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José Arraes se torna um estranho no ninho em terras de bolsonaristas

De férias em Paracatu, cidade de 95 mil habitantes, no Noroeste do Estado de Minas Gerais, o ambientalista de Mogi, José Arraes foi convidado para, no primeiro dia do ano, degustar um surubim, peixe tradicional daquela região, pescado no rio Paracatu, maior afluente da margem esquerda do São Francisco, o “Velho Chico”. Tudo indicava que […]

9 de janeiro de 2023

Reportagem de: O Diário

De férias em Paracatu, cidade de 95 mil habitantes, no Noroeste do Estado de Minas Gerais, o ambientalista de Mogi, José Arraes foi convidado para, no primeiro dia do ano, degustar um surubim, peixe tradicional daquela região, pescado no rio Paracatu, maior afluente da margem esquerda do São Francisco, o “Velho Chico”.
Tudo indicava que seria o programa perfeito, já que a fazenda de um parente da mulher de Arraes, era algo do tipo cinematográfico. Tudo caminhava para ser irretocável, até surgirem algumas diferenças ideológicas entre o convidado e outros presentes. 
Nas primeiras conversas com seu anfitrião, Arraes logo soube que se tratava de um grande latifundiário, criador de gado, que jogava no time do agrotóxico, tinha Juscelino Kubitscheck como um deus e que ainda reclamava de ser obrigado a deixar parte de suas terras com matas preservadas.
Como o rio Paracatu passava pela propriedade, o fazendeiro ainda “alugava” água  para a instalação de grandes equipamentos de irrigação.
Enfim, alguém que, segundo o próprio Arraes, “merecia ouvir poucas e boas pelo desrespeito à natureza”, representado ainda por vários freezeres lotados com carnes de peixes, tatu, capivaras, perdizes, entre outros bichos. Vale dizer, algo comum por aquelas bandas. 
Mas como desgraça pouca sempre é bobagem, outra surpresa desagradável para o visitante ainda estava por vir.
Naquele 1º de janeiro era dia da posse de Lula no cargo de presidente, algo que Arraes desejava assistir, até descobrir que naquele ambiente, 99,9999999% eram todos bolsonaristas.
Na hora da posse, o fazendeiro fez menção de desligar a televisão, apoiado por outros 30 presentes. Menos Arraes, que disse:
“Já que são todos bolsonaristas e eu não sou, basta me deixarem o controle remoto que eu irei assistir sozinho, longe de más companhias”.
A brincadeira deu certo. Além do controle, o solitário Arraes ainda ganhou cerveja, salgadinhos, pão de queijo e outros acepipes disponíveis na fazenda. E ele pôde assistir à posse de Lula sem ser incomodado.
Mas a festa da posse nem havia terminado quando o anfitrião convidou Arraes para conhecer de perto o rio Paracatu. E mesmo depois da acolhida, do surubim que estava maravilhoso, recheado com farofa e condimentos da região, e ter ficado  pasmo diante daquele verdadeiro mar de água, com uns 200 metros de largura, o visitante ainda teve coragem para alertar o anfitrião de que ele poderia ser enquadrado  na Lei de Crimes Ambientais por estar privatizando a água do Paracatu.
O fazendeiro se assustou diante da gravidade da situação e, no dia seguinte, logo cedo, ligou para Arraes pedindo mais esclarecimentos sobre as ilegalidades cem sua fazenda.
Arraes prometeu ajudar na regularização e é bem provável que, com a fazenda dentro da lei, volte a ser convidado para um novo surubim,  desses “de comer deitado”. 
Aventuras mineiras do ambientalista que aonde vai, sempre consegue se envolver em alguma encrenca, das boas…

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