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Parazinho, de Mogi, é tricampeão mundial de goalball e mira ouro em Paris 2024

O atleta da equipe Sesi-Mogi das Cruzes, Josemarcio Souza, o ‘Parazinho’, acaba de carimbar junto à Seleção Brasileira de Goalball vaga nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2024, em Paris (França), onde buscará o bi paralímpico. Ele – que conta que “abraçou e foi abraçado” por Mogi das Cruzes, escolhida para morar e praticar o […]

Por O Diário
24/12/2022 08h06, Atualizado há 43 meses

O atleta da equipe Sesi-Mogi das Cruzes, Josemarcio Souza, o ‘Parazinho’, acaba de carimbar junto à Seleção Brasileira de Goalball vaga nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2024, em Paris (França), onde buscará o bi paralímpico. Ele – que conta que “abraçou e foi abraçado” por Mogi das Cruzes, escolhida para morar e praticar o esporte -, foi uma das estrelas do time nacional que acaba de conquistar de forma invicta o tricampeonato mundial da modalidade, disputado em Portugal. 

O goalball foi desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência visual.

Parazinho veio de uma infância difícil no Pará (PA), trabalhou na roça e ajudou a cuidar dos 10 irmãos. Foi por meio do esporte que alçou voo e em Mogi que fez a carreira. 

Hoje aos 27 anos, o atleta carrega consigo muitas conquistas e se tornou referência no paradesporto. Prova disso foi o último resultado da Seleção. O Brasil agora é o maior vencedor da competição mundial.  

A Seleção foi com força contra a China para a final do Mundial, que aconteceu no último dia 16 em Matosinhos, cidade de Portugal. A vitória foi de virada, por 6 a 5. A campanha mostrou um time bem alinhado. Em todo o campeonato a equipe teve dez vitórias em dez jogos, 112 gols marcados e 50 sofridos. O Brasil balançou as redes pelo menos dez vezes em seis partidas, com destaque ao triunfo sobre os anfitriões, por 17 a 10, na última rodada da primeira fase.

O goalball é um esporte baseado nas percepções tátil e auditiva, praticado por pessoas com deficiência visual (leia mais abaixo).
O atleta mora em Mogi das Cruzes desde 2014. Nos anos seguintes chegou a morar em Suzano, até que retornou para a cidade em 2020; ‘aqui’ ele conta ter sido bem acolhido. 

Ele se mostra muito feliz com o resultado e otimista para os próximos desafios. A agenda já está cheia, já que no ano que vem o Brasil irá em busca do quarto título nos jogos Pan-Americanos, que acontecerão no Chile.

“Não esperávamos esse desempenho. Tivemos mudança, saída de atletas, de comissão técnica, não sabíamos se iríamos conseguir manter o nível”, revela o atleta. “Mas, graças a Deus, deu tudo certo. Conseguimos abrir caminhos novos e terminar invictos”, acrescenta.
Essa foi a segunda vitória dele no mundial vestindo a camiseta brasileira. 

Pódios não são novidade. Parazinho também foi destaque com a Seleção nos jogos Paralímpicos de 2016, no Rio, onde faturou o bronze. 
Em 2020, em Tóquio, ele junto da equipe saiu com o ouro. “Em Paris, vamos com mais garra para conquistar o bicampeonato”, declarou Josemarcio

Treinos em Mogi

Parazinho treina na unidade de Mogi das Cruzes do Sesi (Serviço Social da Indústria), que na cidade mantém times de destaque no cenário nacional, como o de hockey, já mostrado por O Diário.

LEIA: Mogi está embalada no hóquei sobre a grama; garotada do Sesi-SP conquista bicampeonato

No meio deste ano a equipe já havia sido campeã brasileira.

Com muitos títulos na bagagem, Parazinho demonstrou força de vontade desde o começo. Ele não teve uma infância fácil.
Nascido em uma cidade no Pará, a 130 quilômetros da Capital Belém, ele trabalhava na roça e vendia produtos da terra. 

“Meu pai faleceu quando eu tinha cinco anos de idade e sou de uma família de 10 irmãos. Sendo 3 com deficiência visual”, relembra. 
Em 2010, através do irmão, que começou sua jornada no paradesporto, foi apresentado à professora Katia Tadaiesky que o chamou para praticar o goalbool em Belém.

“Fui para lá naquele ano, quando tinha 14 anos. Minha mãe não queria deixar no começo, por medo da violência da cidade grande, como ela dizia.  Comecei no esporte, voltei a estudar e treinava ao mesmo tempo”, lembra.

Sempre foi difícil, mas, em 2013, a situação dele se agravou. “Eu não tinha mais condições de me manter no esporte. Estava sem recursos financeiros, eu passei dificuldades, mas a professora foi um anjo na minha vida me ajudou quando eu só trabalhava e estudava”. conta. Foi nesse ano que ele começou a se destacar mais no esporte. 

Em 2014, ele se mudou para a região. Morou primeiro em Mogi das Cruzes. Veio a convite do Sesi, que estava montando o time de goalball. “Fui convidado pelo técnico Diego Colletes, que ainda é o responsável pelo time”, detalha. 

“Fui uma cobaia, um atleta de fora que trouxeram, agradeço imensamente a oportunidade. Desde então estou aqui e pretendo ficar aqui até me aposentar”, acrescenta. 

Ele agradece às pessoas que o ajudaram. “São pessoas que nós carregamos. Eu tenho muita felicidade de honrar o trabalho deles e sou grato porque eles acreditaram em mim”.  “Abraçamos a cidade e a cidade nos abraçou”, resume Parazinho, que hoje reside na cidade com a esposa e continua totalmente dedicado aos treinos. 

Ele espera continuar representando Mogi das Cruzes Brasil afora nos próximos anos. 

Como é o goalball

Segundo destacada o Comitê Paralímpico Brasileiro, ao contrário de outras modalidades paralímpicas, o goalball foi desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência visual. A quadra tem as mesmas dimensões da de vôlei (9m de largura por 18m de comprimento). As partidas são realizadas em dois tempos de 12 minutos, com 3 minutos de intervalo. Cada equipe tem três jogadores titulares e três reservas e  em cada lado da quadra, há um gol com 9m de largura e 1,30m de altura. Os atletas são, ao mesmo tempo, arremessadores e defensores. O arremesso deve ser rasteiro ou tocar pelo menos uma vez nas áreas obrigatórias. O objetivo é balançar a rede adversária.

A bola tem um guizo em seu interior para que os jogadores saibam sua direção.

Nesta modalidade, os atletas deficientes visuais das classes B1, B2 e B3 competem juntos. 

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