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Gato-do-mato é confundido com jaguatirica ao aparecer em Mogi

O funcionário de um sítio localizado no bairro da Estiva, à margem da represa do rio Jundiaí, próximo ao caminho para Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes, teve uma grande surpresa, dia desses, quando retornava do trabalho. Ao ouvir um barulho sobre um dos pés de caqui, existentes em abundância no sítio, ele deparou com um […]

24 de junho de 2023

Reportagem de: O Diário

O funcionário de um sítio localizado no bairro da Estiva, à margem da represa do rio Jundiaí, próximo ao caminho para Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes, teve uma grande surpresa, dia desses, quando retornava do trabalho. Ao ouvir um barulho sobre um dos pés de caqui, existentes em abundância no sítio, ele deparou com um animal que o espreitava. 
Apesar de não ter identificado a espécie, ele teve tempo de sacar o celular para fotografar e até filmar o bicho de uma beleza ímpar.

Pensando tratar-se um filhote de algum animal de maior porte, ele ficou especialmente despreocupado quando viu que o belo exemplar fugia em direção a um terreno de mata fechada, existente nas proximidades.

Ao mostrar as imagens para alguns amigos, o animal foi inicialmente identificado como um filhote de jaguatirica, uma parenta distante da onça. Mas não era bem isso.

O Diário encaminhou o vídeo com imagens do bicho para o veterinário Jeferson Leite, especialista em animais silvestres da região, que identificou o exemplar como um gato-do-mato-pequeno, cujo nome científico é Leopardus guttulus, uma espécie, segundo ele, “muito comum na região”.

O pessoal do sítio, no entanto, conta que foi a primeira vez que um animal como aquele foi visto rodeando o pomar da casa principal. Até então, tinha sido comum encontrar pequenos cervos, conhecidos na região como “veados campeiros”.
Segundo Jeferson, trata-se de uma espécie que, normalmente, costuma ter hábitos noturnos, “mas que pode também ser visualizada durante o dia”, como aconteceu na região da Estiva.

Para o veterinário, essa espécie de gato-do-mato-pequeno é carnívora, ou seja, se alimenta de pequenos animais. “Aquele deveria estar caçando algum pássaro no caquizeiro”, explica Jeferson, que tranquiliza os moradores daquela região:
“Um pouco maior que um gato doméstico, ele não é perigoso para humanos, pois evita o contato direto com eles”, garante o especialista.

Na opinião do proprietário do sítio da Estiva, que pediu para não ser identificado, o aparecimento de animais desse tipo nas proximidades das residências daquela região se deve ao “avanço da cidade”, com a proliferação de chácaras, ocupando o lugar de matas que são derrubadas, havendo consequente redução no habitat dos animais em geral.

Outros aspectos

O gato-do-mato-pequeno é um mamífero da família dos felídeos, originário da América Central e do Sul. É, realmente, aparentado à jaguatirica e ao gato-maracajá. Animal terrestre, mas capaz de subir em árvores com facilidade, também é apontado como especialmente solitário, podendo ser visto em pares somente durante a época da reprodução.

“Na natureza, os machos podem ser extremamente agressivos em relação às fêmeas, e não é incomum que essa espécie mate animais maiores que ela. Existem evidências sugestivas de que a espécie apresente mudanças no padrão de atividades para minimizar encontros com a jaguatirica, seu predador potencial”, informa literatura especializada no tema.
Aparece como vulnerável na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e sua população está ameaçada pelo desmatamento e conversão de seus habitats em terras agrícolas ou, como no caso de Mogi, em chácaras de fim de semana.

A dieta do gato-do-mato-pequeno é composta, principalmente de mamíferos pequenos, de até 100 gramas ou de maior porte, até 700 gramas, como cutias e pacas, que costumam fazer parte do cardápio. Alimenta-se ainda de aves e répteis, ovos, invertebrados e, ocasionalmente, de rãs arboríferas e gramíneas. Costuma espreitar suas presas à distância. E quando ela está no seu raio de alcance, ataca para capturar e matar.

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