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Mogi perde posições e retrocede no ranking do saneamento básico

A 56ª colocação de Mogi das Cruzes no Ranking do Saneamento Básico, divulgado anualmente pelo Instituto Trata Brasil, onde Suzano aparece na 13ª colocação e Itaquá em 54ª, poderia reabrir uma antiga discussão que esporadicamente volta à cena na cidade: a transferência dos serviços de saneamento básico do Serviço Municipal de Saneamento Básico (Semae) para […]

Por O Diário
22/03/2023 07h10, Atualizado há 40 meses

A 56ª colocação de Mogi das Cruzes no Ranking do Saneamento Básico, divulgado anualmente pelo Instituto Trata Brasil, onde Suzano aparece na 13ª colocação e Itaquá em 54ª, poderia reabrir uma antiga discussão que esporadicamente volta à cena na cidade: a transferência dos serviços de saneamento básico do Serviço Municipal de Saneamento Básico (Semae) para a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp).

Já houve um tempo, em Mogi, que falar sobre esse assunto era um risco para a eleição de qualquer político, tais eram os fatores positivos da autarquia local, que iam desde um serviço eficiente no atendimento à comunidade, até um preço bem mais em conta em relação ao que era cobrado pela antiga estatal, hoje uma empresa de economia mista, que profissionalizou sua administração, deixando de ser o velho cabidão de empregos políticos do passado.

Os mais antigos devem estar lembrados de uma campanha eleitoral para prefeito de Mogi em que um dos principais candidatos lançou uma fake news (elas já existiam à época, mas eram chamadas simplesmente de boatos), dizendo que seu adversário pretendia privatizar o Semae.

Foi um Deus nos acuda, a ponto de se transformar no principal assunto do debate final entre os dois concorrentes, na TV Diário. O candidato vítima da fake news por pouco não perdeu a eleição em razão do boato disseminado aos quatro ventos pelo seu rival.

A mais recente discussão sobre a questão da privatização do Semae aconteceu durante o segundo governo do prefeito Marco Bertaiolli (PSD), quando ele tentou criar uma espécie de administração partilhada com a Sabesp, o que acabou não avançando além das primeiras notícias sobre o assunto.

A cada ano, no entanto, sempre que se divulga o ranking do Instituto Trata Brasil, a comparação com Suzano é inevitável e novamente volta-se a falar na transferência do Semae para a Sabesp, que é a responsável pelo saneamento básico suzanense.

Mas para os defensores dessa negociação, a coluna aconselha uma rápida passada de olhos pelo Ranking do Saneamento deste ano, recém-divulgado. Uma observação mais detalhada vai indicar que a cidade melhor colocada na relação nacional é São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, que estava em 9º lugar em 2022, subiu oito pontos e chegou a topo do ranking. E quem cuida do saneamento naquela cidade? Uma autarquia municipal que, por coincidência, tem idêntica denominação da mogiana: Semae.

Vale a comparação de alguns índices: enquanto São José do Rio Preto perde 20,98% de sua água tratada durante a distribuição, Mogi desperdiça 48,65%, o que significa que quase metade de toda a água tratada pelo Semae se perde em razão de vazamentos causados por problemas de redes, muitas antiquadas demais e que já deveriam ter sido trocadas.

Outro indicador, o do tratamento total de esgotos, mostra a distância quase abissal entre as duas cidades. Lá, são tratados 91,58% dos esgotos produzidos, enquanto por aqui, apenas 47,26%. Enquanto os esgotos sem tratamento de Rio Preto correspondem a quatro piscinas olímpicas, os de Mogi correspondem a 13 piscinas olímpicas.

Outro dado interessante: enquanto Rio Preto investiu R$ 124,66 por habitante em saneamento, Mogi aplicou R$ 98,96 per capita.

E por que o Semae de lá sobe oito pontos em um ano, enquanto o de Mogi perde duas colocações em relação a igual período?

Falta investimento? Falta administração mais eficiente? Faltam resultados mais concretos?

Sejam quais forem os motivos, o certo é que Mogi está caminhando para trás em termos de saneamento básico, conforme os dados do Instituto Trata Brasil. E será preciso uma definição da administração municipal. Tornar o Semae mogiano mais produtivo é uma questão decisiva para se assegurar qualidade de vida esperada pela população. Uma visita a Rio Preto poderia ser um ótimo indicativo inicial para se pensar nesta virada. Afinal, bons exemplos estão aí para servir como modelo para quem precisa recuperar o tempo perdido. E haja tempo…

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