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Concurso nacional de Canção Japonesa reúne 712 cantores de 3 a 97 anos em Mogi

Três décadas depois, Mogi das Cruzes volta a sediar neste sábado e domingo, a final nacional do 36º Concurso Brasileiro da Canção Japonesa, carinhosamente chamado de “Brasileirão”, por reunir cantores de diversos estados. Restrito a interpretações na língua japonesa, esse não é um festival comum – reunirá 712 cantores com idades de 3 a 97 […]

22 de julho de 2023

Reportagem de: O Diário

Três décadas depois, Mogi das Cruzes volta a sediar neste sábado e domingo, a final nacional do 36º Concurso Brasileiro da Canção Japonesa, carinhosamente chamado de “Brasileirão”, por reunir cantores de diversos estados. Restrito a interpretações na língua japonesa, esse não é um festival comum – reunirá 712 cantores com idades de 3 a 97 anos – nesse ano, dois concorrentes nasceram em 1926.

Os participantes venceram provas realizadas em associações locais e regionais e, depois, em baterias disputadas por estado. Somente após essa grande peneira, são definidos os artistas que serão avaliados pelo corpo de 35 jurados.

A última vez que o evento ocorreu em Mogi foi em 1991. O festival  acontece na Associação dos Agricultores do Cocuera, com entrada gratuita, a partir das 7h30 deste sábado (22) e a final ocorre amanhã, no mesmo local.

Esse número expressivo  de competidores modela a força dessa tradição preservada pelas gerações de brasileiros filhos dos primeiros imigrantes japoneses. O concurso é dividido em 22 categorias, que recebem prêmios em troféu, após a escolha dos melhores em cada uma delas. Um prêmio em dinheiro é dado, depois, ao que melhor se sair na última bateria de apresentações entre os melhores da cada modalidade.

Claudia Midori, que responde pela realização do Brasileirão, em Mogi das Cruzes, conta que cerca de 60% dos cantores têm mais de 60 anos.

A disputa envolve moradores de diferentes cidades que começaram a chegar na sexta-feira em Mogi das Cruzes – a rede hoteleira chegou a ficar com poucas ou sem vagas para atender os visitantes de outros estados que, em geral, estão acompanhados de familiares.
O evento chancelado todos os anos pela Associação Brasileira de Canção (ABRAC) é a principal premiação de karaokê no Brasil. 
São 28 regionais de todo o País, sendo que São Paulo e Paraná têm mais participantes por somarem as maiores populações de descententes de japoneses.
Nesse universo, há uma fidelização zelada pelas associações e sociedades de bairro, como a do Cocuera, Itapeti e outras. Nas sedes de bairros acontecem, ensaios semanais, numa agenda constante, segundo informa Claudia Midori.
Essa ligação com a música japonesa tradicional – que, mesmo no Japão, não é a mais tocada nas rádios e tocadores  digitais de música, se dá pela transmissão do gosto pela música e a cultura da terra natal de pai para a filho.
É o que acontece com a designer Sayuri Ohashi, duas vezes campeã no Brasileirão de 2019 e 2022. Desde os 3 anos, ela compete nas etapas que reúnem famílias como os Ohashi – o pai dela, Francisco, morou, no passado,  no Cocuera.
Sayuri começou a se apresentar, acompanhando a avó, Tyoko, que tem 93 anos e concorria, até pouco tempo. O irmão, Eduardo, também canta.

Para Sayuri, a manutenção da canção tradicional japonesa, no Brasil, é uma forma de preservar o canto trazido pelos primeiros imigrantes. As gerações seguintes tratam de proteger esse legado como forma de honrar a formação da própria cultura individual, que mescla japonesa e brasileira. Além disso, zelam pela história e por expressões como a música, a dança, a culinária e outros. Também conta a oportunidade da convivência com pessoas de outras cidades que se conhecem ao longo das competições.

Como será

Desde 7h30, as audições começam neste sábado, na sede da Associação dos Agricultores de Cocuera (Rodovia Professor Alfredo Rolim de Moura, s/n, SP-88, Km 96).

A entrada é gratuita e haverá praça de alimentação e o comércio da artesanato, importados e outros produtos. 
Muitas pessoas trabalham de maneira voluntária no evento que, em Mogi, é realizado pela União Central de Karaokê (UCK), por meio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) da Prefeitura de Municipal. O Bunkyo é outro apoiador. 

Ao todo, são 22 categorias diferentes, divididas por idade e tipo de música. No sábado, cantam os grupos “Veterano” e infantis “Doyo” e “Tibiko”. Amanhã, ocorre o  Grand Prix com apresentações dos primeiros classificados das chaves adulto, veterano e juvenil.

Os noventões em forma

A longevidade e o sucesso do Concurso Brasileiro da Canção Japonesa podem ser aferidos pela presença de finalistas quase centenários.
Neste ano, dois candidatos nasceram em 1926: Eiichi Sugahara, que representa a regional Higashi e é de São Paulo; e Noboru Mizutani  (regional  Mogiana, que engloba Ribeirão Preto, Guaira, Jaboticabal, São Carlos, Taquaritinga e Rio Claro). Mais de 3 mil pessoas são esperadas apenas para acompanhar os concorrentes – que serão 712, neste 2023.

O karaokê possui forte ligação com a música japonesa no Brasil. Há professores de música e festivais concorridos. O Brasileirão, conta a bicampeã Sayuri Ohashi, se destaca, sobretudo, por reunir pessoas que cantam para preservar essa expressão artística. “A maioria concorre para se divertir”, afirma, comentando que o concurso é uma forma ainda de manter os laços da comunidade nikkei. Ela mesma está próxima de somar 30 anos de participação – começou com apenas 3 aninhos. 

Bunkyo sedia Undokai

O Bunkyo de Mogi das Cruzes promoverá neste domingo (23), a tradicional gincana japonesa chamada Undokai. O evento chega à 72ª edição, com a oferta de ati-vidades recreativas para crianças de diversas idades, adultos e terceira idade.

A gincana acontece no Centro Esportivo do Bunkyo, localizado na Avenida Japão, nº 5919, no bairro da Porteira Preta, durante todo o dia.
A atividade faz parte do Festival Undokai 2023, também realizado por meio do financiamento da Lei de Incentivo à Cultura, a conhecida LIC, mantida pela Prefeitura de Mogi das Cruzes. Neste caso, o projeto aprovado foi o de número 664. 

Os encontros também foram realizados na sede de associações de bairro durante os meses de abril e maio.

O Undokai foi uma política instituída na constituição pelo governo japonês em 1880 para promover a confra-ternização entre as pessoas:  nas escolas, as famílias se reuniam para atividades esportivas e coletivas. 

Dividida, a palabra UndoKai tem o seguinte sentido: undo – esporte e movimento; kai, reunião, confraternização.
Competições com pessoas de diversas idades são propostas durante o encontro.

Para o presidente do Bunkyo de Mogi das Cruzes, Frank Tuda, a gincana é um momento em que as famílias podem se confraternizar e também reforçar essa tradição da cultura japonesa. “O Undokai reforça os laços familiares de uma maneira agradável. Os membros participam de provas coletivas que precisam de união e confraternidade”, afirma ele. 

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