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Goleiro da seleção ensina o mogiano Dori como defender penalidades

Tote Da San Biagio, além de fundador deste jornal, que nesta semana completou 65 anos, foi também o idealizador do XI da Saudade, um time formado por veteranos da cidade, normalmente “enxertado” com atletas de ponta dos times da Capital, que vinham jogar em Mogi, a convite do “dono” da equipe. A equipe, como dois […]

Por O Diário
19/12/2022 10h20, Atualizado há 43 meses

Tote Da San Biagio, além de fundador deste jornal, que nesta semana completou 65 anos, foi também o idealizador do XI da Saudade, um time formado por veteranos da cidade, normalmente “enxertado” com atletas de ponta dos times da Capital, que vinham jogar em Mogi, a convite do “dono” da equipe.

A equipe, como dois quadros, como manda o bom futebol de várzea, costumava se apresentar  nas tardes de sábado, no estádio do União FC, na rua Casarejos, com garantia de público que ia até lá para ver, principalmente, atletas como os palmeirenses Ademar Pantera, Tupanzinho e Ademir da Guia, os corintianos Ado, Luciano Coutinho, entre tantos outros grandes craques da época.

O “cascudo” do XI tinha no gol o jovem Dori Boucault que, certo dia, foi chamado pelo Tote para substituir o goleiro Ado, do Corinthians, que não pudera vir naquele dia.

Dori tremeu na base, reclamou do “excesso de responsabilidade” que representava aquela inesperada oportunidade, até se tranquilizado pelo próprio Tote: “Não se preocupe, a gente garante!”

Como realmente garantiu. Com um timaço em campo, o goleiro Dori foi um espectador privilegiado do jogo contra um adversário que não o ameaçou uma única vez.

Dori ficaria ainda mais contente quando, no jogo seguinte, foi apresentado pessoalmente pelo Tote ao titular, Ado, que retornava em grande estilo ao gol do XI da Saudade.

Mas aí vale um parêntese na história. Ado era o apelido do catarinense Eduardo Roberto Stinghen, nascido em Jaraguá do Sul, em 1946, que jogou no Corinthians entre 1969 e 1974, tendo chegado a reserva de Félix, na seleção brasileira da Copa de 70. Bonitão, era conhecido como  “Goleiro Galã”.

Dori ficou  emocionado ao encontrar seu ídolo. E, numa rápida conversa, aproveitou para pedir alguma dica que pudesse utilizar como goleiro.

E Ado o aconselhou: em caso de pênalti, o goleiro não deve se mexer para tentar adivinhar o canto onde o batedor vai chutar. Deveria ficar imóvel até a hora de batida e, aí sim, partir em direção da boa já batida.

Ado dizia que a responsabilidade, em caso de penalidade máxima, era maior do atacante. Se o goleiro pegasse, virava herói; se o atacante errasse, seria execrado pela torcida.

Dori ouviu atentamente e, alguns jogos depois, aconteceu um pênalti contra o segundo quadro do XI, do qual ele era o goleiro. Imediatamente, lhe veio à cabeça, o ensinamento de Ado: “Não pula. Espera”.

Dori lembra que foi muito difícil ficar parado diante do batedor, mas ele seguiu à risca o conselho do ídolo.  O atacante se atrapalhou com o goleiro estático diante dele, acabou chutando à meia altura, do lado esquerdo, e… Dori defendeu!

Por sorte, o radialista J.B. Alves, de saudosa memória, estava atrás do gol, com uma máquina fotográfica e registrou o momento que a coluna reproduz logo abaixo, para que ninguém possa alegar que esta seja só mais uma das muitas histórias de Dori Boucault, um especialista em narrar coisas que até Deus duvida…

Um francês de araque

Dirran “com biquinho, para parecer francês correto), galego sarará, entroncado, jogava no Atlético Potengi, do Rio Grande do Norte, que foi enfrenta o Potyguar, de Currais Novos, pela 2ª Divisão do Campeonato Potiguar.

O jogador atleticano acabou com jogo, com dribles e lançamentos perfeitos, concluídos com um belo gol. 

O narrador da Rádio Poti exultava: “Dirran é um craque, a maior revelação do futebol norte-riograndense”.

O Atlético perdeu por 3 a 1, mas o destaque foi Dirran. Diante de todo aquele sucesso, um jovem repórter da emissora  correu para entrevistar o craque, na saída do campo, já disparando perguntas: “Você tem parentes na França? Onde nasceu o monsieur? Como veio parar no Brasil? Qual a origem de seu nome?”

Espantado, o modesto jogador respondeu ao repórter:

“Pera aí, meu sinhô, num é nada disso: meu apelido é C* de Rã, mas como num pode falar na rádio, então eles abreveia”. (Contada pelo consultor Gaudêncio Torquato)

Futebol violento

A antiga Mineração Geral do Brasil tinha um time de futebol famoso em toda a região. Ferraz de Vasconcelos  também tinha uma equipe famosa. E uma torcida mais famosa ainda: quando o time não ganhava no campo, os torcedores faziam vencer no braço.

A equipe de Mogi temia os adversários e foi falar com o responsável pelo RH da empresa, Waldemar Costa Filho, que ainda não era prefeito

Waldemar disse  que o time fosse e jogasse.

E, sem que os atletas soubessem, lotou um caminhão  com os pesos mais pesados da metalúrgica, que levaram soco inglês até porretes enrolados com arame farpado.

Na hora do jogo, a barra pesada postou-se ao lado do campo, exibindo seu poderio bélico.

Naquela tarde, o time da MGB ganhou e  levou. Sem problemas.

Evitando as mentiras

Contam que numa noite escura, voltando de um jogo de futebol no interior, um ônibus lotado de políticos que foram prestigiar o time, sai da pista, capota duas vezes e cai numa fazenda.

O dono acorda assustado  e vai ver o que ocorreu. Ao encontrar a dramática cena de pessoas estateladas, faz um grande buraco no chão e, com ajuda dos seus empregados, começa a enterrar os corpos.

Quando o ônibus do time chegou à cidade, foi notada a falta do coletivo das autoridades e veio a notícia do acidente.

Dias depois, um investigador de Polícia bateu à porta da fazenda, fazendo perguntas sobre o corrido.

“Onde estão os políticos?”

“Ué, enterrei eles naquela cova ali”, responde o fazendeiro.

“Mas estavam todos mortos?” – insiste o investigador.

E o caipira:

“Bão… alguns diziam que não. Mas o sinhô sabe como esses políticos são tudo uns mentirosos…”

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