NotreDame descredencia clínicas e consultórios de ginecologia em Mogi
O Grupo NotreDame Intermédica (GNDI) decidiu descredenciar diversos consultórios e clínicas da cidade que atendem ginecologia e obstetrícia adulto e infantil a partir do dia 15 de outubro. Muitas delas já estão com atendimento suspenso há algumas semanas, desde que foram surpreendidas com o comunicado da empresa de medicina privada informando sobre o rompimento do […]
28/09/2021 17h31, Atualizado há 59 meses
O Grupo NotreDame Intermédica (GNDI) decidiu descredenciar diversos consultórios e clínicas da cidade que atendem ginecologia e obstetrícia adulto e infantil a partir do dia 15 de outubro. Muitas delas já estão com atendimento suspenso há algumas semanas, desde que foram surpreendidas com o comunicado da empresa de medicina privada informando sobre o rompimento do convênio.
A decisão provoca reclamações por parte dos pacientes, especialmente de gestantes que estão no meio do pré-natal e terão o acompanhamento médico que vinham recebendo interrompido.
Diversos pacientes em tratamento médico, muitos deles com pedidos de exames, reclamam da decisão do grupo, que notificou as clínicas e centros que realizam diagnósticos de imagem e som, mas ainda não informou a decisão aos seus conveniados.
“É um absurdo a NotreDame, que representa um dos convênios mais tradicionais e antigos da cidade que é a Samed, que sempre teve credibilidade, resolva tomar uma atitude como essa sem avisar os pacientes”, critica uma das pacientes gestantes que prefere não se identificar.
Apesar de tratar de empresa de medicina privada, a paciente alega que adquiriu o plano com a promessa de que poderia contar com atendimento em diversas clinicas conveniadas da cidade, o que vai deixar de acontecer.
A Prefeitura de Mogi, conveniada com o grupo NotreDame, que atualmente atende mais de 13 mil vidas, considerando servidores ativos e aposentados, informa que manterá conversações com a Notre Dame com o objetivo de reduzir o impacto dessa medida junto aos servidores da administração municipal.
A empresa tem se negado a esclarecer os questionamentos feitos por O Diário sobre as mudanças no plano de saúde para explicar os motivos dos descredenciamentos. Porém, nesta terça-feira (28), encaminhou uma nota para informar que “o Grupo NotreDame Intermédica (GNDI) avalia continuamente sua rede de atendimento visando dar total assistência de qualidade aos seus usuários, contando para isto com rede própria e credenciada. Oportunamente faz ajustes na rede a fim de melhorar esta assistência.”
Não comenta, porém, esse descredenciamento e nem se é uma decisão definitiva.
Impactos
As clínicas também dizem que estão sendo prejudicadas com a medida. A Musa, por exemplo, é um dos locais que enfrenta o problema especialmente com gestantes. A direção explica que a maioria das pacientes não sabe dessa nova determinação da Notredame e nem tem informações sobre como vai ser o atendimento a partir de agora.
A direção da Musa diz que a está tentando encontrar uma maneira de, pelo menos, concluir alguns casos para evitar problemas para as pacientes que estão prestes a ter o bebê. Orienta também as pessoas a procurar o Grupo da Intermédica para cobrar explicações.
O que se observa é que descredenciamento, que vai ampliar a partir do dia 15 de outubro, já teve início neste mês também em consultórios médicos, que atendem ginecologia e obstetrícia. A previsão dos é de que o processo vai avançar em outras áreas de especialidades e serviços, que passariam a ser realizados por um corpo de profissionais contratados pelo próprio GDI no prédio onde funcionava a antiga Samed, no Jardim Santista.
Existe também um questionamento a respeito da concentração de todo atendimento em um só local, porque que levaria um grande número de pessoas para a disputa da agenda de médicos, uma situação complicada neste período de pandemia.
Planos Descredenciados
Os planos mais atingidos são os contratados pela Samed Standard e Smart 200, que são os de menor cobertura de serviços médicos e hospitalares e que representam o maior número de carteira de clientes da empresa. Ou seja, é uma medida que terá grande impacto na rede de saúde da cidade.
Ainda sobre o GNDI, há comentários de que diversas empresas do município estariam descontentes com o atendimento e estudam a contratação de outras empresas de medicina.
Uma pesquisa ao site da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que a Notredame é quarta empresa de saúde privada do pais que mais recebe reclamações por parte dos usuários do convênio. Confira no http://www.ans.gov.br/indicedereclamacoes/detalhesOperadora.asp
Servidores Municipais
A Coordenadoria de Recursos Humanos da Prefeitura de Mogi das Cruzes confirma que recebeu a notícia sobre a decisão da empresa no dia 14 de setembro de 2021, e informa que atualmente são atendidas 13.011 vidas pelo convênio, envolvendo servidores ativos e aposentados, a maioria contratada pela antiga Samed.
A medida que por enquanto atinge especialidade de ginecologia e obstetrícia, representa a minoria dos servidores. “Devem ser afetadas com a medida cerca de 800 mulheres e crianças. Nem todas são servidores, podendo também ser dependentes ou agregados”, detalha.
Mas, apesar de alegar que prática de descredenciamento e credenciamento de novas unidades médicas seja comum, a Coordenadoria de Recursos Humanos diz que manterá conversações com a NotreDame com o objetivo de reduzir o impacto dessa medida junto aos servidores da Prefeitura de Mogi das Cruzes.
“Vale lembrar que a adesão dos servidores ao plano de saúde da Notre Dame é um benefício oferecido aos funcionários, mas tem caráter opcional. Os servidores podem buscar outros planos que melhor atendam suas necessidades”, enfatiza em nota encaminhada à O Diário.