Clima, pandemia e alta do dólar trazem cautela aos produtores rurais de Mogi
O clima quente e úmido do início do ano, o maior valor dos insumos por conta da alta do dólar e as incertezas da pandemia. Tudo isso tem feito com que o produtor rural tenha muita cautela na hora de plantar. Além disso, algumas áreas de cultivo foram diminuídas, o que faz com que certos […]
16/02/2021 12h39, Atualizado há 66 meses
O clima quente e úmido do início do ano, o maior valor dos insumos por conta da alta do dólar e as incertezas da pandemia. Tudo isso tem feito com que o produtor rural tenha muita cautela na hora de plantar. Além disso, algumas áreas de cultivo foram diminuídas, o que faz com que certos produtos comecem a aparecer mais caros para o consumidor final, como é o caso do pé de alface.
“Nós somos os maiores produtores de alface da Região, mas ainda assim a demanda está muito alta. Isso é por conta da diminuição da área de plantio, o que também aconteceu em Ibiúna, que é outra cidade que se destaca no cultivo dessa folhosa. Com isso, chegam muitos pedidos para cá e o produtor mogiano também está com o estoque baixo. A alta no valor é mesmo pela oferta e procura”, explica a engenheira agrônoma do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, Juliana Monteiro.
Sobre o período do ano, com muitas chuvas e sol forte, a especialista explica que os produtores já têm se preparado melhor para evitar as perdas. Nesta época, a maior preocupação fica por conta dos fungos e bactérias, que podem estragar todo um plantio. Entretanto, ela explica que os trabalhadores estão melhores capacitados atualmente e atuam norteados por boas práticas. Com as chuvas, têm acontecido somente em casos de alagamento ou de chuvas de grazino.
Uma das boas práticas adotadas é trabalhar com uma planta bem nutrida, que fecha possíveis possibilidades para a entrada de doenças e ataques de praga. Além de trabalhar uma boa adubação e ter um trato cultural, colocando maior espaçamento entre as plantas.
Mesmo adotando essas medidas, a cautela por parte dos produtores deve continuar nos próximos meses. Isso porque os insumos agrícolas estão cada vez mais caros, muitas vezes por conta da alta do dólar. O adubo – que é essencial para preservar o plantio – é um dos produtos que tem preços alavancados em um curto espaço de tempo.
Neusa Matsuyama atua no ramo de fertilizantes há 60 anos, e conta que desde dezembro os produtos chegaram a aumentar entre 15 e 25%. Um saco de uma tonelada de adubo para cobertura simples, por exemplo, que já custou em torno dos R$ 1,4 mil chega a custar R$ 1,8 mil agora.
“Isso é ruim para todo mundo. O produto mais caro também não é interessante para mim, porque os produtores acabam plantando menos e comprando menos. Eles agora só fazem as coisas com muita certeza, com os pés no chão, para não correr o risco de perder alguma coisa. Ou eles colocam menos adubo, o que também não é bom”, comenta Neusa.
Juliana acredita que toda essa insegurança ainda vai permanecer também por conta da pandemia. Em março do ano passado, quando foi iniciada a quarentena em São Paulo, os produtores perderam muitos cultivos e têm medo que isso volte a acontecer. Muitos desses trabalhadores vendem para restaurantes e dependem desses comércios para o escoamento dos produtos.