Saiba por que Suzano tem melhores índices e Itaquá já ameaça Mogi
Mogi das Cruzes ocupa a 54ª posição do País em oferta de saneamento básico a seus moradores, conforme o “Ranking do Saneamento Básico – 2022”, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, levando em conta os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), referentes ao ano de 2020, a respeito dos 100 maiores […]
22/03/2022 18h06, Atualizado há 53 meses
Mogi das Cruzes ocupa a 54ª posição do País em oferta de saneamento básico a seus moradores, conforme o “Ranking do Saneamento Básico – 2022”, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, levando em conta os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), referentes ao ano de 2020, a respeito dos 100 maiores municípios brasileiros.
Entre as três cidades da região do Alto Tietê analisadas na pesquisa, Suzano é a que apresenta a melhor posição, um 14º lugar, que a coloca, com destaque, entre as 20 melhores do País, ao lado de municípios como Santos, Uberlândia (MG), São Paulo, Curitiba (PR), Brasília (DF), Londrina (PR), entre outras, mantendo-se à frente de Mogi, em 54º lugar, e de Itaquaquecetuba, a 57ª posicionada na classificação final do levantamento.
Em relação à pesquisa passada, as cidades da região apresentaram números díspares, alguns até surpreendentes, como foi o caso de Mogi das Cruzes que caiu dez posições no ranking, despencando do 44º lugar para a atual 54ª posição. Suzano também caiu, mas bem menos que Mogi: apenas quatro posições o que a deslocou do 10º para o 14º lugar. A surpresa positiva da pesquisa ficou com Itaquaquecetuba. A cidade avançou 13 pontos, deixando a incômoda 70ª posição e indo parar na 57ª, três posições apenas atrás de Mogi das Cruzes.
Entre as três cidades do Alto Tietê posicionadas no Ranking do Saneamento, Mogi é a única a manter um sistema autônomo de saneamento, que é operado pelo Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae). Suzano e Itaquá há muito tempo entregaram os respectivos serviços de saneamento à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp, que vem conseguindo aprimorar progressivamente o seu trabalho junto às cidades a ela vinculadas, como é possível de se avaliar no resultado do atual levantamento.
Para que possa melhor entender por que as cidades do Alto Tietê apontam comportamentos tão diferenciados na pesquisa do Instituto Trata Brasil, o leitor irá acompanhar, a partir de agora, um comparativo entre as performances dos três municípios. Os números poderão ajudar a entender o que provocou essa verdadeira dança de posições no ranking. E, ao final, caberá a ele tirar suas próprias conclusões a respeito da situação apresentada pelas três cidades.
Com 450.785 habitantes em relação aos 300.559 de Suzano e 375.011 de Itaquá, Mogi das Cruzes apresenta um percentual de 91,4% de atendimento com água tratada, contra os 100% de cada uma das outras duas cidades. Por isso mesmo, Suzano e Itaquá obtiveram a nota máxima relativa ao atendimento total de água: 0,5, enquanto Mogi alcançou 0,46.
Os dois municípios apresentam idênticos índices percentuais quando a pesquisa analisa o índice de atendimento urbano com água tratada: 100% cada, recebendo também a nota máxima de 0,5. Enquanto isso, mesmo apresentando um percentual de 99,3%, Mogi também obteve a maior nota, 0,5 neste quesito.
Quando se avalia o atendimento total de esgotos, as cidades apresentam percentuais distintos. Suzano chega a 93,09% da população, recebendo a nota máxima de 1,25, enquanto Mogi alcança 86,90%, conquistando uma nota 1,21, e Itaquá 72,04%, o que lhe valeu a nota 1. Em relação especificamente à coleta de esgotos na área urbana, Suzano chega a 96,48% e Mogi a 94,31%, recebendo, ambas as cidades, a nota máxima de 1,25. Já Itaquá, que atende a 72,04% de sua área urbana, recebeu nota 1.
No indicador que relaciona o esgoto tratado por quantidade de água consumida, Suzano conseguiu atingir 53,96% (nota 1,59), Mogi chegou a 47,67% (nota 1,49) e Itaquá, apenas 9,20% (nota 0,29). As três cidades, neste item ficaram bem distantes da nota máxima estabelecida, que era de 2,5.
O indicador de investimento total em saneamento básico por arrecadação ajuda a entender por que Itaquaquecetuba teve uma subida tão rápida e exponencial no Ranking do Saneamento: a cidade obteve a nota máxima definida para este item, que foi 0,75, após a pesquisa mostrar o investimento equivalente a 40,72% de sua arrecadação, enquanto Suzano investiu 27,84% (nota 0,53) e Mogi, somente 17,85%, o que lhe correspondeu a nota 0,34.
O indicador de investimento do prestador do serviço por arrecadação volta a mostrar Mogi em uma situação igualmente muito desconfortável. O investimento equivalente a 9,62% lhe garantiu uma nota 0,19, muito distante da avaliação máxima, de 0,75 obtida por Itaquá, que apresentou um investimento equivalente a 40,72%. Suzano investiu 27,84% e alcançou a nota 0,55.
Perdas de água
Quando se trata de saneamento básico, outro índice importante a ser levao em conta são as perdas de água tratada em razão de vários fatores, mas principalmente de vazamentos que costumam ocorrer no trajeto do líquido entre a estação de tratamento e os consumidores finais. Há ainda os chamados “gatos”, que são as ligações clandestinas existentes especialmente em bairros mais distantes da área central.
A pesquisa do Trata Brasil mostrou que Suzano apresenta o menor índice de perdas no faturamento do setor: 19,17%, o que lhe permitiu conquistar a nota máxima definida para o quesito, que é 0,5. Itaquá apresentou o segundo menor índice, 28,60%, que lhe garantiu a nota 0,45. Já Mogi apresentou um percentual bem maior: 35,40%, recebendo uma nota 0,35.
A pesquisa sobre as perdas mostra números ainda mais impressionantes em relação a Mogi, quando se analisa o índice de perda na distribuição da água. Enquanto a Sabesp, em Suzano, desperdiça 28,10% do líquido tratado e, em Itaquá, 32,32%, Mogi das Cruzes alcança o incrível percentual de 47,88%, ou seja, quase metade da água que é tratada pelo município se perde, pelos mais diferentes motivos, sem chegar à casa do munícipe. Não é à-toa que a atual diretoria do Semae tem prometido se empenhar ao máximo para reduzir esse índice que representa um desperdício também de dinheiro para a autarquia. Por conta desses percentuais, a nota máxima de 0,5 estabelecida para este item não foi alcançada por qualquer dos três municípios. Suzano obteve a melhor, 0,44, enquanto Itaquá ficou com 0,39 e Mogi, 0,26.
Ainda sobre esse importante assunto, o indicador de perdas volumétricas da pesquisa, mostra quantos litros de água são perdidos, em média, em cada uma das ligações, a cada dia, nos municípios. Os 192 litros desperdiçados diariamente por Suzano e os 213 litros por Itaquá, lhes valeram a nota máxima, 0,5, para cada um. Já Mogi alcançou nota 0,27 por apresentar perda de 401 litros por ligação de água.
Notas finais
O cruzamento de todos esses e outros dados relacionados ao estudo do Instituto Trata Brasil permitiu que fosse feita uma avaliação final, com a nota máxima alcançada pelos municípios. Lembrando que de uma avaliação máxima de 10, Suzano obteve nota 8,71, enquanto Mogi das Cruzes recebe nota 6,91, ficando somente um pouco à frente de Itaquaquecetuba, que, após uma surpreendente performance neste último ano, obteve a nota 6,83. A grande expectativa é saber se os investimentos da Sabesp poderão fazer com que Itaquá alcance ou até ultrapasse Mogi no ranking do próximo ano.