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Paciente com fratura no fêmur espera cirurgia há 37 dias na Santa Casa de Mogi

Nilton Carlos Mendes, de 54 anos, aguarda na Santa Casa de Mogi das Cruzes por uma operação no fêmur há 37 dias. A cirurgia requer uma prótese de cerâmica e, de acordo com o paciente, não se sabe ao certo se a unidade de saúde chegou a realizar o pedido do produto. O Diário solicitou […]

Por O Diário
03/01/2023 13h48, Atualizado há 43 meses

Nilton Carlos Mendes, de 54 anos, aguarda na Santa Casa de Mogi das Cruzes por uma operação no fêmur há 37 dias. A cirurgia requer uma prótese de cerâmica e, de acordo com o paciente, não se sabe ao certo se a unidade de saúde chegou a realizar o pedido do produto. O Diário solicitou um posicionamento sobre o caso ao hospital e à Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo relato de Nilton, a fratura surgiu após uma queda enquanto brincava com os filhos em uma chácara de Arujá, no dia 27 de novembro. Ele foi socorrido pelo SAMU, que o levou diretamente a Santa Casa. No hospital, através de exame de raio-x, foi constatada a fratura de colo de fêmur.

“Eu não tenho tido nenhuma informação por parte da direção do hospital referente ao procedimento cirúrgico e tão pouco sobre a prótese necessária para a cirurgia. O que me falam é que não tem a prótese aqui e que tem de aguardar, sem mais detalhes”, comentou o paciente.

Nilton enfatizou a falta de esclarecimentos por parte do hospital, que, segundo ele, não disponibiliza informações concretas sobre como estaria o processo de espera para a transferência pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS).

“Cheguei a questionar para os médicos se, a Santa Casa realmente é referência nesses casos, porque é que eu estou aguardando por uma transferência? Então, eles dizem que é preciso a prótese para a operação, mas quando pergunto se foi solicitado e quanto tempo levará para chegar, eles desconversam”, detalhou Nilton.

Devido aos quase dois meses no hospital, o paciente começa a ver outras complicações na saúde.

“Tentamos solicitar um relatório para que o médico colocasse que eu precisava de uma cirurgia urgente e que quanto mais tempo demorasse, poderia ter sequelas. Ele simplesmente colocou nesse relatório que meu caso não era urgente e listou alguns casos de mais urgência. Acontece que semana passada eu comecei a tomar um anticoagulante, porque eu estou muito tempo parado e era preciso intervir para evitar com que eu tivesse trombose. Ou seja, como não é urgente?”, questionou Nilton.

Além do tratamento para evitar a trombose nas pernas por conta do longo período deitado e imóvel, o paciente falou, durante a entrevista, sobre os efeitos emocionais/psicológicos.

“Comecei a tomar remédio para depressão. Tem quatro dias que estou tomando Diazepam para me ajudar a dormir, pois na semana passada tive duas crises. Do nada, estava bem e começava a chorar, tinha calafrios, entrei em parafuso. O que está me segurando mesmo esses dias diante de tudo isso, é esse medicamento”, explicou.

Angustiado e sem respostar concretas, Nilton afirma estar sem perspectivas para conseguir sua cirurgia ou a transferência para um hospital que tenha a prótese para essa operação.

Casos comuns

Assim como a impressão passada ao paciente Nilton, quando os médicos informaram a ele, segundo contou a O Diário, que há pessoas que aguardam ainda mais tempo para uma cirurgia, diversas publicações deste jornal falam sobre a falta de fluidez nos atendimentos.

Em setembro do ano passado, O Diário contou sobre o caso do aposentado Edson Bonifácio da Cunha, de 74 anos, que esperou mais de três meses por uma prótese, também para o fêmur, para a realização de uma cirurgia. O idoso chegou a ter piora no quadro de saúde devido a uma infecção urinária durante o período que esteve internado.

Quando o assunto se refere às vagas de transferência através da CROSS, a ocorrência mais emblemática e trágico foi registrada no ano passado: a morte do menino João Victor Delfino Gabriel, de 11 anos, vítima de uma picada de cobra.

A situação do garoto chegou a ser pauta de reunião solicitada pela Câmara Municipal de Vereadores, junto com o, então secretário de saúde, Zeno Morrone, para que fosse tratado a demora na liberação de vaga.

O Diário questionou a Santa Casa de Mogi para um posicionamento sobre o caso do paciente Nilton, e também a Secretaria de Saúde do Estado.

O Estado informou através de nota que, “no momento, não consta pendência em nome do paciente na regulação estadual”, orientando à reportagem a procurar o serviço de origem. Portanto, após orientação, a Prefeitura de Mogi foi questionada sobre o caso, e este jornal aguarda resposta para atualização da matéria.

A Santa Casa até o momento desta publicação não retornou ao contato.

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