Câncer de ovário: conheça as causas, os sintomas e como diminuir os riscos
No Dia Mundial do Câncer de Ovário, celebrado em 08 de maio, a atenção se volta para um dos tipos de tumor ginecológico mais desafiadores quando se trata de diagnóstico precoce. Silencioso em suas fases iniciais, ele costuma evoluir sem sinais claros, o que faz com que muitos casos sejam descobertos já em estágios mais […]
08/05/2026 12h01, Atualizado há 1 hora
No Dia Mundial do Câncer de Ovário, celebrado em 08 de maio, a atenção se volta para um dos tipos de tumor ginecológico mais desafiadores quando se trata de diagnóstico precoce. Silencioso em suas fases iniciais, ele costuma evoluir sem sinais claros, o que faz com que muitos casos sejam descobertos já em estágios mais avançados, muitas vezes a partir de manifestações relacionadas a metástases.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), para o triênio 2026-2028, o cenário no Brasil é preocupante, já que são esperados cerca de 8.020 novos casos de câncer no ovário para cada ano do triênio.
Causas do câncer de ovário
Embora represente menos de 5% dos tumores ginecológicos malignos, o câncer de ovário é considerado o tipo mais agressivo. A doença ocorre quando células da região dos ovários passam a se multiplicar de forma desordenada, formando tumores. Diferentemente de condições infecciosas, ela não se “contrai”, mas se desenvolve a partir de alterações genéticas, que podem ser espontâneas ou hereditárias.
Alguns fatores estão associados a um maior risco de câncer de ovário, como histórico familiar de câncer de ovário ou de mama, idade (mais comum após os 50 anos), não ter tido filhos, menarca precoce e menopausa tardia. Por outro lado, condições como o uso prolongado de anticoncepcionais, gestação e amamentação podem ter efeito protetor.
Reduzindo o risco de câncer de ovário
Em alguns casos, a retirada das trompas pode ajudar na prevenção da doença. “Hoje sabemos que os tipos mais frequentes são os tumores epiteliais, e há evidências de que muitos deles se originam nas trompas. Por isso, estratégias como a retirada das trompas durante procedimentos como a laqueadura podem ter um papel preventivo em casos selecionados”, explica a Dra. Madalena Oliveira, professora da pós-graduação em Ginecologia da Afya Vitória.
A médica pontua que, atualmente, existem testes genéticos que permitem identificar mutações associadas a um risco elevado de desenvolvimento da doença. “Pacientes com histórico familiar importante, tanto de câncer de mama quanto de ovário, podem ser submetidas à pesquisa dessas mutações. Em alguns casos selecionados, isso permite até a indicação de cirurgias profiláticas, como a retirada dos ovários, como forma de reduzir significativamente o risco”, acrescenta.
Sintomas silenciosos e dificuldade no diagnóstico
Um dos grandes desafios é que os sintomas iniciais do câncer de ovário são inespecíficos e facilmente confundidos com condições comuns do dia a dia. Entre os principais, estão inchaço abdominal persistente, dor ou desconforto na região pélvica, sensação de saciedade precoce e alterações intestinais. “A ausência de sintomas claros no início faz com que muitas mulheres só procurem ajuda quando a doença já está em estágio mais avançado”, destaca a Dra. Madalena Oliveira.
Outro ponto crítico é a ausência de métodos eficazes de rastreamento populacional. “Diferentemente de outros cânceres, não existe um exame capaz de rastrear o câncer de ovário de forma eficiente. Nem ultrassonografia nem marcadores tumorais são indicados como rastreio na população geral”, explica.

Tratamento e importância do acompanhamento contínuo
O tratamento do câncer de ovário depende do estágio da doença e das características do tumor, mas, na maioria dos casos, envolve cirurgia para retirada, associada a terapias complementares como quimioterapia e, em situações específicas, radioterapia ou terapias-alvo. Quando diagnosticado precocemente, as chances de sucesso aumentam de forma significativa.
No entanto, justamente pela dificuldade de detecção precoce, o cuidado contínuo com a saúde torna-se ainda mais relevante. “Não existe uma forma garantida de prevenir o câncer de ovário, mas o acompanhamento ginecológico regular permite identificar alterações o mais cedo possível. Conhecer o próprio corpo e valorizar sintomas persistentes fazem toda a diferença”, explica a Dra. Madalena Oliveira.
Reduzindo os riscos relacionados ao câncer de ovário
Apesar de não haver uma prevenção absoluta, algumas estratégias podem contribuir para o diagnóstico mais precoce e para a redução de riscos do câncer de ovário:
- Manter o acompanhamento ginecológico regular, mesmo na ausência de sintomas;
- Realizar exames clínicos de rotina, fundamentais para avaliação contínua;
- Valorizar sintomas persistentes e procurar investigação médica adequada;
- Realizar exames complementares, como ultrassonografia transvaginal, quando houver indicação clínica;
- Avaliar marcadores tumorais em casos específicos, especialmente em mulheres de maior risco;
- Informar o médico sobre histórico familiar de câncer, permitindo uma estratégia individualizada, incluindo, quando indicado, a avaliação genética.
Por Beatriz Felicio