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Criança pode fazer skincare? Entenda os riscos dos cosméticos para a pele infantil

A expansão do mercado de cosméticos voltados ao público infantil e o crescimento de vídeos nas redes sociais mostrando rotinas de beleza para crianças e adolescentes acenderam um alerta entre profissionais da saúde. Dados da consultoria The Benchmarking Company revelam que 69% das meninas e 50% dos meninos com menos de 10 anos já demonstram interesse […]

Por Edicase Conteúdo
21/08/2026 13h02, Atualizado há 0 horas

A expansão do mercado de cosméticos voltados ao público infantil e o crescimento de vídeos nas redes sociais mostrando rotinas de beleza para crianças e adolescentes acenderam um alerta entre profissionais da saúde. Dados da consultoria The Benchmarking Company revelam que 69% das meninas e 50% dos meninos com menos de 10 anos já demonstram interesse por esses produtos. No entanto, esse fenômeno pode trazer riscos à saúde física e emocional na infância.

Entre os fatores que contribuem para isso, estão o desejo de imitação dos adultos, a busca por pertencimento e tendências globais que levam muitas crianças brasileiras a utilizar cosméticos precocemente e sem necessidade clínica.

“A fisiologia infantil exige proteção, não intervenção. A dermatologia mostra que a pele da criança produz pouco sebo, é fina, sensível e vulnerável. Por ser muito permeável, não deve receber fórmulas agressivas que comprometam seu equilíbrio natural”, explica Andressa Vitória Tonete, coordenadora do curso de Estética e Cosmética do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR).

Danos à pele e à saúde mental

Ao contrário do que sugerem vídeos na internet, as características biológicas da criança dispensam rituais complexos. Até os 12 anos, a barreira cutânea e a imunidade da pele estão em formação. A aplicação de ativos comuns em fórmulas para adultos, como ácidos esfoliantes, retinol e agentes clareadores, pode penetrar profundamente na epiderme infantil, causando:

  • Sensibilização severa e irritação cutânea;
  • Queimaduras químicas e dermatites de contato;
  • Risco de infecções e intoxicação por absorção ou ingestão acidental.

Além dos danos dermatológicos, a saúde mental é afetada. A cobrança precoce por padrões estéticos pode levar a quadros de ansiedade, insatisfação corporal, depressão e aumento do risco de transtornos alimentares na adolescência.

Criança com cabelo liso, usando faixa de cabelo branca e camisa branca, sentada passando creme no rosto em frente ao espelho
As redes sociais transformam tendências de beleza em hábitos que podem influenciar o consumo infantil (Imagem: Fotomoment001 | Shutterstock)

Do comportamento à comercialização

Segundo Andressa Vitória Tonete, que também é especialista em Estética Avançada e Saúde Pública, imitar os pais é um processo natural do desenvolvimento. No entanto, esse hábito adquiriu apelo mercadológico com a massificação das mídias digitais.

“Ao buscarem aceitação social, as crianças passam a reproduzir padrões exibidos por influenciadores. A popularidade da estética coreana, por exemplo, impulsionou o consumo de dermocosméticos sem orientação clínica”, ressalta.

A especialista também chama atenção para os efeitos da monetização desse tipo de conteúdo. “Soma-se a isso a monetização digital: pré-adolescentes produzem conteúdos em busca de engajamento e renda. Essa exposição contínua estimula o consumo entre os pares, transformando uma brincadeira inofensiva em um mercado altamente lucrativo e descontrolado”, aponta Andressa Vitória Tonete.

Legislação e ética

A publicidade de produtos direcionada a menores de 12 anos é considerada abusiva pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pelo Código de Defesa do Consumidor e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. “Contudo, marcas burlam a regra usando influenciadores mirins para promover maquiagens, sabonetes, hidratantes, perfumes, e isso é perigoso”, salienta Andressa Vitória Tonete.

Guia prático de cuidados com a pele por idade

Para orientar as famílias e prevenir complicações, a especialista sugere manter a rotina dermatológica o mais simples possível:

  • Até os 6 anos: higienização pontual com sabonete suave/hipoalergênico e protetor solar infantil. Ácidos, fragrâncias sintéticas ou esfoliantes são proibidos;
  • De 6 a 12 anos: rotina restrita a três passos: limpeza suave, hidratação neutra e proteção solar infantil. Novos produtos exigem avaliação médica;
  • A partir dos 12 anos: com a puberdade, o skincare pode incluir itens específicos, como controle de oleosidade, desde que prescritos por pediatra ou dermatologista e acompanhados pelos pais.

Por Marlise Groth 

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