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Mogianos têm até o dia 20 para encaminhar sugestões ao programa Mogi 500 anos

As pessoas interessadas em participar das discussões, encaminhar sugestões e propostas para ajudar a construir a cidade do futuro têm até o próximo dia 20 de agosto para dar a sua colaboração por meio de um aplicativo disponibilizado pela Prefeitura, que está empenhada em elaborar o projeto Mogi 500 Anos, programa lançado oficialmente há pouco […]

Por O Diário
07/08/2023 07h50, Atualizado há 35 meses

As pessoas interessadas em participar das discussões, encaminhar sugestões e propostas para ajudar a construir a cidade do futuro têm até o próximo dia 20 de agosto para dar a sua colaboração por meio de um aplicativo disponibilizado pela Prefeitura, que está empenhada em elaborar o projeto Mogi 500 Anos, programa lançado oficialmente há pouco mais de um ano pelo prefeito Caio Cunha (PODE), que começa a ser desenhado com colaboração de técnicos, especialistas e sociedade civil. 

O Mogi 500 Anos cria um projeto de longo prazo, apoiado em programas estruturadores, construídos de forma participativa e colaborativa, que possam promover o desenvolvimento sustentável e garantir não só o fortalecimento da economia, como também a qualidade de vida da população da cidade, numa perspectiva até o ano de 2060.  

A intenção é dar aos cidadãos a oportunidade de contribuir efetivamente para a construção de sua própria cidade. O secretário municipal de Planejamento e Gestão Estratégica, Lucas Porto, disse que o feed back da população tem sido positivo. Ele estima a participação de mais de 300 pessoas até agora  na consulta pública que se encerra em 15 dias. Ainda dá tempo de participar e para isso é preciso baixar o aplicativo Colab. 

Os grupos de trabalho que vão ajudar a elaborar os projetos contam com média de 15 integrantes cada e estão divididos em seis temas: Cidade Inovadora e Criativa; Dinâmica e Conectada; Saudável e Pacífica; Protagonista e Eficiente; Educadora e Inclusiva; Planejada e Sustentável. 

O secretário explica que o projeto está em fase inicial de elaboração, ainda na etapa de análise de um diagnóstico da cidade, elaborado por técnicos contratados da Macroplan. 

A contratação dessa empresa especializada aconteceu em janeiro deste ano, com a assinatura de termo de cooperação técnica entre Mogi e o Banco de Desenvolvimento da América Latina. O compromisso firmado foi no valor de US$ 100 mil a fundo perdido.  O banco também está financiando o programa Viva Mogi (antigo Mogi Ecotietê), que está em sua primeira em execução.

Durante a primeira etapa de diagnóstico, os técnicos fizeram  visitas técnicas em diversos pontos da cidade para levantar a realidade de cada região, como no caso de distritos de Braz Cubas e Jundiapeba, mostrando as características e as diferenças existentes dentro de um mesmo município. 

A etapa de diagnóstico consistiu no levantamento de dados, indicadores e situações que mostram como Mogi das Cruzes está hoje, como estava há 10 anos e onde pode chegar daqui a 37 anos.  

De acordo com Lucas, o plano de trabalho dos técnicos da Macroplan foi entregue no mês passado. A Prefeitura agora, com a ajuda dos grupos temáticos, ficará responsável pelo acompanhamento e contribuições com uma análise mais  aprofundada desse diagnóstico, bem como propor ajustes e aprovar a versão final do programa de trabalho e modelo de governança, a serem apresentados pela contratada. 

“Os técnicos nos entregaram retrato da cidade em preto e branco. Agora estamos começando a qualificar o diagnóstico para deixar esse esse retrato colorido. Será feita uma análise retrospectiva da situação atual, considerando elementos como perfil demográfico, qualidade de vida, economia, espaço urbano, mobilidade, educação, inovação, inclusão e coesão social, sustentabilidade e gestão pública. Um compilado de indicadores em quase todas as áreas”, reforça.

A previsão dele é de chegar à etapa final de discussão do diagnóstico no final deste mês de agosto ou início setembro, para que, a partir de outubro, possa dar um próximo passo e começar a olhar mais para futuro.

“É essencial que a gente tenha em mãos o maior número possível de dados, elementos e informações disponíveis sobre a cidade, pois é este ciclo que vai embasar todo o desenvolvimento futuro do projeto, apontando com assertividade onde podemos chegar”, explica o secretário.

O inventário, segundo Porto, mostra as sete áreas que precisam de atenção: economia, educação, saúde, segurança, saneamento, desenvolvimento social e mobilidade. Ele disse que isso confirma algumas teses que a gestão já vinha estudando, com as percepções qualitativas e evidências, apontadas também pela Secretaria Municipal de Transparência. 
 Um dos pontos principais destacados, relata Lucas,  é a área de desenvolvimento econômico, sendo que os desafios maiores são relativos as questões sociais, o combate à pobreza, a geraçãode emprego, formação e capacitação dos jovens e melhoria da renda da população.               

Sobre o meio ambiente, o titular de Planajemanto explica que a preocupação não se resume em apenas proteger as reservas, mas, especialmente, buscar atrair empresas que tenham cadeias produtivas tecnologicamente atualizadas no que se refere à preservação ambiental e responsabilidade social         

Desenvolvimento econômico      

A questão social é um dos destaques do programa Mogi 500 Anos. O secretário municipal de Planejamento e Gestão Estratégica, Lucas Porto, observa que as estatísticas formais do IBGE, mostrando que o município saiu de um PIB nominal cresceu, passando de 9,3 em 2010 para 16.9 em 2020. Ele considera esse um aumento expressivo, porém, alega que precisa melhorar mais. 

“É importante dizer que existem alguns sinais amarelos e de alerta, porque apesar de o PIB ter crescido, Mogi tem um desafio em relação à renda per capita, que hoje está em 37,6, abaixo de muitas cidades. Isso significa que as pessoas que moram na cidade não estão enriquecendo e que os salários continuam abaixo das expectativas”, observa. 

Ele explica que a matriz produtiva do município não evoluiu em termos qualitativos. “A cidade, apesar de ter um dos melhores resultados da região, ficou para trás em termos de geração de emprego de alta qualificação, ou seja, a população não enriqueceu. O PIB cresceu e a cidade evoluiu economicamente, mas em termos de renda per capita e também pelos indicadores de renda média dos trabalhos por setor, a gente não evoluiu”, constata. 

Esse é um fator de preocupação para  a gestão durante as próximas décadas. “Mogi tem que estabelecer estratégias de desenvolvimento, ver como a gente vai guiar o desenvolvimento econômico da cidade daqui para frente. Por isso que é tão importante iniciativas que conectem a cidade com a pauta, por exemplo. da cadeia produtiva, da tecnologia que é o que o governo do Caio Cunha está buscando por meio  de projetos”.

Um dos projetos que ele cita é  o “Frutificar”, ciclo 2023 do Programa de Incubação do Polo Digital, que se propõe a selecionar, de acordo com o público-alvo, os projetos/startups sediadas em Mogi ou interessadas em se estabelecer ou vender para a cidade, que serão contempladas com a participação prevista de até seis meses.

 Estão sendo selecionadas, preferencialmente, startups de tecnologia que tenham soluções inovadoras para a Gestão Pública e Cidades Inteligentes, ou seja, startups que possam solucionar problemas das áreas do Governo (GovTechs).
“A gente precisa estimular cabeças produtivas que mostravam trabalhos qualificados com a melhor renda para que a gente cresça de maneira mais acelerada e qualitativa. Não adianta ter muitos postos de trabalho se o salário é médio ou baixo. Precisamos cada vez ter mais empregos e mais pessoas com qualificação nesse trabalho. Esse é um dos pontos de atenção.  A cidade pode ter estratégias claras e robustas de desenvolvimentos econômico,  conectadas à cadeia da tecnologia, que vão ser muito importantes e podem ajudar a melhorara a nossa renda per capita”. 

Outra estratégia, segundo Lucas, está sendo adotada pelo próprio prefeito, que está focado nesse ponto e vem mantendo um diálogo permanente com os empresários. Ele cita alguns frutos disso, como a vinda da Bauducco para Mogi.  Informa ainda que a Prefeitura também está em constante diálogo com a AGFE e que foi montado um grupo de trabalho com seus membros para discutir o desenvolvimento econômico da cidade.

“Estamos bastante empenhados nessa consolidação das estratégias efetivas em um amplo diálogo para atrair pessoas que possam também nos apoiar nesse movimento. O desenvolvimento econômico acontece quando se cria um ambiente não só de discussão, mas em que as ações sejam conectadas”.

Outro desafio é a questão social. Hoje a cidade tem 18% aproximadamente da população como beneficiária do programa Bolsa Família. São mais de 100 mil pessoas na cidade que estão  na linha da extrema pobreza, ter renda até R$ 105 por mês. “Esse fenômeno é porque crescemos e atraímos muita gente de fora de Mogi”, aponta.

Para melhorar esse quadro, ele afirma que mais do que um programa de transferência de rendas, o objetivo é investir em jovens, desenvolver programas sociais, oferecer capacitação para que tenham melhores perspectivas de vida em Mogi no futuro. 

Para isso, a Prefeitura está oferecendo o curso Empodera Juventudes a jovens de 15 a 24 anos, estudantes ou egressos de escolas públicas. São 250 vagas e as aulas serão realizadas em diversas regiões da cidade, por meio do Empodera. 

 

Primeiros passos

Apesar de a Mogi de 500 anos parecer muito distante,  o que demandaria um projeto de longuíssimo prazo, a Prefeitura já promove algumas ações para iniciar esse processo desde agora.  Saindo um pouco da teoria para dar exemplos práticos adotados pelo governo municipal, Lucas cita o  investimento em equipamento como o Vagalume (antigo Pró-Criança), que foi ampliado para atendimento às crianças. Mas, o desafio  será melhorar a atenção primária e ampliar os serviços. Já há medidas concretas nesse sentido, como a reforma da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Botujuru.

Ele aponta também a ampliação do atendimento e descentralização do Pró-Hiper, destinado aos idosos. Os estudos confirmaram também o déficit habitacional de 15 a 20 mil moradias no município, que criou a Secretaria Municipal de Habitação para ajudar a elaborar projetos e viabilizar recursos para atender à demanda. 

A segurança pública está incluída nesses estudos e, apesar de Mogi  não ser considerada uma cidade violenta, as pessoas ainda não têm a sensação de segurança. Para mudar essa percepção, o município decidiu ampliar o efetivo da Guarda Municipal com a criação de 148 novos cargos. Também está investindo na construção do Centro Integrado de Inteligência, no Socorro.

Na área de mobilidade, está sendo executado o programa Viva Mogi, Em César de Souza, com uma série de obras na região Leste da cidade. Existe ainda uma preocupação com a revitalização da áreas central e com a reforma das estações ferroviárias.

O meio ambiente deve receber atenção especial, já que a cidade precisa preservar o seu patrimônio natural e discutir o  uso da água, retirada das represas do município para abastecer São Paulo. Outras metas: zerar a fila por creches e garantir ensino em período integral para todos os alunos da rede.  A Escola Viva Jundiapeba, o maior complexo educacional da cidade,  será um polo de desenvolvimento do distrito, atendendo a toda comunidade.

 

 

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