Câmara faz apelo ao Estado contra o pedágio na Mogi-Dutra
Os vereadores decidiram participar de forma mais incisiva da campanha lançada por O Diário, contra a proposta da Artesp de instalar um pedágio na altura do km 45 da rodovia Mogi Dutra. Durante a sessão da Câmara Municipal desta quarta-feira (05), a Casa aprovou, por unanimidade, uma moção de apelo ao Estado contra a cobrança […]
05/05/2021 18h38, Atualizado há 63 meses
Os vereadores decidiram participar de forma mais incisiva da campanha lançada por O Diário, contra a proposta da Artesp de instalar um pedágio na altura do km 45 da rodovia Mogi Dutra. Durante a sessão da Câmara Municipal desta quarta-feira (05), a Casa aprovou, por unanimidade, uma moção de apelo ao Estado contra a cobrança de pedágio na principal via de acesso na cidade.
O descontentamento dos vereadores ficou evidenciado nos discursos feitos em plenários, com duras críticas ao Governo Estado por querer instalar um equipamento que vai trazer muitos problemas para a população e comprometer o desenvolvimento econômico e social do município.
Para frear o projeto da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), os parlamentares entendem que a cidade precisa se unir para mostrar a força popular. Os vereadores disseram que já estão mobilizando os deputados do Alto Tietê e também representantes dos seus partidos na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) contra a medida.
A moção aprovada durante a sessão, elaborada pelo vereador Marcos Furlan (DEM) e assinada pelos 23 representantes da Câmara, demonstra a preocupação com as declarações feitas a O Diário pelo secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, que durante a sua visita à região, no dia 21 de abril, informou que a Artesp já estaria preparando o edital para prosseguir com o plano de concessão para a estrada.
A partir daí o documento faz uma série de observações sobre os problemas de pedágio na Mogi-Dutra, que irá desencadear sérios prejuízos ao desenvolvimento de Mogi das Cruzes e região, comprometendo o crescimento econômico e social, com grande impacto ao setor de hortifrutigranjeiro.
A Câmara lembra ainda que a Prefeitura de Mogi, na década de 1970, arcou com os custos da construção da ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Via Dutra, sem apoio do governo estadual ou federal, “tornando ainda mais descabida a implantação de uma praça de pedágio”.
Além do governador, a moção será encaminhada também ao vice-governador Rodrigo Garcia (DEM), aos deputados estaduais Estevam Galvão de Oliveira (DEM), Marcos Damásio (PL), André do Prado (PL) e Rodrigo Gambale (PSL-SP).
Argumentos
O autor da moção, o vereador Furlan, espera convencer e sensibilizar o Estado com essa primeira moção de apelo que Câmara está encaminhando para mostrar que “a cidade de forma alguma vai aceitar o pedágio na Mogi Dutra” . Ele disse que vai pedir aos deputado do DEM que intervenham junto ao vice-governador “para que não tenhamos que repudiar essa ideia”.
O vereador Edson Santos (PSD) destaca o empenho do deputado federal do seu partido, Marco Bertaiolli para impedir que a proposta avance. Ele também sugere a soma de esforços de toda a região contra um pedágio que pode prejudicar todo Alto Tietê. “São muitos os prejuízos para uma cidade que ajudou a construir a estrada com recursos municipais. Não é justo que Estado venha tirar proveitos agora”.
Outros pontos foram citados pelos parlamentares. Francimário Vieira de Macedo (PL), o Farofa, fala sobre prejuízos para o bolso dos motoristas que vão ter que pagar dois pedágios para fazer um trajeto de 50 km até São Paulo, passando pela rodovia Ayrton Sena.
A vereadora Malu Fernandes (SD) aponta a questão da divisão do município e isolamento de bairros que ficam na região próxima à Serra do Itapeti. “Cria distância e vai provocar uma falta de pertencimento da população com o município”.
Na avaliação de iduigues Martins (PT), esse pedágio só vai beneficiar as concessionárias que assumir os serviços na estrada. “A Mogi-Dutra está conservada, nova, pista dupla, uma estrada que tem baixo indicador de acidentes, que não precisa d e melhorias”, destaca, apontando ainda problemas com aumento dos preços do custo de vida com o encarecimento frete nos transportes.
O vereador Marino José da Silva (PODE) também destaca os prejuízos com o desenvolvimento de Mogi, e lembra o compromisso assumido pelo prefeito Caio Cunha (PODE) de lutar contra o pedágio na Mogi-Dutra.