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Câmara de Mogi critica proposta de mudança da DDM para César de Souza

  A repercussão negativa na Câmara de Mogi e nas redes sociais sobre o anúncio feito pelo prefeito Caio Cunha (Pode) a respeito da transferência da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da região central para César de Souza, fez com que a Prefeitura voltasse atrás com a medida. Logo após as críticas dos vereadores […]

Por O Diário
08/09/2021 19h12, Atualizado há 59 meses

 

A repercussão negativa na Câmara de Mogi e nas redes sociais sobre o anúncio feito pelo prefeito Caio Cunha (Pode) a respeito da transferência da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da região central para César de Souza, fez com que a Prefeitura voltasse atrás com a medida.

Logo após as críticas dos vereadores durante a sessão desta quarta-feira (08), o secretário municipal de Segurança, André Ikari, usou as suas redes sociais para informar que o equipamento vai continuar atendendo no atual endereço.

Segundo o Ikari, “a Prefeitura de Mogi das Cruzes informa que a Delegacia de Defesa da Mulher continuará atendendo no local atual, no Parque Monte Líbano, durante o horário comercial. Com a utilização do novo espaço de Cezar de Souza, a administração municipal busca a ampliação de atendimento às vítimas, com espaço exclusivo para as mulheres que sofreram violência, que merecem todo o respeito e atenção”.

Ele acrescenta que “nenhuma mudança de serviço que possa vir a prejudicar a população será realizada pela administração municipal e que para qualquer alteração o Conselho Municipal responsável será consultado”. Por fim, esclarece que a Prefeitura de Mogi das Cruzes vem trabalhando junto à Polícia Civil em um estudo para que o funcionamento da Delegacia da Mulher da cidade passe a ser feito 24 horas  

Acesso

Os comentários negativos feitos por vereadores na Câmara foram baseados no anuncio feito pelo próprio prefeito Caio Cunha (Pode) durante uma live que ele realizou na noite de segunda-feira (06) para falar sobre a proposta de criar um novo polo de Segurança, em César de Souza, no espaço onde funcionava a escola do Sesi.

Além dos discursos em plenário contra a medida, os parlamentares também aprovaram uma moção de apelo encaminhada ao Executivo para pedir uma revisão dos planos. Apesar de serem favoráveis ao funcionamento da DDM em período de 24 horas, como informou o prefeito durante a live, os vereadores acreditam que o deslocamento da Delegacia para um local mais distante do centro pode desestimular as mulheres a fazerem as denúncias.

A vereadora Inês Paz (PSOL), autora da moção de apelo junto com a colega Fernanda Moreno (MDB), entende que a Prefeitura precisa ampliar o diálogo e ouvir os setores envolvidos para entender o que é melhor para as mulheres.  Ela criticou o fato de as mudanças terem sido planejadas sem antes ter sido consultado os conselhos, entidades e órgãos que atuam nessa causa.

Na opinião das vereadoras, o melhor seria manter a DDM no centro e instalar novas unidades da delegacia nos distritos para ampliar o atendimento em todas as regiões da cidade.  “Não podemos negar que existem benefícios geográficos no território em que a Delegacia se encontra atualmente, primeiro por ser localizada em uma região mais central da cidade, facilitando o acesso das munícipes as demais regiões; a segunda é a proximidade com o instituto médico legal (IML), onde a mulher que porventura venha a ser vítima de violência já pode realizar o exame de corpo de delito. A melhor alternativa para a cidade de Mogi das Cruzes não é a transferência da única unidade da Delegacia da Mulher para um outro local, mas a ampliação da delegacia da mulher para todas as regiões”, sugere a moção destinada ao prefeito.  

Fernanda Moreno também reforça a necessidade de uma DDM 24 horas, e chama atenção para problemas de acesso. “Imagine uma mulher que mora em Jundiapeba? Mogi é muito grande. Muita gente que depende de transporte, vai ter problemas para chegar até Cesar. Acho louvável ter uma estrutura para instalar a Casa das policias em Mogi, mas temos que fazer estudo para que a gente possa ver o que é mais viável. A distância pode até desestimular as denuncias”, pondera.

Diversos vereadores se manifestaram. “Quando o poder público dificulta, ele contribuiu para que a violência seja perpetuata”, enfatizou o vereador Iduguies Martins (PT), levando em conta questão fatores como tempo para o deslocamento, custo do transportes mais caro e outros obstáculos.

Outro fator negativo apontado por José Luiz Furtado (PSDB) é o fato de ter outras delegacias no mesmo espaço., “Isso pode inibir as mulheres, que normalmente chegam nesse locais feridas violentadas e precisam de privacidade nesse momento”.

Assim como seus pares, o vereador Francimário Viera Farofa (PL) chama atenção para o projeto inicial para a antiga escola do Sesi, onde a Prefeitura pretendia instalar um polo de educação com o projeto do Crescer, para oferecer ensino técnico à população do distrito. “Acho que a Prefeitura deve consultar os moradores antes de tomar essa decisão e perguntar se eles preferem um polo de segurança ou de educação para o local”.

Explicações

Por fim, a vereadora Malu Fernandes (SD) sugeriu que a Câmara convide os representantes da Secretaria Municipal de Segurança e da Delegacia Seccional para uma reunião na Câmara, uma proposta acatada pelo presidente da Comissão de Segurança da Casa, vereador Mauro de Assis Margarido (PSDB), que já se comprometeu em fazer o convite para que esse encontro aconteça na próxima semana.

 

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