Além do sabor: como o som e a crocância dos alimentos ajudam a combater a seletividade infantil
A hora da refeição é, muitas vezes, um campo de batalha para pais e mães que enfrentam a seletividade alimentar dos filhos. No entanto, a aceitação de um novo ingrediente vai muito além do paladar: a aparência, o tato e até o som produzido na mastigação desempenham um papel importante na construção dos hábitos das […]
03/07/2026 15h02, Atualizado há 1 hora
A hora da refeição é, muitas vezes, um campo de batalha para pais e mães que enfrentam a seletividade alimentar dos filhos. No entanto, a aceitação de um novo ingrediente vai muito além do paladar: a aparência, o tato e até o som produzido na mastigação desempenham um papel importante na construção dos hábitos das crianças.
Um famoso estudo conduzido na Universidade de Oxford, chamado “The Role of Auditory Cues in Modulating the Perceived Crispness and Staleness of Potato Chips”, publicado no periódico científico Journal of Sensory Studies, comprovou que o som da mordida modifica diretamente a percepção de frescor e crocância dos alimentos. Isso mostra que a experiência de comer é o resultado da integração de todos os nossos sentidos.
Na rotina das famílias, alimentos crocantes e com texturas diferentes funcionam como uma excelente ferramenta estratégica para tornar o prato mais atraente. “A percepção dos alimentos não depende apenas do sabor. Características como textura, aparência e até o som produzido durante a mastigação participam ativamente da experiência alimentar”, explica a nutricionista da Papapá, Carolina Donan.
Nesse contexto, a crocância estimula uma relação mais positiva com os alimentos. “A crocância chama a atenção porque combina estímulos táteis e auditivos que tornam o momento de comer muito mais envolvente e divertido para os pequenos”, acrescenta.
O papel das texturas no desenvolvimento do seu filho
Variar a consistência do que é oferecido não serve apenas para driblar a recusa alimentar, mas também é uma recomendação das principais diretrizes de saúde do país, como o “Guia Alimentar para a População Brasileira”, do Ministério da Saúde.
A oferta progressiva de alimentos com texturas firmes e aeradas favorece o desenvolvimento das habilidades orais, ajuda a fortalecer a musculatura da mastigação e prepara a criança para uma boa aceitação alimentar ao longo de toda a infância.

Como introduzir alimentos na primeira infância
Para auxiliar os pais e responsáveis a conduzirem a fase de introdução alimentar com mais leveza, a especialista separou 3 dicas práticas para aplicar no dia a dia:
1. Aposte no fator diversão
Alimentos em formatos alongados (estilo palitinhos) ou que façam um som divertido ao morder despertam a curiosidade natural da criança, tirando o peso da obrigação de comer.
2. Priorize listas de ingredientes limpas (clean label)
Na hora de buscar lanches práticos para o dia a dia, leia os rótulos. Opte por opções sem açúcar adicionado, corantes ou conservantes artificiais, garantindo uma introdução alimentar segura.
3. Tenha paciência e constância
A exposição frequente e a familiaridade com as diferentes apresentações no prato são mais importantes do que a aceitação imediata. O aprendizado é gradual.
“Quando a criança tem oportunidades reais de explorar diferentes sabores, aromas e texturas em um ambiente positivo e sem pressões, ela amplia seu repertório e desenvolve uma relação saudável com a comida a longo prazo”, finaliza Carolina Donan.
Por Sarah Corazza