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Excesso de “excelências” na Câmara de Biritiba Mirim

Esta história foi contada à coluna por  José Roberto Kachel e merece ser lembrada  como homenagem ao ex-engenheiro do DAEE, recentemente falecido:  Lá pelos tempos d’antanho, a sessão da Câmara de Biritiba Mirim corria modorrenta. De repente, o pau cantou. Desentenderam-se os edis Zé Maria e Joaquim Padeiro. Zé Maria abriu a caixinha de ferramentas […]

Por O Diário
25/06/2021 15h12, Atualizado há 62 meses

Esta história foi contada à coluna por  José Roberto Kachel e merece ser lembrada  como homenagem ao ex-engenheiro do DAEE, recentemente falecido: 
Lá pelos tempos d’antanho, a sessão da Câmara de Biritiba Mirim corria modorrenta. De repente, o pau cantou. Desentenderam-se os edis Zé Maria e Joaquim Padeiro.
Zé Maria abriu a caixinha de ferramentas e passou a desancar Joaquim com impropérios inimagináveis. 
Joaquim ouvia impassível. 
“Vossa Excelência acabou?”, perguntou. 
“Sim”, respondeu Zé Maria. 
“Pois fique sabendo  que Vossa Excelência  está ofendendo a Minha Excelência”, arrematou o Padeiro. 
E a sessão da Câmara terminou por ali mesmo.
Quem contou
José Roberto Kachel, um engenheiro especialista em  recursos hídricos, foi um defensor incansável do rio Tietê, contestando duramente os abusos perpetrados contra o manancial na região de Mogi. 
Duro e radical na defesa de seus princípios, ganhou o epíteto de “guardião do Tietê”, como manchetou este jornal, no dia de seu falecimento.  Morreu aos 68 anos, de câncer, em  13 de fevereiro último.

Os sem-palanque

Orestes Quércia era governador de São Paulo  e veio a Mogi para inaugurar nova etapa de uma das barragens da região de Taiaçupeba. 
Sabia que não poderia contar com o apoio do prefeito Waldemar Costa Filho, com quem estava politicamente rompido havia algum tempo. 
Por isso mesmo, tratou de trazer consigo um pequeno exército de políticos, assessores e jornalistas que cobriam o Palácio dos Bandeirantes. 
Estava formada a indispensável claque para o político. Sabendo que haveria quem fosse puxar as palmas durante os muitos discursos, a solenidade tinha tudo para ser um sucesso. Mas não foi. 
Com tanta gente junta, a estrutura do palanque  não aguentou e veio abaixo, em plena festa. 
Na cidade, houve quem falasse em sabotagem, enquanto outros diziam que a praga do prefeito Waldemar havia sido mais forte.

Te vi na tevê

Vindo de Cambé, no interior do Estado do Paraná, Antonio Lino da Silva ganhava a vida em Mogi das Cruzes como empreiteiro de obras de telefonia, até que indicado pelo ex-vereador Nicolau Lopes de Almeida e amigos, decidiu se enveredar pelos caminhos da política como candidato a vereador. 
Criativo, ele encontrou a fórmula ideal para conquistar seus eleitores. 
Armado com uma câmera de vídeo, passou a filmar os problemas dos bairros, colhendo depoimentos de moradores sobre eles. 
A fita era levada ao prefeito da época, amigo de Lino, que prometia soluções. 
Uma montagem era feita e mostrada em espaços públicos, com ajuda de um videocassete. 
Foi um sucesso, numa época em que a cidade nem sonhava em ter uma emissora de tevê. 
E Lino acabou eleito, com folga.
 

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