Mulher transexual está desaparecida há 4 dias; família e amigos suspeitam de assassinato
A família e os amigos de Nataly Lily buscam por ela desde a noite do domingo (13), quando ficaram sabendo que a mulher, que é transexual, poderia ter sido assassinada. Ela estava acompanhada por uma amiga, que foi baleada e encaminhada ao hospital Luzia de Pinho Melo, mas não soube dizer onde, de fato, aconteceram […]
16/12/2020 09h44, Atualizado há 68 meses
A família e os amigos de Nataly Lily buscam por ela desde a noite do domingo (13), quando ficaram sabendo que a mulher, que é transexual, poderia ter sido assassinada. Ela estava acompanhada por uma amiga, que foi baleada e encaminhada ao hospital Luzia de Pinho Melo, mas não soube dizer onde, de fato, aconteceram os disparos.
“Minha irmã é acompanhante e faz programas perto de um hotel em Jundiapeba. No sábado, ela foi para lá e não voltou mais. Ela estava acompanhada de uma amiga, que também faz programas, e as duas foram convidadas por um casal, que pagou antecipado, para uma confraternização”, conta Luan Fortunato, irmão da vítima.
Ele explica que essa amiga contou que Nataly foi quem conversou com o casal inicialmente e depois a convidou para participar. Elas entraram no carro e foram em direção à Avenida das Orquídeas. Os clientes teriam dito que iriam para uma festa em um sítio, mas ao chegar no local somente Nataly desceu do carro e foi alvejada.
“A amiga dela continuou no carro e quando viu a minha irmã já tinha sido baleada. Tinham outros dois rapazes esperando nesse lugar e eles mostraram fotos, mas não eram da minha irmã e nem da amiga dela. Essa pessoa da foto teria agredido familiares deles. Eu acredito que tenha sido um engano”, afirma Luan.
Mesmo com a confusão, a amiga não foi poupada dos tiros, que atingiram sua boca e seu braço. Após desmaiar, ela acordou em cima de Nataly e tentou acordá-la, mas achou que ela já estava morta. A amiga conseguiu correr até uma casa da comunidade do Gica, no distrito de Braz Cubas. Lá, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e ela foi encaminhada ao Luzia.
Quando acordou no hospital, a amiga relatou a irmã tudo o que aconteceu e foi ela quem encaminhou um áudio para Luan contando o que havia acontecido. “Nós já fomos procurar todas as pistas que tínhamos, fomos perto da Avenida das Orquídeas, no Parque Leon Feffer, mas não conseguimos nada. E a Polícia não está ajudando, não está fazendo nada”, frisa o irmão.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) disse apenas que o caso foi registrado pelo 2º DP de Mogi das Cruzes como tentativa de homicídio e desaparecimento de pessoa, que investiga os fatos.
Luan chegou a oferecer R$ 10 mil para quem encontrar o corpo de Nataly. Agora, ele diz que o apoio da família e dos amigos dão uma esperança para que encontre a irmã ainda com vida.
Nas redes sociais diversas postagens cobram maior empenho da polícia nas buscas por Nataly, que é lembrada como “mulher trans, negra e da periferia”.