explica a Dra. Fabiana Ruas.

3. Infecções puerperais e tromboembolismo

Essas infecções bacterianas ocorrem no trato reprodutivo da mulher após o parto. Elas podem se desenvolver devido à introdução de bactérias durante o parto ou procedimentos médicos, bem como a ruptura prolongada das membranas amnióticas, hemorragias ou retenção de fragmentos placentários. Se não tratadas prontamente, podem levar à septicemia, uma infecção generalizada que compromete múltiplos órgãos e pode ser fatal. A prevenção inclui práticas de higiene rigorosas durante o parto, o uso cuidadoso de antibióticos e o monitoramento cuidadoso da mãe no período pós-parto para identificar e tratar precocemente qualquer sinal de infecção.

4. Tromboembolismo

O tromboembolismo é uma condição grave que pode levar à morte materna durante a gravidez ou no período pós-parto. Ela ocorre quando um coágulo de sangue (trombo) se forma em uma veia, frequentemente nas pernas ou na pelve, e depois se desloca para outra parte do corpo por meio da corrente sanguínea. Se o coágulo viaja até os pulmões, resulta em uma embolia pulmonar, que pode ser fatal se não tratada rapidamente.

Durante a gravidez, o risco de tromboembolismo aumenta devido a mudanças hormonais e ao aumento da pressão sobre as veias pélvicas e das pernas, especialmente no terceiro trimestre e no período pós-parto imediato. Prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado do tromboembolismo são cruciais para reduzir a mortalidade materna associada a esta condição.

Condições que podem ser evitadas

São doenças que podem ser detectadas e tratadas precocemente por meio das consultas pré-natais regulares, que também fornecem um espaço para a orientação sobre cuidados com a saúde da mãe e do bebê.

“A maioria das mortes maternas são evitáveis; por isso, é essencial a conscientização sobre a importância de realizar corretamente o pré-natal, já desde a descoberta e início da gestação. Identificar doenças e fatores de risco de forma precoce também permite o planejamento necessário para realização de um parto seguro”, orienta a coordenadora da Maternidade do Hospital São Luiz Anália Franco.

Por Samara Meni

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