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Malu: uma jovem levada a sério

Quem é Maria Luiza Fernandes, a Malu, uma das vereadoras mais jovens que Mogi das Cruzes já viu? Eu sou uma voz que luta por uma cidade mais justa e desenvolvida. Tenho 21 anos, mogiana, sempre estudei em escola pública – gosto de ressaltar isso porque vivi de fato as fragilidades do sistema educacional brasileiro. […]

Por O Diário
11/12/2020 14h22, Atualizado há 68 meses

Quem é Maria Luiza Fernandes, a Malu, uma das vereadoras mais jovens que Mogi das Cruzes já viu?

Eu sou uma voz que luta por uma cidade mais justa e desenvolvida. Tenho 21 anos, mogiana, sempre estudei em escola pública – gosto de ressaltar isso porque vivi de fato as fragilidades do sistema educacional brasileiro. Trabalhei como feirante para pagar meu cursinho e atualmente, sou bolsista integral em Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ativista pela educação, aluna do RenovaBR e uma das lideranças cívicas do Movimento Acredito, organizações pela renovação política no Brasil.

 

Como surgiu o interesse pela política?

Durante o ensino médio, eu entendi que meu chamado é servir as pessoas. Comecei, então, a buscar várias formas de praticar isso, através da atuação no grêmio estudantil da E.E. Dr. Deodato Wertheimer e engajamento em diversas iniciativas do terceiro setor em Mogi das Cruzes, que me possibilitaram ver de perto as desigualdades e injustiças da nossa cidade.

 

Houve apoio familiar para seu ingresso nesta carreira?

Sim. Eu moro com a minha mãe, padrasto e irmã. Apesar de a política nunca ter sido um assunto comum nas nossas conversas, todas as vezes que participava de uma reunião política, por exemplo, eu chegava em casa e compartilhava tudo com eles. Meu pai inclusive me acompanhava em alguns eventos. Eles viram esse sonho crescer dentro de mim e foram os que mais se engajaram durante toda a campanha eleitoral.

 

Você está participando de cursos sobre gestão de mandato, planejamento estratégico e liderança política. De que maneira estas formações devem agregar em seu mandato?

A política brasileira carece de qualidade. Infelizmente, vemos representantes prometendo o que não devem e deixando de atuar no que lhes compete. Essas formações têm me possibilitado entender como podemos fazer um trabalho de resultados, construindo políticas baseadas em evidências e inovação.

 

A O Diário, você disse querer a seu lado, para compor o quadro de assessores, “pessoas com competência, princípios e alinhadas aos valores” de sua gestão. Que valores são esses?

O nosso time deverá estar alinhado aos valores de Integridade, Inovação, Qualidade, Justiça Social e Serviço. Estamos estruturando nossa equipe – parte dela serão pessoas que eu já conheço e confio, que estão comigo há muito tempo, e que possuem um incrível potencial técnico em suas respectivas áreas. Outras vagas serão preenchidas por meio do nosso processo seletivo, que avaliará a competência profissional dos candidatos e o alinhamento ao nosso propósito.

 

Quais são seus planos para a cidade?

Eu quero que em Mogi das Cruzes, os sonhos das pessoas não sejam limitados pelo CEP em que elas vivem, mas que tenham iguais oportunidades de se desenvolverem. Para isso, precisamos focar em reduzir as desigualdades entre distritos e bairros, aumentar a qualidade da educação e fortalecer nossa economia. Além disso, também quero que as mulheres mogianas possam viver em uma cidade mais segura para elas, e se sintam representadas pela minha voz. Eu vou dedicar toda a minha trajetória na vida pública para contribuir na conquista desses resultados.

 

Como avalia o Legislativo de Mogi das Cruzes?

Por muito tempo, a Câmara foi ocupada pelos mesmos nomes e sobrenomes, com um perfil, majoritariamente, de homens brancos e mais velhos. Eu sempre me incomodei com essa falta de representatividade, porque afasta pessoas comuns, jovens e mulheres. Além disso, a qualidade no debate, na maior parte das vezes, não é evidenciada. Mas, com o resultado dessas eleições, de 14 novos eleitos, podemos fazer diferente e tornar o legislativo municipal mais atuante e próximo das pessoas.

 

Neste ano, seis vereadores mogianos foram denunciados pelo Ministério Público por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Como é chegar ao Legislativo em meio a uma das mais graves crises de ética que a casa enfrenta?

O nosso slogan de campanha foi “Renove os Laços com a Política”. Escolhemos essa mensagem justamente porque houve uma quebra de confiança dos eleitores com tais representantes. O nosso foco, para os próximos quatro anos, é realizar essa renovação através de uma mudança de práticas e princípios, com mais transparência, ética e verdade. Vamos mostrar para Mogi que a renovação não é somente trocar os vereadores antigos, mas ressignificar a relação entre as pessoas e os políticos.

 

Aproveitando: como combater a corrupção na política?

A primeira maneira de combater a corrupção é na eleição, votando em líderes cujo foco é servir o outro, não a si mesmo. Tenho a certeza de que isso foi feito com a nossa candidatura eleita. Já durante o mandato dois ingredientes são importantes: transparência e participação. Transparência nas justificativas de votos, gastos e atuação. Participação popular nas decisões, na construção de projetos e na indicação de melhorias para a cidade. Ambos foram e são nossos compromissos.

 

E o que significa uma mulher, tão jovem, ser eleita vereadora numa cidade como Mogi, que tem 461 mil habitantes?

Se antes o jovem não era “levado a sério”, por sua falta de experiência, essa eleição quebrou paradigmas e mostrou que a cidade acredita na garra da juventude para mudar o rumo de Mogi das Cruzes. A nossa vitória demonstrou que as pessoas querem no poder líderes que sejam pessoas comuns, conectadas com a sua realidade.

 

Pretende apoiar maior participação feminina na política e estimular movimentos de lideranças jovens?

Eu sou a vereadora mais jovem de toda a história de Mogi, mas não quero ser a última. Vou colaborar na formação de mulheres líderes e inspirar mais jovens à participação política, através do Parlamento Estudantil e de iniciativas próprias do nosso mandato.

 

Qual será o seu primeiro projeto?

Dividimos nossas propostas em três eixos temáticos: Educação e Juventude, Proteção às mulheres e Qualidade de Vida. Por isso, inicialmente, vamos definir as bases do nosso mandato e criar conselhos de colaboração para cada eixo, com especialistas e pessoas das áreas, que vão nortear a construção de projetos. Além disso, logo que empossada, vou lutar para que haja o retorno das aulas presenciais, principalmente para os alunos que não tem acesso à internet, com protocolos e restrições. A educação precisa ser entendida como uma atividade essencial.

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