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Censo aponta 1,6 milhão de moradores no Alto Tietê

A finalização do Censo 2022 divulgado nesta quarta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que as 10 cidades do Alto Tietê concentram 1.625.530 moradores. Seguindo a tendência apresentada em várias regiões do Brasil, o número ficou abaixo da estimativa divulgada pelo instituto em 28 de dezembro do ano passado, que previa […]

1 de julho de 2023

Reportagem de: O Diário

A finalização do Censo 2022 divulgado nesta quarta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que as 10 cidades do Alto Tietê concentram 1.625.530 moradores. Seguindo a tendência apresentada em várias regiões do Brasil, o número ficou abaixo da estimativa divulgada pelo instituto em 28 de dezembro do ano passado, que previa 1.723.526 habitantes. A diminuição é de 5,68%.

A diferença também foi observada em Mogi das Cruzes, onde a prévia apontava para 471.602 pessoas, mas a pesquisa final cravou 449.955, um volume 4,59% menor.

Questionada sobre esta diferença entre os números apresentados pelo IBGE em dezembro de 2022 e no final de junho, a Coordenação de Divulgação do Censo 2022, que apontou que neste momento o IBGE divulgou somente dados de população e de domicílios, explicou que a prévia de dezembro foi calculada com base na população recenseada até o dia 25 do mesmo mês e tinha como objetivo atender uma obrigação legal junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).

“Naquele momento, a população do município não havia sido totalmente recenseada. Nessa prévia, os domicílios ainda não recenseados tiveram o número de moradores estimados, portanto não foram dados finais do Censo 2022. Os dados ontem (28) apresentados são finais, considerando a totalidade do município e com o devido tratamento estatístico, garantindo assim a correta representação da população”, trouxe a nota encaminhada nesta quinta-feira (29) a O Diário, acrescentando que a metodologia utilizada na prévia está disponível no link:https://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2022/Previa_da_Populacao/Nota_Metodologica_Previa_Populacao_Municipios_CD2022.pdf

No entanto, apesar do número final de habitantes de Mogi ficar abaixo da expectativa, a cidade segue como a mais populosa, com 449.955 moradores, representando crescimento de 16% em relação aos 387.779 do Censo 2010 – um índice superior à média nacional, que foi de 6,5% e estadual: 7,6%. 

A pesquisa de 2022 traz, na sequência, Itaquaquecetuba, com 369.275 habitantes, Suzano (307.364), Ferraz de Vasconcelos (179.205), Poá (103.765), Arujá (86.678), Santa Isabel (53.174), Guararema (31.236), Biritiba Mirim (29.676) e Salesópolis (15.202).

Na região do Alto Tietê, a cidade que mais cresceu foi Guararema, que em 2010 tinha 25.844 moradores e hoje concentra 31.236, um aumento de 20,86%. Na outra ponta, Biritiba Mirim apresentou o menor aumento, 3,85%, passando de 28.575, em 2010, para 29.676 em 2022.

Há ainda dois municípios que tiveram queda no número de habitantes: Poá, que passou de 106.013 para 103.765 nos últimos 12 anos (diminuição de 2,12%), e Salesópolis, que saiu de 15.635 para 15.202 (2,76% de redução).  

O jornalista Castro Alves Bruno, especialista em estatística e pesquisa, lembra que o IBGE estava estimando, para 2020, uma população de 450 mil habitantes em Mogi e, na prévia apontava para 471 mil, mas agora chegou a 449.955. “São números muito distantes daquilo que o IBGE vinha projetando. Mas não sabemos até que ponto os 9,9% dos domicílios de Mogi que não responderam aos recenseadores do IBGE influenciaram nisso. Precisaria ter uma forma de diminuir esse percentual, que praticamente é quase 10%, ou seja, é muita gente e domicílios sem serem pesquisados. Não sei, se esta quantidade entrasse, seria possível chegar aos 471.602. Realmente, são números muito diferentes daqueles que o IBGE estava mostrando, mas isso aconteceu em outras cidades. Teve municípios com número menor de habitantes do que aquilo que tinha registrado em 2010”, frisa. 

O pesquisador analisa, ainda, que a população apontada em Mogi das Cruzes pelo IBGE se aproximou da estimativa para 2020, que seria de 450.785 habitantes. “Os números quase batem, mas devido à pandemia, o Censo que deveria ser feito em 2020, aconteceu apenas em 2022 e ainda foi finalizado agora, então, claro que era previsto um maior aumento neste número”, considera.

Porto: dados norteiam novas ações

Na avaliação do secretário de Planejamento e Gestão de Mogi, Lucas Porto, o Censo 2022 traz informações úteis para orientar decisões de governos, empresas e da sociedade, colocando fim a um apagão estatístico, além de orientar desde o tamanho dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios, que abastecem as prefeituras, até a metodologia das pesquisas eleitorais. “O Censo permitirá identificar a proporção de determinados grupos no universo da população e calibrar as políticas públicas visando maior equidade”, aposta.

Ele também avalia que as taxas dos que não responderam ao questionário – 9,9% em Mogi, 8,11% na média paulista e 4,23% na média nacional – demandaria estudo mais aprofundado para determinar o que influenciou essa negativa. “Mas a Prefeitura entende que o IBGE utiliza técnicas de imputação, que é uma estimativa em cima da população respondente, para que tenhamos um resultado extremamente confiável”, pontua.

No novo Censo, Mogi teve incremento de 62.176 pessoas, passando de 387.779 para 449.955 habitantes, que representa uma taxa de crescimento de 1,25% ao ano. A partir desses dados, aponta Porto, Mogi se coloca na 50ª posição entre os municípios mais populosos do Brasil e 11º no Estado de São Paulo. “Além disso, Mogi foi o 42º com maior crescimento absoluto da população. É preciso aguardar os dados sobre migração e natalidade, mas já é possível captar um movimento de perda de moradores nas grandes cidades. É provável que Mogi esteja atraindo pessoas em busca de melhores condições de vida”, considera.

O Censo, aponta ele, possibilita monitorar políticas públicas baseadas em informações. “Entre os exemplos de ações pautadas em dados e evidências podemos citar a nova unidade de saúde infantil Vagalume, que possibilitou atendimento de uma demanda reprimida que o antigo equipamento Pró-Criança não mais comportava. Outra ação importante foi a ampliação no atendimento das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), com abertura de três serviços, em virtude da aceleração do envelhecimento populacional. O Mogi 500 anos, que tem objetivo de construir um planejamento de cidade a longo prazo, depende de dados para projetar a Mogi que podemos e queremos para os próximos 37 anos. A desagregação de dados, que será divulgada nos próximos meses, será fundamental para entendermos o presente e planejarmos o futuro”, diz. (C.O.)

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