Votação do Plano de Educação de Mogi expõe divisão de opinião sobre diversidade de gênero
Aprovado com apenas dois votos contrários, a votação do novo Plano de Educação de Mogi das Cruzes provocou polêmica e protesto durante a sessão na Câmara Municipal. O principal motivo foi a emenda do vereador Jhon Ross Jones (PODE), do mesmo partido do prefeito Caio Cunha (PODE), que retirou do texto a parte que prometia […]
21/12/2022 13h52, Atualizado há 43 meses
Aprovado com apenas dois votos contrários, a votação do novo Plano de Educação de Mogi das Cruzes provocou polêmica e protesto durante a sessão na Câmara Municipal. O principal motivo foi a emenda do vereador Jhon Ross Jones (PODE), do mesmo partido do prefeito Caio Cunha (PODE), que retirou do texto a parte que prometia o “respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade” – mesmo sem citar nominalmente, o conceito era de se respeitar a diversidade de gênero.
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Apesar das discussão e críticas por parte de alguns parlamentares que não integra a base de governo do prefeito, a emenda que mudou o texto foi aprovada pela maioria da Casa, com aplausos de parte do um grupo de pessoas acompanhava a votação em plenário. Outra parte do publico vaiou.
A emenda modificativa do artigo 2º, inciso 9º do projeto, que retirou do texto as palavras “respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade”. Com a alteração, foram extintas do Plano de Educação o respeito à diversidade de gênero, o respeito ao desenvolvimento sustentável e à igualdade racial e aos direitos humanos.
O vereador e pastor Osvaldo Antonio da Silva (REP), presidente da Comissão de Assistência Social do Legislativo também defendeu a mudança na redação do texto. Ao justificar que não se trata de discriminação, ele disse que não tem preconceito, até porque tem muitos familiares “escuros”, um comentário que provocou reação negativa em algumas pessoas que consideraram o termo racista. O vereador se justuficou na mesma hora e disse que não era essa a intenção .
“Hoje mesmo, antes da sessão, recebemos ligações de pessoas preocupadas que vieram cobrar e o vereador Jhonross fez essa emenda que nós defendemos sem desmerecer ninguém e nem raça. Eu particularmente sou neto de baiano e a maior parte da família do meu pai são todos escuros”, comentou.
Diante da reação negativa dos presentes, o vereador se desculpou: “Perdão pela palavra. Talvez falei a palavra errada, mas eu não tenho um problema com isso muito pelo contrário”, justificou. Sobre a mudança no texto, disse que “é apenas uma preocupação do que pode ocorrer lá na frente, porque a gente está vivendo num mundo onde muita coisa acontece nas entrelinhas”.
A emenda foi muito criticada por um grupo de parlamentares, como foi o caso de Inês Paz (PSOL), Iduigues Ferreira Martins (PT), José Luiz Furtado (PSDB) e Edson Santos (PSD), que votaram contra a proposta, assim como Marcelo Bras (PSDB).
“A diversidade é muito ampla, nosso país é diverso e por isso queremos garantir que o Projeto, que foi construído coletivamente, seja respeitado. Ao retirar a questão racial se está desvalorizando os negros, que construíram com suor e sangue esse país. Ao tirar a questão da diversidade estão excluindo pessoas com deficiência e pessoas de diferentes etnias. Temos aqui diversas etnias, como dos povos orientais aqui na nossa cidade é construída por isso então diversidade é muito amplo o nosso país é diverso negros e negras a nova maioria da nossa população é isso que a gente tem que levar em conta”, declarou Inês Paz.
O vereador Iduigues também se manifestou. “Retirar do texto respeito aos direitos humanos e à diversidade e à sustentabilidade socioambiental é o mesmo que dizer que Mogi não vai ter uma política que olhará para essas questões. A necessidade de suprimir do texto isso vai de encontro a uma visão de segregar a diversidade, segregar a questão racial. É uma política que está na contramão do mundo na contramão do mundo”.
Outro que se pronunciou foi o vereador José Luiz: “Fico pasmo com a desinformação que está destruindo o mundo. As pessoas estão confundindo as coisas. Quando a gente fala de igualdade equidade de gênero é de fomentar a participação das mulheres na política, é sobre tratar com respeito as pessoas negras. Acho que se Cristo voltasse hoje nós iríamos crucifica-lo novamente porque ele não andou no meio de só que quem concordava com ele”, disse o parlamentar.
Por conta dessas polêmicas, o novo Plano Municipal de Educação foi aprovado com dois os votos contrários de Inês e de Iduigues.