Lobo-guará morre após ter sido atropelado em Guararema
Típico do serrado, mas com registros de raros encontros na região do Alto Tietê, um lobo-guará foi atropelado em Guararema, no sábado passado, mas não foi capturado. Neste domingo (29), no entanto, ele foi encontrado em um sítio com ferimentos e miíase, uma infestação de larvas de moscas, popularmente chamada de “bicheira”. Na madrugada de […]
29/11/2020 21h06, Atualizado há 66 meses
Típico do serrado, mas com registros de raros encontros na região do Alto Tietê, um lobo-guará foi atropelado em Guararema, no sábado passado, mas não foi capturado. Neste domingo (29), no entanto, ele foi encontrado em um sítio com ferimentos e miíase, uma infestação de larvas de moscas, popularmente chamada de “bicheira”. Na madrugada de hoje (30), o animal morreu após não responder ao tratamento.
Encaminhado ao veterinário Jefferson Leite, o animal foi anestesiado e recebeu medicamentos para curar as feridas. De acordo com o profissional, a fêmea do lobo-guará correu para a mata quando foi atropelada. E reapareceu bastante debilitado somente ontem.
O avistamento desta espécie de canídeo é raro na região do Alto Tietê. “Mas, acontece”, observa Jefferson Leite, acrescentando que o animal vive em grandes áreas livres, por isso o registro é inusitado.
Apesar de não ser ameaçado de extinção, cientistas o classificam como em algum grau de extinção por causa da destruição das regiões de cerrado, onde ele vive – uma mudança provocada por isso é a adaptação do lobo-guará em áreas de Mata Atlântica já desmatadas, um lugar onde originalmente ele não ocorria anteriormente.
Com este registro, o veterinário que defende a instalação de um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Mogi das Cruzes, soma 400 animais encontrados em situação semelhante. A maior parte dos bichos típicos da Mata Atlântica é vítima de atropelamentos ou de quedas e fraturas provocadas pela colisão com estruturas fixas, como paredes, vidros, cercas, arames, e outros.
Um Cetas seria um serviço fundamental para atender uma demanda crescente. O prefeito eleito, Caio Cunha, se comprometeu, durante a campanha, a executar o projeto que vem sendo adiado há tempos.
O lobo-guará tem o nome científico de Chrysocyon brachyurus. É canídeo endêmico da América do Sul e único integrante do gênero Chrysocyon. É encontrado em savanas e áreas abertas no centro do Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia. É típico das áreas de cerrado.
É ameaçado de extinção e ganhou notoriedade neste ano, no Brasil, porque foi escolhido para simbolizar a cédula de R$ 200,00
Pode chegar a ter entre 20 e 30 kg de peso e até 90 cm na altura da cernelha. Tem pernas longas e finas e densa pelagem avermelhada. Solitário, é onívoro e tem papel fundamental para a dispersão de sementes de frutos por onde circula.