Especialista escreve carta ao Estado contra pedágio na Mogi-Dutra
A convite de O Diário, lideranças e representantes da sociedade civil de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê estão escrevendo cartas endereçadas ao Governo do Estado com argumentos contra a instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra e os prejuízos que a praça de cobrança poderá trazer à região. No estilo ofício, as cartas são publicadas […]
05/05/2021 21h41, Atualizado há 63 meses
A convite de O Diário, lideranças e representantes da sociedade civil de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê estão escrevendo cartas endereçadas ao Governo do Estado com argumentos contra a instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra e os prejuízos que a praça de cobrança poderá trazer à região.
No estilo ofício, as cartas são publicadas diariamente nas páginas do Flip do jornal e também na edição impressa, que circula aos finais de semana. Aliás, foi no sábado que o prefeito Caio Cunha, de Mogi das Cruzes, assinou a primeira cartra endereçada ao Governo do Estado.
A cada dia, um liderança política, uma autoridade, um representante da sociedade civil estará argumentando sobre os prejuízos que o pedágio poderá trazer para a região do Alto Tietê.
A carta da vez, hoje, quem escreve é o arquiteto e urbanista Paulo Pinhal, presidente do Colégio de Arquitetos, conselheiro da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Mogi das Cruzes (AEAMC) e integrante do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap).
O texto não tem interferência editorial de O Diário e traz as justificativas e defesas do próprio autor. Confira abaixo:
Ao Governo do Estado
Venho por meio desta solicitar que Vossa Excelência reveja a colocação de uma praça de pedágio na rodovia Mogi-Dutra, com objetivos de atingir o público alvo da rodovia Mogi-Bertioga.
Os motivos são: historicamente, a cidade de Mogi das Cruzes foi passagem obrigatória da estrada São Paulo/Rio, o que proporcionou a vinda de indústrias e garantiu o progresso. Durante muitos anos, fomos o principal fornecedor de ovos para a cidade do Rio de Janeiro e o cinturão verde da metrópole.
Com a construção da rodovia Presidente Dutra, ficamos isolados, fora do circuito do progresso. A cidade se estagnou.
A construção da rodovia Mogi-Dutra e da Mogi-Bertioga foi um desejo do povo mogiano que abriu mão de infraestruturas nos bairros da cidade para que pudessem serem feitas estas estradas.
O acesso mais rápido para a cidade de São Paulo e à praia tornou a cidade mais atrativa.
Como morador de Mogi das Cruzes, sou totalmente contra o pedágio, pois é imoral e desrespeitoso a todos os mogianos, já que o pedágio vai privar o nosso direito de ir e vir sem ônus.
O custo de vida na cidade ficará mais caro, pois todos os produtos e serviços terão seus custos adicionais por conta do pedágio que serão repassados para os consumidores. Entraremos em estagnação novamente.
Se houver a construção de uma nova estrada partindo por exemplo do Rodoanel e seguindo até depois de Biritiba Ussu, e com a duplicação aérea sobre a pista existente da rodovia Mogi-Bertioga, minimizando impactos ambientais, facilitaria o acesso à cidade de Bertioga, sem congestionamentos. Seria um ganho para todos. Aí sim poderia até ser que se justificaria um pedágio.
Vossa Excelência, que conhece bem a região, sabe que uma estrada nova vai trazer mais desenvolvimento para todos.
Certo de que a razão e o bom senso vão imperar.
Despeço, sem mais.
Paulo Pinhal
Presidente do Colégio de Arquitetos, conselheiro da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Mogi das Cuzes (AEAMC) e membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap)