Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

Nem todo ovo marrom é caipira: saiba o que está por trás dessa denominação

Fonte de proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais, o ovo ocupa cada vez mais espaço na alimentação dos brasileiros. A produção do alimento acompanha esse movimento: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil chegou a 4,953 bilhões de dúzias em 2025. Em meio a essa oferta crescente, um segmento […]

Por Edicase Conteúdo
28/09/2026 18h02, Atualizado há 1 hora

Fonte de proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais, o ovo ocupa cada vez mais espaço na alimentação dos brasileiros. A produção do alimento acompanha esse movimento: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil chegou a 4,953 bilhões de dúzias em 2025.

Em meio a essa oferta crescente, um segmento também chama a atenção nas gôndolas do supermercado: o dos ovos caipiras. Associados por muitos consumidores à criação das galinhas em ambientes mais livres e até a diferenças de sabor, eles seguem regras específicas de produção. Mas nem todo ovo marrom é caipira — e nem toda galinha criada fora de gaiolas produz um ovo que pode receber essa denominação.

Do ponto de vista nutricional, é importante desfazer uma possível confusão. O ovo caipira e o convencional têm valores nutricionais semelhantes. A principal diferença entre eles está no sistema de produção, e não em uma superioridade nutricional do caipira.

O sabor também pode entrar nessa escolha. Características relacionadas à alimentação das aves e ao sistema de criação podem influenciar aspectos sensoriais do produto, e há consumidores que percebem o ovo caipira como mais saboroso.

Afinal, o que faz um ovo ser caipira?

A resposta está principalmente na granja, e não na aparência do produto. A ABNT NBR 16437:2016, que trata da produção, classificação e identificação do ovo caipira, estabelece critérios específicos. O sistema prevê, entre outros requisitos, que as aves tenham acesso a áreas de pastejo em sistema semiextensivo: um modelo de criação que une a liberdade de ciscar no pasto com a alimentação balanceada na ração.

A norma também estabelece condições relacionadas à alimentação, como a não utilização, via ração, de melhoradores de desempenho e anticoccidianos profiláticos. Os melhoradores de desempenho são antibióticos adicionados à ração para acelerar o crescimento das aves, enquanto os anticoccidianos profiláticos são remédios dados de forma preventiva para evitar doenças intestinais.

Como a ave não recebe antibióticos promotores de crescimento nem preventivos químicos na ração, o risco de o consumidor ingerir vestígios dessas substâncias por meio do ovo é eliminado. Isso atende a quem busca um alimento mais “limpo” e natural. Por isso, a cor da casca não permite identificar um ovo caipira. Ela está relacionada principalmente à genética da ave. Um ovo marrom pode ter sido produzido em diferentes sistemas.

Também existe diferença entre ovo caipira e ovo de galinha livre de gaiolas. Enquanto o ovo livre de gaiolas (cage-free) garante apenas que as aves não ficam presas em celas e vivam soltas dentro de um galpão, o ovo caipira vai além, exigindo obrigatoriamente que as galinhas tenham acesso diário a piquetes externos com área verde e luz solar, além de seguirem regras rígidas de alimentação sem aditivos químicos.

“Quando o consumidor escolhe um ovo caipira, não está escolhendo um alimento nutricionalmente melhor, mas um produto proveniente de um sistema de criação com características específicas. E essas características não podem ser identificadas simplesmente olhando para o ovo”, afirma Flávia Fontes, CEO da FairFood, que possui um protocolo específico para a certificação de ovos caipiras.

Mulher adulta, de cabelos longos, lisos e castanhos, usando uma camiseta azul-clara de mangas curtas. Ela carrega uma sacola branca no ombro e segura uma embalagem de ovos enquanto faz compras em um supermercado. Com cesta de mercado amarelo no braço. Ao fundo, há prateleiras e refrigeradores com produtos.
O rótulo ajuda a verificar as características declaradas do produto (Imagem: Tony Thiethoaly | Shutterstock)

Se não dá para ver, como saber se é realmente caipira?

Na gôndola do supermercado, não é possível saber se as galinhas tiveram efetivamente acesso à área externa, como foram manejadas e alimentadas, ou se as condições previstas para aquele sistema são mantidas ao longo do tempo. 

É nesse ponto que entra a certificação. Auditorias independentes verificam as condições de produção, os controles adotados e a rastreabilidade, permitindo comprovar que os critérios estabelecidos para o sistema caipira estão sendo cumpridos.

“A certificação transforma características que o consumidor não consegue enxergar em critérios verificáveis. É uma forma de comprovar que aquilo que está sendo informado na embalagem corresponde ao que acontece na produção”, diz Flávia Fontes.

Em um mercado de quase 5 bilhões de dúzias produzidas por ano, conhecer essas diferenças ajuda o consumidor a entender melhor o produto que coloca no carrinho. “O ovo caipira é mais do que um produto. É o resultado de um sistema de produção que valoriza o ambiente, o manejo e o bem-estar das aves”, finaliza a CEO da FairFood.

Por Vanessa de Oliveira Dias

Tags
Mais noticias

Moradores relatam problemas em calçadas de terrenos baldios no Jardim São Pedro, em Mogi das Cruzes

Eleitores não podem ser presos a partir desta terça-feira (29); entenda

Mais sabor e hidratação na primavera: 5 opções de chá para preparar

Veja Também