O Diário completa 63 anos de trabalho em favor de Mogi e região
Ao completar 63 anos de fundação, o jornal O Diário de Mogi vive um dos maiores desafios de sua existência: a consolidação de um novo modelo adotado para assegurar aos seus leitores a agilidade e rapidez que o atual momento requer de um veículo de comunicação. Ao trocar o demorado e já ultrapassado processo de […]
13/12/2020 11h52, Atualizado há 67 meses
Ao completar 63 anos de fundação, o jornal O Diário de Mogi vive um dos maiores desafios de sua existência: a consolidação de um novo modelo adotado para assegurar aos seus leitores a agilidade e rapidez que o atual momento requer de um veículo de comunicação. Ao trocar o demorado e já ultrapassado processo de produção do jornal em papel pela rapidez da internet e suas diferentes plataformas, o jornal buscou se adequar às exigências que o mundo moderno impõe a um jornal que se moderniza, mas sem jamais perder a sua essência de defesa intransigente dos reais interesses de Mogi das Cruzes e região, mantendo-se como um guardião atento às necessidades e aspirações da comunidade que ele representa.
Mesmo se ajustando aos tempos modernos, o jornal permanece atento e fiel aos ideais de seus fundadores – o jornalista Tirreno da San Biagio, o Tote, e sua esposa, Neid – expressos no editorial de sua primeira edição, que chegou às bancas naquele distante 13 de dezembro de 1957. A partir daquele dia, os dois jovens sonhadores firmaram uma espécie de pacto em defesa da cidade e sua gente, que vem sendo cumprido à risca, década após década, pelo jornal permanentemente alinhado à proposta de caminhar lado a lado com os interesses comunitários de Mogi das Cruzes e cidades vizinhas. Ações que incentivaram os filhos Tulio e Spartaco a levarem adiante seus projetos.
Desde sua fundação, o jornal passou por uma série de mudanças, buscando sempre o aprimoramento e atualização de seu parque gráfico e a qualidade do material impresso entregue diariamente às bancas e seus assinantes, ao mesmo tempo em que buscava estreitar cada vez mais o seu compromisso com leitores, por meio de campanhas que marcaram, de maneira decisiva, a sua história.
Na memória dos mogianos mais antigos, está a ação de um grupo de empresários, liderado por Tirreno Da San Biagio, que percorreu as indústrias e o comércio local com um livro de ouro, recolhendo ajuda para a implantação na cidade de uma unidade do Corpo de Bombeiros, algo essencial para uma Mogi que dava passos vigorosos no caminho de seu crescimento.
Décadas depois, já com a cidade se verticalizando e com o surgimento dos grandes edifícios, coube ao próprio Tote utilizar a força de seu jornal para cobrar do governador Geraldo Alckmin uma escada Magirus para o Corpo de Bombeiros local. O governador disse, à época, que não dispunha de um equipamento novo, mas que se Mogi topasse consertar, havia uma escada daquele tipo que poderia ser cedida para a cidade.
Novamente o jornal topou o desafio e, juntamente com a Regional do Ciesp, Associação Comercial e Prefeitura, conseguiu-se o dinheiro necessário para os reparos na Magirus que, até hoje, é motivo de orgulho e sinal de eficiência do Corpo de Bombeiros local.
O jornal, que surgiu modesto, num pequeno espaço da rua Barão de Jaceguai, logo ganhou sede própria, na rua Ricardo Vilela, num prédio especialmente projetado para receber sua redação, parque gráfico e ainda a antiga Rádio Marabá, que depois passaria a se chamar Rádio Diário de Mogi.
À medida que se modernizava, o jornal se mantinha atento às questões da cidade, estando ao lado do prefeito Waldemar Costa Filho na abertura da Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, duas rodovias importantes para o desenvolvimento de Mogi.
Tirreno gostava de lembrar como a atuação do jornal, sempre ao lado dos munícipes da cidade, impediu que tivesse sucesso uma tentativa de emancipação do distrito de Braz Cubas, lançada por um grupo de políticos aventureiros muito interessados na criação de um novo município com muitos cargos a serem preenchidos, mas sem pensar no desastre que aquilo poderia representar para Mogi das Cruzes e até para a nova cidade que, porventura, viesse a ser criada.
O saudoso Ricardo Strazzi ainda era presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Mogi, quando uma tempestade arrancou praticamente todo o telhado da escola que atendia crianças e adultos excepcionais de Mogi e região.
Na redação de O Diário, sempre com o aval de Tote, que fazia questão de participar do dia a dia do seu jornal, surgiu a ideia de uma campanha em favor da instituição.
Os resultados do trabalho de O Diário, que criou um selo especial para marcar as reportagens sobre a campanha, puderam ser medidos na conta bancária aberta especialmente para arrecadar donativos em favor da reconstrução da Apae. O selo que marcava as reportagens se transformou em adesivos para automóveis e foi estampado em camisetas, vendidas em favor da campanha pelos voluntários da própria instituição, que logo conseguiu recuperar o seu telhado inteiramente avariado.
E foram muitos outros trabalhos em favor da cidade, mas poucos comparáveis à campanha realizada pelo jornal em favor da duplicação da rodovia Mogi-Dutra. A estrada de pista simples, aberta em meio à Serra do Itapeti pela Prefeitura de Mogi, se tornou perigosa ao extremo à medida que o tráfego de veículos crescia, com o desenvolvimento de Mogi e região. Os acidentes que ceifavam vidas eram quase diários e o jornal passou a cobrar insistentemente o governo do Estado em relação à duplicação.
A insistência era tanta que, certo dia, ao visitar Mogi, o governador Mário Covas, se vendo diante da repórter Silvia Chimello, chegou a lhe indagar: “Ué, você hoje não vai me perguntar nada sobre a duplicação da Mogi-Dutra?”
Covas começou, mas coube a Geraldo Alckmin entregar o trecho inicial, entre o bairro da Ponte Grande e o trevo de acesso à Rodovia Ayrton Senna, na região do Taboão.
O jornal passou a cobrar, então, a complementação da obra, só iniciada depois de muita postergação, por diferentes fatores. E não é que no momento em que a segunda etapa da duplicação estava prestes a ser entregue, surge uma nova notícia – um alerta feito por este mesmo jornal – de que mais de 1 km final da via não teria pista duplicada por desencontros numa desapropriação do terreno?
O jornal voltou a levantar a voz, junto com os representantes da cidade, e não demorou para que o superintendente do DER visitasse a sede do Grupo Diário para anunciar a construção de um desvio que garantiria a complementação da duplicação.
Outro marco na história recente de O Diário foi a campanha para impedir que o poderoso grupo empresarial Queiroz Galvão instalasse um lixão no bairro do Taboão, que comprometeria de vez os planos de industrialização daquela área da cidade. Foi uma verdadeira batalha que envolveu representantes dos mais diferentes segmentos de Mogi , os quais criaram uma frente contrária ao empreendimento que acabou mesmo não saindo, para tranquilidade dos moradores do Taboão e do restante da cidade envolvido no grande movimento.
O jornal também marcou presença para evitar que os centenários trens de subúrbio, uma conquista da região, dessem lugar a um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), uma espécie de bonde que correria sobre os trilhos da zona Leste da Capital.
Também marcou posição contrária à instalação de um segundo Centro de Detenção Provisória (CDP), ou Cadeião, que o ex-governador José Serra, o mesmo do VLT, queria impingir à cidade. E também, sempre junto com a comunidade e seus representantes, conquistou a vinda do Expresso Leste até a Estação Estudantes, em todos os horários cumpridos pela composição, algo que pôs fim às incômodas baldeações nas viagens de ida e volta para São Paulo.
Nas mais recentes batalhas, o jornal teve a seu lado um reforço importante, a TV Diário, emissora afiliada da Rede Globo de Televisão, que desde o dia 1º de maio de 2000, data de sua inauguração, atua na cobertura dos fatos de Mogi das Cruzes e região.
Mas a mudança mais radical da história do jornal O Diário, com seu ingresso definitivo na era digital, não pôde ser testemunhada por seu fundador, o jornalista Tirreno Da San Biagio, que faleceu em outubro de 2015. Seus filhos, Spartaco e Tulio Da San Biagio, conduziram e continuam à frente de todo o processo.
E uma prova de que o jornal, mesmo se modernizando, não se afastou de seu espírito comunitário, pôde se visto logo na primeira edição, após a mudança: em sua manchete principal, lá estava O Diário saindo em defesa da extensão até César de Souza dos trens de subúrbio da CPTM, uma outra antiga aspiração da cidade.
A empresa estatal, é claro, colocou todos os empecilhos possíveis à novidade. Assim como seu jornal, a população de Mogi das Cruzes já está acostumada a receber esse tipo de resposta. Os mogianos sabem que a continuidade dessa luta vai acabar alcançando resultados positivos. Sabem também que poderão contar sempre com a presença do jornal O Diário a seu lado. Nesta e outras batalhas que certamente virão.