ONG Social Skate, de Poá, investe em nova sede após doação de Rayssa Leal
Seguem a todo vapor as obras na nova subsede da ONG Social Skate, de Poá – que anualmente atende e busca transformar a vida de cerca de 150 crianças unindo esporte, educação e a paixão pelo universo do skateboard. Esse novo espaço, que é montado em um imóvel recém-adquirido na cidade, deve ter salas multiuso […]
21/08/2022 14h46, Atualizado há 47 meses
Seguem a todo vapor as obras na nova subsede da ONG Social Skate, de Poá – que anualmente atende e busca transformar a vida de cerca de 150 crianças unindo esporte, educação e a paixão pelo universo do skateboard.
Esse novo espaço, que é montado em um imóvel recém-adquirido na cidade, deve ter salas multiuso para educar de forma lúdica a garotada atendida no projeto social. Ponto de inspiração é que tal plano deixou de ser um sonho para sair do papel graças a skatista Rayssa Leal. Há um ano a multicampeã ganhou e destinou para a ONG o valor de 50 mil dólares do prêmio Visa Award, de “Espírito Olímpico”, conforme já divulgado por este jornal.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) reconheceu a brasileira como atleta que melhor representou os valores olímpicos nos Jogos de Tóquio, onde conquistou medalha de prata com apenas 13 anos.
A novidade é que, após os trâmites legais, a ONG teve acesso ao dinheiro. Com o valor, a Social Skate, que surgiu em 2011, pagou cerca de 70% do imóvel localizado nas proximidades de uma quadra onde são oferecidas aulas. A ideia é ter um espaço com várias oportunidades para os jovens atendidos e proporcionar um misto de aprendizado escolar e esportivo.
Atualmente, o local passa por reformas, enquanto as aulas dos alunos foram retornadas no último dia 15. A expectativa é que as obras sejam finalizadas em outubro.
A ONG trabalha um projeto de vida. Com professores capacitados, ensina crianças a andarem de skate e também os valores de todo bom esportista. Há outros projetos, como uma horta comunitária. O foco não é apenas criar competidores. O objetivo é que os alunos entendam a situação social em que vivem, que saibam trabalhar em grupo e lidar com emoções.
As atividades em cima do skate são realizadas em uma quadra no bairro de Calmon Viana, em Poá. Anos atrás, o espaço foi revitalizado pela Social Skate, depois de passar um período desassistido pelo poder público e ter sido usado como ponto de venda de drogas.
“Acredito que os deuses do skate fizeram uma força para que fossemos escolhidos”, brinca o skatista Sandro ‘Testinha’, fundador da Social Skate, ao lembrar a emoção de ter sido escolhido para receber o valor, que também trouxe mais visibilidade para o projeto.
Ele explica um pouco sobre como funcionará a nova subsede, que deve ser inaugurada nos próximos meses.
“A sede terá seis cômodos, que vão ser utilizados para desde a administração até para cozinha experimental, que utiliza produtos da nossa própria horta. Para as demais salas queremos manter um aspecto multiúso”, conta. “Ficamos felizes de manter tudo aqui dentro da comunidade que já trabalhamos”, acrescenta.
Em entrevista, Testinha demonstra humildade, além de felicidade pelo projeto que segue embalado. “Minha intenção nunca foi ganhar dinheiro. Fazemos tudo isso por amor porque sabemos que o skate muda vidas. Isso porque a pessoa que está focada em melhorar vai sair do mundo das coisas ruins para focar na sua evolução”, comenta.
A história de Rayssa Leal, mais jovem medalhista olímpica do Brasil, aos 14 anos, é exemplo disso. “Ela segue nos inspirando e inspirando muitas pessoas mais novas”, comenta o fundador.
A ONG tem outros parceiros, mas a sede foi adquirida “exclusivamente com o dinheiro destinado pela Fadinha”, conta se referindo ao apelido de Rayssa. Foi através de outras doações, por exemplo, que os equipamentos foram sendo adquiridos.
Já o restante do imóvel, ele conta que ainda os integrantes do projeto terão que ralar muito para pagar. “Mas vamos dando um jeito”. “Para quem passou de 0 para 70% está bom demais”, brinca.
“Não é fácil ter uma ONG no Brasil. Temos muitas dificuldades no caminho, o importante é não parar”, desabafa.
Testinha estima que anualmente o custo para manter as aulas e o projeto gire em torno de R$1 milhão.
Em uma década de história, milhares de crianças já foram atendidas. “Nunca fomos muito no gráfico. Aqui é coração. Hoje a galera se junta para montar startup pelo dinheiro. Minha vida é andar de skate. Comecei a dar aulas na Febem e vi como fazia a diferença. A questão é que o skate vai tirando você de uma vida ruim e te coloca em um rumo. Pulamos os obstáculos da vida e ainda damos um kickflip”, brinca ele.
História
A Associação Social Skate surgiu em 2011 com o intuito de contribuir de forma positiva na vida de crianças e adolescentes socioeconomicamente vulneráveis. A organização atua no bairro de Calmon Viana, na cidade de Poá – São Paulo, onde são oferecidas, de forma interdisciplinar, atividades voltadas ao esporte, educação, cultura e lazer.
Antes de a Social Skate ser fundada, o projeto existiu por 10 anos no interior da Fundação Casa. Ao notar a dificuldade de recuperação dos jovens que cumpriam medidas socioeducativas, Sandro e Leila decidiram fundar a Associação, focando e investindo no trabalho preventivo, orientando e dando oportunidades para que crianças e adolescentes construam seu futuro longe das situações que a vulnerabilidade social oferece.
O projeto busca superar o signo de marginalização que o skate carregou durante alguns anos e que têm resquícios até hoje.
Já a relação de Rayssa com os membros da ONG, começou logo antes da pandemia, quando eles se conheceram em algumas eliminatórias pré-olímpicas que aconteceram em São Paulo. A Social Skate costuma promover excursões periodicamente e, naquela época, levou seus alunos para dois campeonatos em que a Fadinha estava competindo. Como todos que assistiram à Olimpíada, as crianças ficaram impressionadas com o talento da Rayssa
Vale lembrar que Rayssa foi eleita por meio de voto popular pela simpatia e a vibração com ouro da japonesa Momiji Nishiya, sua rival nas finais do skate street.
Hoje a Social Skate é exemplo para demais cidades do Alto Tietê, que ainda não veem projetos similares.
Em Poá, a ONG Social Skate funciona de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 17h e de Sábado: das 09h3 às 12h. Para participar é preciso se inscrever. O site oficial é o https://socialskate.org/ . O projeto também capta recursos através de leis de incentivo.