Pandemia diminui taxa de natalidade e aumenta mortes em Mogi
A pandemia de Covid-19, iniciada em março de 2020, muda o cenário de nascimentos e mortes em Mogi das Cruzes. Segundo o Portal da Transparência do Registro Civil, em 2020 foram contabilizados 2.193 nascimentos nos quatro primeiros meses do ano na cidade, sendo que desde o início de janeiro a 28 de abril de 2021, […]
01/05/2021 08h27, Atualizado há 63 meses
A pandemia de Covid-19, iniciada em março de 2020, muda o cenário de nascimentos e mortes em Mogi das Cruzes. Segundo o Portal da Transparência do Registro Civil, em 2020 foram contabilizados 2.193 nascimentos nos quatro primeiros meses do ano na cidade, sendo que desde o início de janeiro a 28 de abril de 2021, nasceram 1.963 – 230 a menos (10,5%).
Já no caso das mortes, houve 1.349 no primeiro quadrimestre de 2020 e 1.911 de janeiro deste ano até a última quarta-feira (28) – acréscimo de 562 (41,7%).
A realidade local segue a tendência nacional. De janeiro a abril de 2020, o Brasil registrou 874.883 nascimentos, sendo que até o momento, em 2021, este número foi de 835.866 – queda de 4,5%. No levantamento de mortes, foram 472 mil óbitos no mesmo período de 2020 contra 599.284 em 2021, o correspondente a 27% de aumento.
“A queda na taxa de natalidade e o aumento na mortalidade não são problemas regionais, mas nacionais. Os dados estatísticos mostram que o número de nascimentos já vinha em queda desde 1990. No início da pandemia, esperava-se um baby boom, por conta dos casais em casa por mais tempo, mas não ocorreu. Também é preciso lembrar que os óbitos tendem a crescer em uma pandemia, a exemplo da peste negra, que matou um terço da população. Como estamos neste momento e comparando os números de mortes deste ano e do ano passado, isso também era esperado”, explica o professor de Matemática da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Robson Rodrigues da Silva.
Outros fatores e impactos da pandemia podem ter incidência no aumento de óbito, como o agravamento do quadro e aumento de mortes de pacientes com doenças crônicas, por falta de tratamento. “Se compararmos as taxas de natalidade e mortalidade, há uma série de variáveis, além do conteto sanitário e econômico afetado pela pandemia. Em todo o país, as curvas de nascimentos e mortes se aproximam e, se a pandemia seguir este ritmo, irão se cruzar em junho. Mesmo que se entre em um platô, ele ainda será de um volume alto de mortes, então, a tendência é que de o número de óbitos ultrapasse o de nascimentos”, prevê o especialista.
Falta de diagnóstico e de tratamento eleva óbitos
Mogi das Cruzes é o 17º município entre os 645 do Estado de São Paulo com maior letalidade de Covid-19 – taxa de 4,8%, segundo boletim da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).
O biomédico, ex-secretário de Saúde de Mogi e diretor do Hospital Santa Maria, em Suzano, Marcello Cusatis, o Téo, explica que a pandemia aumenta os óbitos, mas existe também a falta de cuidado das pessoas que deixam de fazer exames para obter diagnósticos e de seguir tratamentos para doenças crônicas.
“Há pacientes que deixaram de cuidar da doença renal crônica, hipertensão, problema cardíaco, além da demora de diagnóstico de uma possível tumoração. Postergar tratamento, a demora em diagnósticos e não conseguir a intervenção necessária contribuem para elevar as mortes”, diz.
Ele lembra que, enquanto as mortes por doenças de causas externas, como acidentes, tiros, facadas, entre outras, tiveram queda, os óbitos por doenças cardiocirculatórias e pulmonares e cânceres aumentaram. “Há mecanismos para atender com segurança as patologias que não podem esperar. Senão, esta conta vai extrapolar e sobrecarregar os sistemas de saúde público e privado”, alerta.
Crise de saúde e econômica adia os planos de casais
A crise de saúde causada pela pandemia de Covid-19, com suas questões sanitárias e econômicas, e o receio das mulheres de ficarem grávidas neste momento contribuíram para a diminuição da taxa de natalidade em Mogi das Cruzes, assim como em todo o país.
“A pandemia afetou quem está em uma união estável, casado ou não, e havia planejado ter filhos. Isso foi reprogramado para mais adiante”, explica o biomédico Marcello Cusatis.
Ele explica que, de acordo com os dados das vigilâncias sanitárias, há uma queda de 24% na taxa de natalidade no Brasil, com 443 mil nascimentos nos quatro primeiros meses de 2020 e 336 mil no mesmo período de 2021.
Os números das vigilâncias podem apresentar diferença em relação aos dos cartórios, já que os nascimentos têm prazo de 15 dias para registro.
Desafio na saúde
Um dos grandes desafios da saúde na pandemia, segundo o biomédico Marcello Cusatis, é a organização da fila por cirurgias vasculares, , ortopédicas, de cataratas, mamografias, biópsias e outros procedimentos. “Se os gestores não começarem a planejar agora, haverá sufocamento no sistema de saúde”, alerta.