Justiça derruba show de Leo Lins do YouTube por piadas com minorias. Humor tem limite?
Desde o cumprimento da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou a retirada do show “Perturbador”, do comediante Leo Lins, da internet, o assunto movimenta compartilhamentos e posts do artista carioca, comediantes, influencidores e público. A decisão suscita a discussão sobre o limite do humor e a liberdade de expressão em milhares […]
18/05/2023 09h32, Atualizado há 36 meses
Desde o cumprimento da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou a retirada do show “Perturbador”, do comediante Leo Lins, da internet, o assunto movimenta compartilhamentos e posts do artista carioca, comediantes, influencidores e público. A decisão suscita a discussão sobre o limite do humor e a liberdade de expressão em milhares de comentários desde a quarta-feira (17).
Em suas redes sociais, o comediante afirma que “este processo tem consequências absurdas. Ha muito mais em jogo. A justificativa para remover meu show de stand-up, pode ser usada basicamente para remover 95% dos especiais de humor”. Ele também opina que a medida possui determinações, “desproporcionais por contar piadas num palco de teatro. Igualando uma expressão artística a um ato criminoso. Meu advogado já está entrando com uma defesa e pretendo fazer um vídeo relatando o que está acontecendo”.
O carioca Leo Lins (@leolins) é um comediante que percorre cidades brasileiras lotando teatros e ginásios com shows de stand-up comedy. É conhecido por suas piadas de humor com temas sensíveis envolvendo minorias e maiorias, como é o caso do negro no Brasil. Aos 40 anos, ele participava do programa The Noite, com Danilo Gentilli, no SBT, até meados do ano passado.
A medida cautelar que retirou o programa da internet e trouxe outras determinações foi dada pela juíza de Direito Gina Fonseca Corrêa, que acatou um pedido do Ministério Público de São Paulo, de acordo com o site Migalhas.
A sentença determina a proibição do humorista “manter, transmitir, publicar, divulgar, distribuir, encaminhar ou renealizar download de quaisquer arquivos de vídeo, imagem ou texto, com conteúdo depreciativo ou humilhante a qualquer categoria considerada minoria ou vulnerável”.
A repercussão sobre a medida e o posicionamento de comediantes e celebridades se mantém como alguns dos assuntos mais comentados em redes sociais como o Twitter.
O comediante Fábio Porchat (@FabioPorchat) defendeu Leo Lins, destacando os riscos à liberdade de expressão e à arte. “Não gosta de uma piada? Não consuma essa piada. Se a piada não incitou o ódio e a violência ela é só uma piada. Tem piada de todos os tipos, de pum e de trocadilho, ácida e bobinha. Tem piada de mau gosto? Tem também. Tem piada agressiva? Opa. Mas aí é só não assistir. Quem foi lá assistir ao @LeoLins adorou. Riram muito. Quem não gostou das piadas são os que não foram. Pronto, assim que tem que ser. Ah, mas faz piada com minorias… E qual o problema legal? Nenhum. Dentro da lei pode-se fazer piada com tudo tudo tudo”, escreveu.
O comedidante acrescentou: “Pra mim democracia não é um regime pra você defender as suas ideias, mas pra quem você não concorda poder defender as delas. Não confundam “não gosto dele” com “ele não pode falar”. Não entrem nessa conversa com a emoção, entrem com a razão.”
Houve imediata reação de lideranças e influenciadores que defendem causas como o combate ao racismo e ao ataque a minorias, como as pessoas com deficiência. Fábio Porchat, desde então, é um dos que mais recebe críticas e também apoios.
Frases retiradas das apresentações de Leo Lins passaram ser lembradas por ativistas em direitos humanos.
Um recado encaminhado ao Fábio Porchat com dezenas de compartilhamentos foi dado Sara Mara (@saramarabrisa), uma mulher preta e trancista que reproduziu falas de Leo Lins, reforçou o conteúdo racista contra negros que, relembra ela, de início, não são minoria no Brasil.
Ao exibir as costas de um homem preto marcado por cicatrizes, Sara comenta, citando Porchat: “Que horas vocês olham para a gente e sabem o que a nossa história carrega de dor, e consegue elaborar uma piada? Tem tente que tem de coragem de pagar para rir de uma piada dessas”.
Comediantes defendem a liberdade de o público escolher o conteúdo preferido. Leon Lins, no encerramento de uma apresentação em Curitiba, falou que “o humor alivia a dor seja ela qual for, é uma filosofia que funciona para mim”. Ele tem agradecido o apoio dos seus fãs.
Após citar a frase de Charles Chaplin: “A vida de perto é uma tragédia, de longe é uma comédia”, o escritor carioca que iniciou a carreira artística em 2005 defende a escolha por seguir este ou aquele comediante: “A dor é opcional a uma pessoa”, simplifica, embora afirme que a questão não é simplista.
O assunto segue rendendo comentários nesta quinta-feira (18) e reaviva um assunto discutido em outras oportunidades, nos últimos anos.
Caberá recurso da defesa de Leo Lins. Até outro desdobramento, a proibição alcança ainda as apresentações. Ele não poderá se ausentar de São Paulo por mais de dez dias sem autorização judicial.
A justiça determinou multa de R$ 10 mil por dia para cada ação.
(Fonte: Migalhas/redes sociais/Wikipedia)