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Rota Imperial cria traçado seguindo os passos de D. Pedro I em Mogi e região

Na viagem que fez antes de o Brasil se tornar indepente de Portugal, em agosto de 1822, ainda  príncipe regente, dom Pedro I do Brasil (1798-1834) percoreu vilas entre o Rio de Janeiro e São Paulo em busca de apoio político. Percorreu, portanto, a região do Alto Tietê, com paradas em Guararema, Mogi das Cruzes […]

Por O Diário
25/09/2021 10h36, Atualizado há 56 meses

Na viagem que fez antes de o Brasil se tornar indepente de Portugal, em agosto de 1822, ainda  príncipe regente, dom Pedro I do Brasil (1798-1834) percoreu vilas entre o Rio de Janeiro e São Paulo em busca de apoio político. Percorreu, portanto, a região do Alto Tietê, com paradas em Guararema, Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba, e utilizou  antigos caminhos que interligam as vilas daqueles tempos. 

Onde dom Pedro passou? Onde dormiu? O que viu e conheceu desse reino?

A história e a tradição oral ainda conectam respostas mais precisas para essas questões. Com o que já se sabe, essas cidades, com Mogi das Cruzes à frente desse projeto, estão preparando o lançamento oficial da Rota Imperial, que pode se tornar realidade, com o mapeamento e totens explicativos sobre essa viagem até 2022, ano de celebração dos 200 anos da Independênca do Brasil.

Na defesa do projeto da Rota Imperial está o professor e historiador Glauco Ricciele,  diretor de Fomento e Patrimônio de Mogi das Cruzes. Ele  partilha que essa ideia surge da necessidade de se criar um percurso planejado, que reconstruísse o caminho entre São Paulo e o Rio de Janeiro, “tão utilizado por tropeiros, personalidades históricas e muitas outras pessoas”.

 O plano destaca, “acabou associado à comemoração dos 200 anos da Independência do Brasil, que será celebrada em 2022. É uma demanda antiga trabalharmos essa temática e resolvemos agora viabilizá-la e cuidar do planejamento, para que ela seja concretizada no ano que vem”. 

Esse trajeto dos tempos do Império terá início em Guararema, na icônica Igreja Nossa Senhora da Escada, e passará por Mogi das Cruzes (Catedral de Santana e Igrejas do Carmo), Suzano, Poá e terminará em Itaquaquecetuba, na Igreja Nossa Senhora D’Ajuda. 

Em Mogi das Cruzes, o trajeto será entre Sabaúna e Jundiapeba, onde os registros mostram a conexão usada no passado.

Na cidade, serão sinalizadas avenidas como a rua Ipiranga, que no passado era a via de saída da cidade rumo a São Paulo e também trechos do Centro Histórico (igrejas, museus, monumentos).

Para orientar os interessados em fazer o mesmo caminho ou desbravadores da história que apenas vão conferir os trechos, a Prefeitura planeja “desvios em função de impeditivos, como o fato de a rua ter uma mão de direção diferente da original, ou então por se tratar de uma área hoje particular. Porém o trajeto será cumprido o mais próximo possível do original e o caminho completo será disponibilizado para consulta online de todos os interessados”.

Como acontece em outros pontos do mundo, onde rotas norteiam caminhantes e a rede de negócios, comércio e turismo que esse tipo de atrativo fomenta, ela promete ser devidamente identificada, com o apoio, das demais prefeituras. 

Segundo Ricciele, o projeto já foi apresentado em agosto, durante reunião de um grupo de trabalho do Condemat  (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê) e será novamente discutido em uma assembleia geral do consórcio. Depois, deverão ser firmadas as parcerias com os outros municípios. 

 

Informação
Como já começa a ser realizado pela Prefeitura de Mogi, para o roteiro imperial, o viajante terá à disposição a consulta online, placas e QR Codes que darão acesso a vídeos, informações, fotos e outros registros para “contribuir para que o conhecimento a respeito do trajeto seja transmitido de forma didática”.  

O historiador acredita que esse projeto tem “altíssimo potencial turístico, tendo em vista que Mogi das Cruzes é uma das cidades mais antigas do Brasil e possuía, no passado, um território muito amplo, que ia desde a região de São Miguel Paulista até o Vale do Paraíba. Existe um apelo histórico muito grande também, o que contribui para atrair turistas e isso vem a somar com a variedade já existente na cidade de atrativos turísticos”. Não se fala, ainda, em valores e benefícios a serem gerados.
Mogi das Cruzes é a 13ª cidade mais antiga do País.

No distrito de Sabaúna, como já acontece com a Rota da Luz, mas no caminho inverso, pontos como a estrada Velha de Sabaúna, a estação ferroviária, e outros, poderão ganhar destaque e incrementar os recursos de áreas como comércio, alimentação e artesanato.

Já em Mogi, aposta o professor, “no Centro Histórico, existem os museus. Tudo isso se beneficiaria diretamente”.

Novidade da gestão do prefeito Caio Cunha, ainda não há um detalhamento, por exemplo, sobre os custos da criação desse atrativo. 
“Toda a questão de custos envolvidos com o projeto ainda será levantada e debatida, em parceria com os municípios participantes”, resume Ricciele.

 

A cama do conde
No acervo do Museu Visconde de Mauá 

Dos tempos do imperador, Mogi das Cruzes tem registros como uma das últimas bandeiras do Império, que chegou à cidade, alguns anos após a passagem de dom Pedro por aqui. Há uma cama, que muitas pessoas juram que aconchegou dom Pedro na visita feita a Mogi.

Isso é mito. A cama pertenceu mesmo foi ao conde de Sardezas, Bernardo José de Lorena, que foi o governador da Capitania de São Paulo. Ela foi doada ao Museu Visconde de Mauá pelo Governo do Estado na década de 1940. 

 

O que dom Pedro viu quando passou por Mogi

A  imagem acima é uma das pinturas do pintor austríaco Thomas Ender, de 1817, e mostra o início do povoamento de Mogi das Cruzes. Tema que será divulgado um pouco mais a quem embarcar na Rota Imperial, prevista para ser finalizada no ano que vem.

Na figura, essa pequena capela em destaque é a de Santa Cruz, na rua Dr. Ricardo Vilela, de onde parte a Entrada dos Palmitos, em dias de Festa do Divino Espírito Santo, em direção à região central, onde estão as três outras igrejas da cidade, o Santuário do Senhor Bom Jesus, popularmente celebrado como Igreja de São Benedito, a Catedral de Santana, e o conjunto secular das Igrejas das Ordens Primeira e Terceira do Carmo, onde, segundo alguns estudiosos, dom Pedro pode ter visitado ou até pernoitado – aqui, no entanto, há controvérsia, porque alguns estudiosos dizem que ele passou a noite em Sabaúna.

A Rota Imperial irá demarcar  o traçado da imagem acima.

O professor Glauco Ricciele esclarece que o antigo traçado entre São Paulo e o Rio de Janeiro passava pelo córrego Lavapés, entre o shopping e a Universidade de Mogi das Cruzes, seguia pela Capela de Santa Cruz, entrava nas ruas Dr. Corrêa e José Bonifácio, entrava no o Beco da Lapa, ao lado do Museu Guiomar Pinheiro Franco – passando antes pela Catedral e onde está hoje a escola Coronel Almeida – e seguia para a rua Ipiranga, na lateral do Instituto Dona Placidina.

Da rua Ipiranga, o caminho ia em frente até Suzano (que pertencia a Mogi) e Itaquaquecetuba, onde o principal marco era a Igreja Nossa Senhora da Ajuda, uma das mais antigas do Estado. Nesse pontilhado, lugares aleatórios devem receber os totens que vão orientar os caminhantes com um menu de dados e curiosidades sobre o rota cumprida pelo imperador. 

 

As rotas da Luz e do Sal

Caminhos que ligam Mogi a Aparecida e ao ABC atraem adeptos de caminhadas, corridas e passeios 

O caminho Imperial se integra às rotas da Luz e do Sal criadas no encalço da tendência de se valorizar trajetos cumpridos por peregrinos, caso dos que são movidos pela fé e a religião, e por milhares de adeptos de caminhadas, corridas e passeios de bike e moto.

Mogi das Cruzes, com seu território que faz divisa com as regiões do Vale do Paraíba, Litoral e o ABC (caso de Paranapiacaba, onde termina a Rota do Sal), é terreno profícuo para isso.

Há ainda outros traçados que podem ser descobertos e mapeados em regiões das serras do Itapeti e do Mar, por onde índios e, posteriormente, tropeiros também bateram o pé. Todos se encontram de alguma forma e possuem como atrativos a história que vai além dos registros antigos, como as pinturas de Thomas Ender sobre o povoamento de Mogi das Cruzes.

A Rota da Luz se prepara e espera receber ainda mais visitantes após o hiato criado pela pandemia.

Outubro, mês de Nossa Senhora Aparecida, é o período de maior convergência de peregrinos, mas ela tem se sustentado (sem contar com o último um ano e meio) por muitos grupos que passaram a descobri-la, após o Governo do Estado planejar a rota como uma alternativa mais segura à Via Dutra, sobretudo neste período do ano.

À semelhança do Caminho de Santiago de Compostela (veja, se não conferiu, reportagem especial publicada por este jornal no final de semana passado), a Rota da Luz possui uma rede de pontos para os carimbos no passaporte de passagem e uma rede de restaurantes e pousadas de suporte ao caminhante.

Segundo Ubirajara Nunes, atual presidente da Associação dos Amigos da Rota da Luz, o trajeto se fortaleceu com uma maior apropriação dos peregrinos,  desde 2019, quando a entidade criou um canal de informações para o peregrino e favorece o diálogo com a rede de serviços que ele dispõe. 

Hoje, afirma ele, segundo informações do Santuário Nacional, a Rota da Luz já é o segundo caminho mais utilizado por peregrinos com destino a Aparecida durante todo ano.

Houve uma flagrante melhoria na rede de atendimento (pousadas, restaurantes, etc), porém, segundo Bira, como é mesmo chamado, “o que ainda falta é uma ação mais efetiva do Governo do Estado na manutenção da sinalização de todo o caminho. A Rota foi implantada em 2016 com  placas, painéis… mas depois não houve manutenção ou substituição de placas deterioradas”.

Por isso, os amantes desse caminho criaram, em 2019, a associação para “orientar o peregrino, tirar dúvidas e fomentar o surgimento de pontos de apoio, comércio local e serviços, mas a associação não tem recursos para realizar manutenção na sinalização, temos pedido ajuda a municípios mas entendemos que como foi o Governo do Estado que criou, deveria haver essa participação, no mínimo, na manutenção da sinalização”.

 

Expectativa

Bira afirma que várias romarias estarão sendo iniciadas a partir de outubro, quando as pessoas se colocam a caminhar para chegar a Aparecida e participar das comemorações do feriado nacional, no dia 12.

Essa rota possui 194 quilômetros e tem início em Mogi das Cruzes, passando em seguida pelos antigos caminhos de Sabaúna. Na sequência estão cidades como Guararema, Taubaté, Roseira e Aparecida.

O trajeto pode ser cumprido em etapas, o que garante a participação de qualquer caminhante, desde que tenha tempo e programe as paradas em pontos onde há pouso, para o pernoite.

 

Rota do Sal
Conhecido como Zanzalá, a Rota do Sal também está de volta entre as rotas de interesse de ciclistas, principalmente, nas últimas semanas. 
Ela foi criada em 2014 pelas cidades de Mogi das Cruzes, Santo André, São Bernardo do Campo, Biritiba Mirim, Salesópolis e Paranapiacaba como a Rota Cicloturística o “Caminho do Sal”.

Também é um legado dos tropeiros que se lançavam a transpor a Serra do Mar e o planalto paulista.

O percurso, que ligava São Bernardo e Mogi das Cruzes, foi aberto em 1640 para transporte de sal, produto estratégico, na época, para sobrevivência dos povoamentos. Depois, a carta era outra: pedras preciosas. E tem história que, em determinado momento, Portugal mandou fechar o caminho para fiscalizar as cargas de altíssimo valor.

Esse traçado é dividido nos caminhos de Zanzalá (16 quilômetros), Carvoeiros (10 quilômetros) e Bento Ponteiro (com 27,5 quilômetros). É mais usada por ciclistas e uma aposta para o turismo mogiano de esportes e aventuras.

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