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O adeus a Miled; veja o último vídeo com o amigo Paulo Pereira

Homenagens do Tiro de Guerra de Mogi das Cruzes, representando o Exército Nacional, e de integrantes da Associação Pró-Festa do Divino de Mogi marcaram o velório do expedicionário e professor mogiano Miled Cury Andere, antecedendo o sepultamento, no Cemitério São Salvador, que sofreu algum atraso em virtude da chuva que caía naquela região da cidade. […]

Por O Diário
16/01/2021 16h06, Atualizado há 67 meses

Homenagens do Tiro de Guerra de Mogi das Cruzes, representando o Exército Nacional, e de integrantes da Associação Pró-Festa do Divino de Mogi marcaram o velório do expedicionário e professor mogiano Miled Cury Andere, antecedendo o sepultamento, no Cemitério São Salvador, que sofreu algum atraso em virtude da chuva que caía naquela região da cidade.

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Marcado inicialmente para as 14 horas, o féretro demorou pelo menos meia hora para deixar o Velório Cristo Redentor, até que a chuva possibilitasse a saída do cortejo em direção ao mais antigo cemitério de Mogi.

Um grupo de atiradores do TG 02-052 esteve em forma ao lado do Velório para as solenidades de reconhecimento à importância de Miled para o Pais. Em nome do Exército Nacional – já que Miled era um “herói de guerra”, por ter combatido na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial –, uma Bandeira Nacional foi colocada sobre o seu caixão, junto com uma bandeira do Rotary Clube. Os familiares de Miled também foram homenageados em nome do Exército.

Outro emocionado preito veio de seus antigos companheiros da Associação Pró-Festa do Divino, do qual ele era um dos ativos participantes. Os devotos do Divino Espírito Santo saudaram o velho amigo cantando músicas que lembravam a mais tradicional manifestação folclórico-religiosa da cidade, que contou sempre com o apoio do Miled, um fervoroso devoto do santo e frequentador assíduo das missas da Catedral e do Santuário do Bom Jesus, localizado nas proximidades de sua residência, no bairro do Shangai.

Nos últimos tempos, Miled esteve afastado dessas atividades em razão de pertencer ao grupo de risco e de se precaver, ficando em casa, para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

Aos 100 anos, completados durante o dia 25 de dezembro, Natal do ano passado, o expedicionário foi uma pessoa extremamente querida e respeitada na cidade.

Amizade sincera

Antes do início da pandemia, que obrigou os mais idosos a um longo período de quarentena Miled era um assíduo freqüentador da residência de Paulo Pereira de Carvalho, seu companheiro da Segunda Guerra Mundial. 

Unidos pela guerra, os dois sempre foram grandes amigos, que gostavam de se encontrar principalmente aos domingos, quando Paulo de Carvalho,  cozinheiro de mão cheia, costuma promover memoráveis almoços em sua residência, com a participação de amigos e familiares.

As confraternizações eram realizadas quase sempre ao som do violão de João Courinho,  que acompanhava Miled, um antigo integrante do Coral Primeiro de Setembro, em antigas canções e principalmente, na Canção do Expedicionário, que lembra a participação dos pracinhas brasileiros na campanha da Itália, na Segunda Grande Guerra.

Com a morte de Miled, Paulo de Carvalho é hoje o único representante de um grupo de mais de 400 expedicionários que foi convocado, somente em Mogi das Cruzes, para lutar contra o fanatismo de Hitler e seus aliados nos campos gelados da Itália.

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