Duplicação da Mogi-Dutra guarda histórias ainda desconhecidas
A duplicação da rodovia Mogi-Dutra ainda guarda histórias desconhecidas, como uma contada esta semana à coluna pelo ex-deputado Junji Abe (MDB), que envolveu o que se pode chamar de verdadeiro imbróglio político-partidário apenas para se chegar aos recursos para o projeto executivo da obra. No final da década de 1990, o deputado Junji Abe estava […]
24/09/2021 15h35, Atualizado há 59 meses
A duplicação da rodovia Mogi-Dutra ainda guarda histórias desconhecidas, como uma contada esta semana à coluna pelo ex-deputado Junji Abe (MDB), que envolveu o que se pode chamar de verdadeiro imbróglio político-partidário apenas para se chegar aos recursos para o projeto executivo da obra.
No final da década de 1990, o deputado Junji Abe estava filiado ao PFL, à época comandado pelo cacique baiano, Antonio Carlos Magalhães, que desejava ver, a todo custo, o apresentador Silvio Santos como candidato a prefeito de São Paulo pelo partido.
A intenção contrariava os planos de Arthur Alves Pinto, então comandante da legenda no Estado.
O impasse acabou provocando uma intervenção no partido. Mas antes disso, liderado pelo já experiente articulador Gilberto Kassab, um grupo de seis deputados abandonou a legenda.
Temiam ficar impedidos de concorrer à reeleição. E foram todos para o PL.
Depois de reeleito, o sexteto retornou ao PFL.
Foi quando Kassab promoveu uma espetaculosa puxada de tapete, tirou o ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera, do comando e acabou assumindo a presidência do PFL paulista.
A essa altura da história, vale um parênteses: uma de suas primeiras medidas de Kassab foi trazer para o grupo um garoto muito esperto, que era auxiliar direto de Cabrera, de nome Rodrigo Garcia, mais tarde seu companheiro de chapa para deputado estadual e hoje vice-governador de São Paulo, ao de João Doria, ambos do PSDB.
Mas voltemos à saga dos pefelistas.
Sob o controle absoluto de Kassab, o PFL buscou aproximar-se do governador paulista da época, Mário Covas (PSDB), que nos encontros com a bancada, sempre ouvia os apelos de Junji para que a Mogi-Dutra fosse duplicada.
O deputado sempre levava consigo recortes do jornal O Diário mostrando graves acidentes e cobrando a segunda pista na rodovia já saturada pelo excesso de tráfego.
Certo dia, certamente já incomodado com as cobranças de Junji, o governador propôs: se ele arrumasse R$ 100 mil para o projeto, o governo faria a obra. Naquele ano de 1997, tal quantia significava muito dinheiro, até para o governador que recebeu os cofres raspados da administração Fleury Filho (PMDB).
Mas naquele ano, já no governo, o PFL recebeu vários cargos na administração do Estado. Ao dividir os postos entre a bancada, Kassab deixou para Junji a nomeação do futuro diretor de Operações do DER.
E o que fez o mogiano? Em lugar de indicar alguém de seu grupo político, Junji procurou o superintendente do órgão e pediu que ele apontasse alguém de carreira para o cargo.
O engenheiro Pedro Ricardo Frissina Blassioli foi o escolhido e logo procurado por Junji para falar sobre a duplicação da Mogi-Dutra.
Comentou com ele sobre os R$ 100 mil para o projeto e pediu ajuda do indicado para viabilizar a obra.
Passaram-se alguns dias, até que Junji foi chamado para um café por Blassioli, que lhe comunicou: graças a uma verdadeira ginástica contábil, o diretor havia conseguido raspar o cofre do setor e arranjar o dinheiro do projeto.
Junji saiu de lá direto para o gabinete de Covas. O primeiro passo para a duplicação havia sido dado.
Com projeto pronto, a obra seria realizada por Geraldo Alckmin (PSDB), sucessor de Covas no governo paulista.