Tiradentes foi preso na casa de artesão nascido na Vila de Mogi
Foi na residência de um mogiano especializado em talhar objetos em madeira, prata, ouro e pedras preciosas que o alferes Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, foi preso, na noite de 10 de maio de 1789, no Rio de Janeiro, então capital da colônia. A acusação contra ele: trair a soberana Maria […]
21/04/2023 15h26, Atualizado há 39 meses
Foi na residência de um mogiano especializado em talhar objetos em madeira, prata, ouro e pedras preciosas que o alferes Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, foi preso, na noite de 10 de maio de 1789, no Rio de Janeiro, então capital da colônia.
A acusação contra ele: trair a soberana Maria Francisca Isabel Josefa Antonia Gertrudes Rita Joana, ou Maria I, rainha de Portugal e Algarves, ao liderar movimento sedicioso que pretendia tornar o Brasil independente, no episódio que passou à história como Inconfidência Mineira.
“Domingos Fernandes da Cruz era paulista da Vila de Mogi das Cruzes. Aos 64 anos, era solteiro e vivia só.
Ele aceitou esconder em sua casa/oficina um oficial fugitivo que nunca tinha visto antes, atendendo a um pedido a um pedido de sua comadre Inácia (Gertrudes de Almeida). A viúva explicou ao artesão que aquele homem havia curado sua filha”, como revela o jornalista mineiro Lucas Figueiredo na monumental biografia O Tiradentes (Companhia das Letras, 332 páginas), que ainda pode ser encontrado em alguma livraria de qualidade.
Procurado pelos homens do vice-rei, dom Luís de Vasconcelos e Sousa, ele se homiziou no sótão do imóvel localizado na rua dos Latoeiros, tradicional ponto de funilarias.
No local, sem luz e cercado por montes de tralhas, ficou por quatro dias esperando a poeira baixar antes de voltar às Minas Gerais, onde pretendia deflagrar a revolução que nunca aconteceu, graças à traição do fedífrago Joaquim Silvério dos Reis.
Tiradentes, como se sabe, foi enforcado a 21 de abril de 1792, mas a semente da liberdade que plantou tornaria o País independente, três décadas depois, no dia 7 de setembro de 1822.
N. do R. – A história acima foi originariamente publicada na coluna Informação, pelo jornalista Darwin Valente, no ano de 2018, e resultou de um verdadeiro achado histórico, garimpado pelo jornalista Evaldo Novelini, que já passou pela redação de O Diário, antes de se tornar diretor de Redação do Diário do Grande ABC. Foi Novelini quem enviou a história, resgatada por ele, um leitor voraz e contumaz, junto ao livro do também mineiro, como Tiradentes, Lucas Figueiredo.
Uma história que merece ser relembrada neste feriado dedicado ao herói e mártir da Independência do Brasil.